3 lições que aprendi com a morte de alguém querido

Todo mundo vai passar por uma perda. Seja a morte do seu bichinho de estimação ou de alguém querido, dizer adeus é doloroso, porém, inevitável. Para mim, esse dia chegou de surpresa.

Novembro de 2015, meu avô encontrou a batian (significa avó em japonês) desacordada no quarto. Os socorristas do Samu não conseguiram reanimá-la.

Ela sofreu um infarto fulminante.

Provavelmente, estava dormindo quando ocorreu o ataque cardíaco. Mas o que de fato aconteceu entre 10:00 e 11:00 daquela manhã permanecerá um mistério para nós.

Quando uma pessoa se vai, parece que um pedaço do nosso coração vai junto.

Choramos, questionamos, seguimos em frente mesmo com aquele vazio.

Será que algum dia ele será preenchido?

A morte tem tanto poder de nos deixar deprimidos? Haverá novas razões ou motivos para continuarmos vivos?

Meu objetivo é compartilhar as lições de vida que aprendi com a perda da minha avó. Depois de dois anos, sinto-me confortável para falar sobre o assunto.

Lição #1 — Chore

Segurei o choro ao ver minha avó deitada na cama, sem vida. Saí o mais rápido possível do quarto para não expressar minhas emoções.

Sim, eu queria me mostrar forte, mas o momento era de chorar, de expressar tristeza, de permitir a alma secar.

Descobri que é necessário deixar as emoções fluírem. Postergar o choro não é sinônimo de força, e sim, de imaturidade.

Homens choram. Jesus chorou. O choro dele foi porque Lázaro morreu. Como se estivesse nos avalizando a demonstrar as mais sinceras emoções em meio à dor.

No velório da minha batian, eu chorei. Aquele de lavar a alma, pois estava retido.

Não importava mais o que pensariam de mim, não pude controlar, somos humanos, somos emoções e sentimentos, as lágrimas me mostraram: chorar é tão importante quanto sorrir; cada ação tem seu tempo.

Sorria no tempo de sorrir.

Chore no tempo de chorar.

Não seja hipócrita. Não seja orgulhoso.

Lição #2 — Nunca será como antes

Parece uma declaração negativa, mas é apenas a realidade de perder alguém amado. A rotina muda. O assento vago à mesa, a voz que não ecoa, histórias não serão mais contadas nem ouvidas.

Isso leva tempo para assimilar. O vazio no coração incomoda, porquanto nunca será como antes.

Essa lição foi a mais dolorosa, pois balançou meus alicerces. A morte da batian trouxe à consciência um fato do qual nunca vivera: dizer adeus para sempre.

Sim, as pessoas se vão, nunca mais as veremos e é mais difícil para nós que ficamos, pois lidamos com as lembranças e, consequentemente, a dor da saudade.

Acabei tendo ataques de ansiedade toda noite durante alguns meses. A principal causa foi o trauma emocional e a compreensão sobre a fragilidade e brevidade da vida.

De repente eu estava antecipando a morte de meus outros avós, pais, familiares, amigos, e isso me deixava sem chão.

Clamava a Deus por socorro, tudo o que ouvia era meu coração disparado em meio à madrugada silenciosa.

Infelizmente, a cultura evangélica ensinou que sempre vamos vencer e nunca passaremos por dificuldades ou perdas. Mas a verdade é que enfrentaremos esse tipo de situação.

Precisamos viver o luto. Contudo não devemos ficar presos ao passado.

Lição #3 — Prossiga para o alvo

Entender os planos de Deus é um processo gradual — semelhante a montar um quebra-cabeça.

Ele carrega a caixa com as peças e o modelo. Nós apenas recebemos aleatoriamente os pedaços e procuramos encaixá-los à medida do possível.

Existem porquês sem respostas.

Remoer o passado é ficar preso a ele; é andar de carro com freio-de-mão engatado.

Siga em frente assim mesmo. As misericórdias do Senhor se renovam a cada manhã trazendo alento ao coração ferido.

Deixe cicatrizar. Cicatrizes são indolores e trazem a lembrança das batalhas vencidas.

Há novos destinos, novos rumos, novos sonhos a serem alcançados.

O tempo de chorar passou. Acima das nuvens o sol continua brilhando.

Prossiga para o alvo. A vida é para frente.