Resumo, processo de formação de Identidade Nacional.

A super posição de saberes e valores paralelos (pobre x rico, campo x cidade etc) ,marginalização de estratos e identidades sociais dentro e após seu processo de formação. A identidade Nacional-Histórica; quem é eleito cidadão e quem é resignado ás frisas ou ao esquecimento; o processo de formação dessas identidades é dependente e intimo de ideologia e mentalidade do interlocutor. Por exemplo os Portugueses, para uns serão apontados como fonte de ridículo e excentricidade ,responsáveis pelo fatal e concreto fracasso do Brasil e outras colonias, tratados meramente como fonte de acasos e anedotas fantásticos, riso fofoca e polemica para entretenimento (Eduardo Bueno) . Já outros diriam-nos sérios ,valentes e honrados exploradores, pioneiros do positivismo civilizatório ocidental e assim por diante. Meu ponto é ressaltar que a identidade histórica e valores atrelados são completa e estritamente relativos, e quando fora de seu relato é permanentemente incompletos e sujeito as referencias e referencias do narrador. A formação de uma identidade nacional e a consciência da população de seu papel nessa identidade serve a quem? A que proposito? Qual a necessidade de se padronizar um Ethos de estética sócio-comportamental coletiva? Talvez o Nacionalismo ,como conceito abstrato e inconsciente, seja a resposta quase primitiva e pouco saudável da sociedade e ou civilização para quando o civismo e a consciência social da população falham.

A crença do Nacionalismo identitário é basicamente um acontecimento sentimental, as pessoas vão literalmente acreditar no que querem. Formar uma identidade e ethos com lastro no argumento racial e nacional é completamente ineficiente uma vez que populações, em grupos ou indivíduos, tendem a a se movimentarem geograficamente com grande constância ignorando fronteiras tanto físicas quanto subjetivas e se mesclarem com outros grupos; apenas uma pequena parcela acaba se “sedimentando” no local e ainda sim é sujeita a interação com transeuntes e recém chegados. Ha também grupos ,chamados autóctones, de permanência muito maiores e mais estáveis numa região mas que não mantem soberania ou hegemônicos dentro de uma região, como os Bascos por exemplo.

Dentro do livro “ o Queijo e os Vermes” de Carlo Ginzburg, vemos o relato dos processos inquisitórios de um trabalhador de moinho no norte da Itália rural. Dentro de numerosos acontecimentos, o moleiro se encaixa dentro de acontecimentos históricos e do processo de desencadeamento civilizatório. Na temporalidade dos documentos do relato ,a Idade Media européia, as nações possuíam uma relativa fragilidade de sua coesão interna, por tanto, o controle ideológico e até mesmo do imaginário psicológico da população era bastante incisivo. A centralização e manutenção da autoridade social das Nações ainda era frágil, e se criou mecanismos de supressão a cultura popular e mecanismos de validação da cultura das classes dominantes para que se mantivesse a coesão e identidade interna dos Estados. Isso acarretou na marginalização de saberes e valores ,e a criação de esteriótipos estigmatizados (rural, camponês, herético, pagão, não-cristandade,boêmio etc) para se sublinhar o ethos e autoridade ligados as camadas sociais dominantes, se decide quem é modelo pra Cidadão e quem é esquecido ou marginal. O moleiro como individuo e sujeito histórico, se encontrou no choque entre duas culturas (uma dominante e formal, a outra popular e informal) e a formação de identidades e esteriótipos sócio-culturais.

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