Reprodução/ Alezzia

Entenda sobre o caso Alezzia, os ataques e o politicamente correto

Uma campanha publicitária que considerou a militância das redes

Hoje em dia vivemos conectados. A todo o momento compartilhamos nossas fotos, emoções e pensamentos. Como estamos todos em um único ambiente, determinadas postagens podem causar revolta entre os usuários — sejam eles membros de grupos específicos ou não.

Nesta semana, diversos grupos que defendem a valorização da mulher resolveram atacar uma empresa de produção de móveis por causa de uma campanha publicitária onde — em suma — aparece uma mulher posando junto aos móveis produzidos pela companhia.

Reprodução/Facebook/Alezzia

Os grupos alegaram que a campanha da empresa denigre a imagem da mulher: transformando a figura feminina em um objeto para atrair os consumidores em potencial. Da mesma forma como normalmente são feitas as propagandas de cerveja ou os programas de auditório: expondo mulheres com corpo escultural para atrair a atenção da audiência e esta vir a consumir seu material: seja ele o entretenimento ou algum bem de consumo.

Um desses grupos tentou um ataque em massa, canalizando seus usuários para votar com uma estrela na página do Facebook da empresa. Algo que é uma prática comum para tais grupos: atacar páginas com o intuito de dar “strike” que é uma notificação emitida pelo Facebook em relação a quantidade de usuários denunciando, levando a página a ficar fora do ar.

Neste caso, a forma de protesto foi a avaliação negativa da marca na página oficial, de forma a influenciar possíveis consumidores a não adquirirem os produtos do grupo. Acontece que o efeito foi totalmente o contrário — a empresa conseguiu mais que dobrar o número de curtidas de sua página, rendendo algumas matérias em revistas e ainda gerou uma outra campanha de publicidade que vem fazendo barulho e contrariando o politicamente correto.

Como começou

Supostamente, um dos sócios da empresa em uma rede social de designers chamada Behance Brasil deu a entender que não contratava mulheres por serem péssimas designers. Em meio a uma onde de críticas e comentários, uma usuária sugeriu que todos avaliassem a página de forma negativa, para que a mesma ficasse com a nota mínima do Facebook, de 1.1 estrelas.

Reprodução: Facebook/Alezzia

Ao invés de seguir o protocolo de quando desagrada alguns grupos da internet a resposta da empresa foi ousada — desafiando os usuários revoltados e lançando uma campanha:

Reprodução: Facebook/Alezzia

O desafio é voltado para a usuária que sugeriu a votação negativa da página; caso a empresa fique com a média de avaliação de 1,1 estrelas, ela irá receber um cupom no valor de dez mil reais para compras de produtos da Allezzia; caso contrário, a AACD (Associação de Assistência a Criança Deficiente) irá receber doações da empresa.

Não julgando se é apelativo ou não — tendo em vista que está nos valores da empresa o apoio a causas sociais, creio que independente da intenção — , se todas as empresas usassem as causas sociais para divulgação ou marketing, acredito que as pessoas que apoiam tais causas iriam adorar, porque os recursos do terceiro setor são bem escassos.

Chutzpah

A palavra de origem hebraica define muito bem esta situação. Ela expressa suprema autoconfiança, ousadia, coragem, seja para o bem ou para o mal, às vezes uma agressividade detestável. A empresa teve culhões de confrontar esses grupos virtuais e conseguiu uma grande publicidade e o melhor de tudo: de forma gratuita. Quem está no meio dos negócios sabe quantas cifras grandes empresas gastam para projetarem sua marca no mercado.

Outro ponto a ser destacado foi o “turnover” que a empresa conseguiu aplicar no caso. Turnover é uma expressão do futebol americano. Ele ocorre quando um time perde a posse de bola para o adversário. Um grande exemplo de que mesmo em adversidade é possível empreender e achar uma solução criativa de enfrentar a situação.

Avaliando o caso…

Longe de julgar a legitimidade de qualquer causa, eu discordo completamente da atitude desses grupos. Falando sob a óptica de alguém envolvido com o universo dos negócios, empreender no Brasil é um grande desafio. E todo o processo intangível da criação de uma marca e sua consolidação no mercado pode ser manchado porque alguns grupos não compactuam com a forma que você divulga.

É muito simples explicar esse caso, é a famosa lei da oferta e da demanda: a modelo foi paga pelo ensaio e topou participar e caso não topasse, tenho certeza que outra pessoa toparia. A organização quis passar uma imagem de que os móveis se saem bem em qualquer ocasião — até mesmo na praia — e que a qualidade é validada por uma bonita modelo.

Pode ser uma abordagem questionável? Talvez, mas se a exposição da mulher consegue atrair uma grande audiência, as pessoas vão explorar isso — não importa o segmento. E isso é válido, é uma organização privada: são livres para administrá-la da forma que quiser. E por fim, alguém pode negar que a campanha foi bem sucedida após a repercussão que foi gerada?

Qual o valor que você teria de desembolsar para que uma campanha de marketing atingisse esse nível de repercussão? O quanto de trabalho e investimento seriam perdidos caso o protesto dos grupos tivesse surtido efeito contra a empresa? Tanto o risco na qual a empresa foi exposta quanto o valor que foi agregado a marca são imensuráveis. Penso que não cabe a nós e protestar de uma forma tão nociva contra uma empresa por uma causa de certa forma banal. Caso venham a falir, creio que ninguém irá se dispor a ajudá-los financeiramente ou de qualquer outra forma. Então, porque questionar a forma na qual administram seu patrimônio privado?

Se você não compactua com determinada marca ou produto, tenha uma atitude simples: não o adquira. Mas tentar atrapalhar dessa forma com que foi feito acho totalmente inválido, ainda mais no Brasil, onde administrar uma empresa e todos os desafios que ela demanda é uma verdadeira arte.