Neste Dia das Mães, uma mensagem às mulheres estéreis

Texto retirado de: http://www.revulvacionarias.blogspot.com

Há uns dias me deparei subitamente com a situação das mulheres estéreis na proximidade do Dia das Mães. Primeiramente, sinto muito se você sente-se incompleta nesta data. Não posso descrever muito sobre o que as mulheres estéreis sentem, mas posso falar sobre o que as faz sentir. 
A sociedade na qual vivemos nos cobra o papel de ser mães. Somos empurradas para a maternidade desde crianças, dizendo para as coleguinhas qual vai ser o nome de sua filha ou filho quando crescer, ou ganhando uma boneca bebê. O hábito de comprar brinquedos assim para as meninas é quase automático, mas o dom da maternidade de fato não é natural no momento em que reviramos as pernas e os braços de nossas bonecas e as rabiscamos no rosto. Crescemos dentro de uma esfera social em que a imagem da família ideal no futuro já nos rondeia. Meninas iniciando suas vidas amorosa e sexual mais cedo, reproduzindo o "comportamento adulto" e alimentadas pelo conceito de amor romântico - mesmo sem terem a menor noção do que seja (o que, resumindo, é a ideia de que sem outra pessoa para nos completar não somos nada). E esta é a socialização que recebemos. É a socialização que nossas mães receberam das nossas avós que receberam das nossas bisavós e assim por diante. Ser mãe é uma exigência. "O ser humano nasce, cresce, se reproduz e morre". Quando uma mulher desvia desta expectativa, ela é julgada; ou quando não pode gerar uma criança, sente-se muito mal por si própria. Eu só queria que você soubesse que você não é menos mulher por isso. Esse ciclo aparentemente biológico, mas na verdade socialmente esperado, é nocivo e afeta mulheres. Chama-se maternidade compulsória. Devemos nos atentar para ela. Nós aprendemos que precisamos ser mães e não há nada de natural nisto.