Escolha seu lugar perfeito

CRÔNICA | Férias é sinônimo de viagens, conhecer lugares novos, ou talvez ficar no aconchego da sua própria casa. Pra mim seria o lugar que eu me sinta bem, leia-se minha cama, debaixo de coberta, ao som da chuva caindo no telhado, também de uma música lenta para combinar com o momento, e um celular ou notebook do lado. Até então, esse seria o lugar perfeito, porém, ao observar duas pessoas conversando a alguns dias, acredito que esse “melhor lugar”, descrito anteriormente, acabou por ser deposto.

Celular e fones de ouvidos são basicamente novas partes do meu corpo, daqueles inseparáveis, o primeiro fica na mão e o outro conectado a aquele, e encaixado no meu ouvido. Confesso ser uma pessoa bem avoada, a movimentação ao meu redor dificilmente me é notada, logo quase nunca tiro os fones de ouvido. Contudo, um dia desses olhei duas pessoas se abraçarem, depois voltei para assistir um vídeo, acredito que tinha por volta de três minutos. Olhei novamente aquelas pessoas e elas ainda estavam abraçadas, retirei os fones e fiquei observando. Não me lembro muito bem o que estavam falando, apenas me recordo que eles não se desgrudavam. Os braços dele por debaixo dos cabelos dela, ela com a cabeça no peito dele e os braços por envolta da cintura.

Ah, os olhos dele estavam brilhando, mas não um brilho “aquela pessoa aceitou meu pedido de namoro”, mas sim pro lado negativo “partiram meu coração”. Sendo assim, pensei “partir corações deveria ser crime”, mas logo repensei que temos tantos outras ações mais importantes para se nomear um crime. Mas pera, coração não é importante? Talvez sim, talvez não, tudo depende do ponto de vista. E entre esses meus pensamento, que não cheguei a cronometrar, mas acredito que levou algum tempo, os dois se soltaram, mas foi questão de segundos e voltaram a se entrelaçarem.

Saíram do lugar onde ficaram ali por um bom tempo, andaram um pouco e voltaram a se abraçar. Foi o ultimo abraço, que terminou com um beijo dele na testa dela. Se despediram e foram para lados distintos. Não sei se eram um casal de namorados, de ficantes, de “estamos nos conhecendo”, ou apenas amigos; na verdade isso não foi importante para mim naquele momento, mas sim, que cheguei a conclusão, que o melhor lugar não é naquela viagem dos seus sonhos, não é no aconchego da sua casa, e sim, dentro de um abraço.

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