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Aquisição de Talentos é sobre conectar pessoas

Assim como pessoas entram e saem desses grupos sociais que são as pessoas colegas de futebol, da corrida ou uma família, pessoas entram e saem de equipes, de empresas, desses grupos sociais corporativos.

Agora imagine um grupo de pessoas amigas que praticam um esporte — futebol, vôlei ou corrida por exemplo - e então um pessoa amiga deixa o grupo porque entrou em um relacionamento afetivo novo e mudou de país. Esse grupo de pessoas amigas decide então que precisa de mais uma pessoa no grupo para continuar a praticar o esporte. O que então o grupo faz? Cada pessoa do grupo procura por uma pessoa da sua rede de relacionamentos que se mostre alinhada com os valores e comportamentos do grupo; uma pessoa com a qual uma ou mais pessoas do grupo já tenham se relacionado ou se relacionam; uma pessoa que irá agregar algo ou manter o grupo estável. Algumas pessoas são convidadas, em momentos diferentes, a passar um tempo com o grupo, conversando, realizando atividades esportivas juntas. E então o grupo conversa informalmente entre eles e decide qual pessoa será então parte do grupo. Nada mais natural.

E como é (em linhas gerais) o processo de aquisição de talentos — e as atividades de recrutamento e seleção — nas empresas? Quando uma gerente tem uma necessidade de agregar uma nova pessoa na equipe, ela gera uma demanda de contratação para a equipe do RH. A equipe do RH verifica se há pessoas no mercado que já foram atraídas pelo o que a empresa representa ou procura atrair novas pessoas no mercado, recruta e seleciona algumas dessas pessoas procurando preencher a vaga com a pessoa que melhor atenda os conhecimentos, habilidades e atitudes requisitadas pela gerente. Mas há um detalhe nesse processo que faz toda a diferença: a pessoa candidata não tem qualquer conexão ou relacionamento real prévio com as pessoas que serão suas colegas de trabalho. Durante o processo de aquisição de talentos a pessoa da empresa com a qual ela mais se relacionará, além da pessoa do RH, é a gerente que demandou a vaga (ou uma representante dela). Mesmo que seja uma pessoa candidata indicada e do relacionamento de uma pessoa da empresa, a pessoa candidata e as pessoas que trabalham na empresa nunca colaboraram para alcançar algo, nunca compartilharam experiências, problemas e soluções, nunca experimentaram juntas os sentimentos advindos do sucesso ou fracasso, nunca almoçaram juntas. Elas não formaram um grupo social. Nada mais antinatural.

Nesse sentido a questão que deveria nortear o processo de aquisição de talentos é: como conseguimos chegar o mais próximo possível de um cenário em que a pessoa candidata se relaciona e cria conexões com as pessoas que serão suas futuras colegas, colaborando, compartilhando problemas e experiências e entregando resultados antes mesmo de ser contratada?

Algumas empresas usam um estilo de aquisição de talentos visando esse cenário.

Na empresa Ateliê de Software(50 pessoas / Brasil) — desenvolvimento de software — as pessoas da empresas oferecem regularmente um treinamento aberto ao público de interessados em desenvolvimento de software. Durante o treinamento as pessoas além de aprenderem tecnologias, métodos e plataformas de desenvolvimento de software, aprendem como funciona a empresa, seu estilo de gestão, exercitam o que aprendem lado a lado com pessoas da empresa, confraternizam. Quando a empresa necessita contratar algum desenvolvedor de software, é principalmente dentre essas pessoas que alguém é selecionado.

Na Zappos (1.500 pessoas / EUA) — vendas online, antes de uma pessoa ser contratada, ela se encontrará com vários funcionários para entrevistas e comparecerá a algum tipo de evento de departamento ou da empresa. Isso permite que os funcionários que também não participaram das entrevistas encontrem a pessoa candidata informalmente. E ainda, a empresa oferece $3.000,00 dólares para o candidato caso tenha dúvidas e escolha desistir durante as 4 primeiras semanas de orientação, dessa forma visa ficar com as pessoas candidatas que estão alinhadas com a cultura da empresa mais que o dinheiro que receberão.

Essas e outras empresas, assim como o grupo de pessoas amigas, procuram por duas coisas em seus processos de aquisição de talentos:

  • Encaixe cultural: pessoas candidatas que compartilham dos valores e comportamentos das pessoas que trabalham na empresa.
  • Criar ou reforçar conexões reais: pessoas candidatas que estabeleçam relacionamentos reais, saudáveis e produtivos com as pessoas com as quais trabalharão na empresa.

Ainda como destaque desse estilo de aquisição de talentos é a execução recorrente da atividade de atração dessas pessoas candidatas para próximo das pessoas da empresa, visando criar conexões prévias e que serão importantes quando ocorrer a seleção. Dessa forma, não se espera que exista uma demanda para preencher uma vaga para então iniciar o processo de conexão mas sim é um processo constante.

Assim, mais que o encontrar uma pessoa que se enquadre nos requisitos da vaga — desempenho passado, experiência e conhecimento, por exemplo — são seus valores, comportamentos atuais, sua capacidade de aprender e o quão fortes são os relacionamentos que se formam com os futuros colegas de trabalho que determinarão a capacidade dessa pessoa em ser confiável, compartilhar o que sabe e colaborar com seus colegas para entregar o que de valor o cliente necessita.

As empresas que adotam esse estilo de aquisição de talentos aumentam a satisfação das pessoas ao mudarem de uma visão de um recurso que será adquirido pela empresa, para uma visão de um pessoa que passará a se conectar com outras pessoas desse grupo social corporativo. Essa visão é orgânica, alinhada com o comportamento natural do ser humano de viver em grupos sociais e que considera as conexões como primordiais para o sucesso do trabalho individual e do grupo.

Este não é somente outro estilo de aquisição de talentos, é a base para criar e suportar relacionamentos entre as pessoas que geram a capacidade e a agilidade necessárias para que a empresa lide com problemas cada vez mais complexos e com a mudança constante nos negócios.

*será que o nome “Aquisição de Talentos” deveria ser mudado para algo como “Conexão de Pessoas”?

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Learning and Organizational Agility Facilitator

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Yoris Linhares

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