4 lições que os atletas paraolímpicos nos deixam

  1. A (dura) jornada dos campeões: ser o melhor é conseguido com tempo, esforço e aprendizado. Se nas Olimpíadas os chineses ficaram no top 3 do quadro de medalhas, na paralimpíada não deixaram por menos e lideraram os jogos (os créditos disso são principalmente dos mesatenistas). Os chineses não são um povo aparentemente mais forte fisicamente, então o que podemos aprender com eles? A resposta é o mesmo que fazem deles os maiores produtores de arroz do Mundo: paciência e disciplina. Essa ascensão dos mesatenistas paraolímpicos teve início em Sidney, quando não levaram mais de sete medalhas, e só aumentou desde então: 13 em Atenas (2004), 22 em Pequim (2008) saltando verticalmente para 95 em Londres (2012). Se pensarmos nessa trajetória, veremos que nascer chinês não é garantia de ser um campeão do tênis de mesa. Houve uma grande evolução que foi consequência do aprendizado de como ser melhor a cada ano. Os chineses são o tipo de povo que dedica muito tempo ao estudo e isso se reflete nos resultados do Pisa, nos esportes, e na sua crescente economia.

2. Adaptação: “Não espere que o mundo se adapte a você, é mais fácil você tentar se adaptar”, é esse o lema que levou o improvável batedor de recorde Matt Stutzman a comprar seu primeiro arco. Nascer sem braço nunca impediu Matt de fazer nada, “ainda que demore mais do que a maioria das pessoas”, muito menos de praticar um esporte que se pratica com as mãos. Desde criança seus pais se refreavam de oferecer ajuda e dava-lhe a chance de tentar fazer sozinho antes. Foi assim que ele se tornou um adulto independente que dirige (sim, ele dirige!), faz a própria comida e amarra os próprios cadarços. O arqueiro sem braço, como é conhecido, comprou seu primeiro arco sem pretensões olímpicas, quando se viu desempregado e lhe ocorreu que caçar poderia ajudar a colocar comida na mesa de seus filhos e esposa. Foi difícil para o vendedor entender que seria para ele mesmo. Na verdade seria difícil para a maioria de nós pensar em maneiras não convencionais de fazer as coisas quando quando se está privada dos meios convencionais. Matt não leva sua vida se lamentando por não ter braços (até porque ele não conheceu a experiência de tê-los), ele aprendeu a realizar suas atividades com o que ele tem. Ele treinou seus pés para serem também mãos e com a ajuda da boca consegue realizar movimentos precisos como dar flechadas certeiras no alvo. O Arqueiro sem braço é um grande exemplo de que “quem quer dá um jeito”. Temos muito a ganhar se adotarmos a mentalidade de realmente buscar — e até mesmo inventar — soluções possíveis para resolver problemas, e não perder tempo com as que não temos no momento. ADAPTABILIDADE: pode-se dizer que é a habilidade mais importante que se pode ter, pois foi ela que nos trouxe até aqui.

“Não espere que o mundo se adapte a você, é mais fácil você tentar se adaptar”

3. Fazer além. essa foi a paraolimpíada dos recordes, mas um em especial chamou atenção do mundo: os 3min48s29 de um atleta paraolímpico versus 3min50s de um atleta olímpico. O argelino Abdellatif Baka tem baixa visão e destacou que não foi fácil sua jornada de preparação nos dois últimos anos até conseguir sua medalha dourada no Rio. A comparação rendeu muita repercussão, por não ser o que se espera de alguém que teoricamente está em desvantagem, passar alguém se a mesma limitação. Por alguma razão o vencedor olímpico Matthew Centrowitz não conseguiu fazer na corrida o que vinha conseguindo nas eliminatórias quando chegou na marca dos 3min39s. Baka conseguiu fazer o seu melhor, e surpreendeu o mundo com o que paratletas são capazes.

4. Levante-se e continue: antes mesmo das competições começarem, Marcia Malsar fez a parte mais emocionante dos jogos paraolímpicos 2016. Mas não foi simplesmente por se desequilibrar e cair, foi pela coragem que ela mostrou ao aceitar o risco de sua vulnerabilidade para estar lá naquele momento histórico para o seu país. Foi com isso representar o espírito de um campeão paraolímpico: não deixar que o medo de cair sejam maior do que você ou do que seus sonhos. Imagino que deva ser mais cansativo para atletas paraolímpicos por forçarem mais umas partes do corpo quando faltam outras, por algumas partes do corpo que seriam mais eficientes no movimento não funcionarem ou por não terem muitas possibilidades de posição. Isso os torna ainda mais admiráveis, pois não parecem cansar — há neles uma vontade de vencer que passa por cima da vontade natural do corpo de parar e descansar. Cair faz parte da vida de atletas paraolímpicos mais do que dos outros, porém eles sabem que cair não é a pior coisa que pode acontecer. O quanto antes conseguirem levantar, mais rápido poderão continuar e cumprir seu propósito. 

Vimos aqui características de alguns paratletas que poderia muito bem ser de pais, professores, empreendedores etc. Nem todos saíram com medalha de ouro, mas o critério de escolha aqui foi baseado no que eles têm de extraordinário, ou seja, o quanto eles usam todas as capacidades que tem disponíveis para conquistar seus sonhos. Todos nós temos os nossos sonhos e também limitações. Como usamos nossas capacidades para superar as limitações e realizar sonhos é o que nos torna vencedores. Vencedores sobre nós mesmos!