Porque é tão caro investir em fotografia no Brasil

Investir em equipamento no Brasil é mais caro que nos outros países. Quer um exemplo:

Olhando na BH Photo&Video, talvez a maior loja de artigos fotográficos DO MUNDO (o troço é animal, tem acho que uns 3 andares de câmeras, lentes, drones, acessórios e também inutilidades, em pilhas e pilhas. Só vejo fotos, nunca tive cacife pra ir lá), vou pegar uma câmera para comparativo: 6D (que é o meu modelo de trabalho, hoje). US$ 1,400.00 só o corpo (ou seja, preciso comprar lentes também.

Estes dias vi alguém anunciando o mesmo modelo por R$ 4.800,00 na minha timeline do Facebook. “Ah, mas fazendo uma conversão direta, dá mais ou menos isso”. Dá, mas agora vem a questão de porque é tão mais caro investir em equipamentos no Brasil.

Em 2015 (dados oficiais diretamente retirados do Google), a renda per capita dos EUA foi de US$ 55.836,79. Já no Brasil, US$ 8.538,59. Média de US$ 4,655.00 mensais, contra US$ 712.00 aqui no Brasil.

Convertendo diretamente (e esse é o erro que a maioria comete), dá R$ 2.353,41 no Brasil, contra R$ 15.408,05 lá nos EUA.

Isso quer dizer que ganhamos QUINZE PORCENTO em média do que os americanos ganham.

E mais, isso quer dizer que se um americano for comprar uma 6D, ele comprometerá apenas 30% do rendimento mensal dele, contra 203% de um brasileiro. Ou seja, um brasileiro precisa juntar DOIS MESES para conseguir comprar uma câmera, sem gastar em mais nada (nem comer, nem pagar as contas, nem se divertir, nem ir trabalhar pra não gastar gasolina) pra conseguir comprar algo que um americano consegue comprar 5x nas mesmas condições (sem gastar em nada).

Dentro dessas proporções, uma 6D lá fora deveria custar US$ 9,310.00, ou quase R$ 31.000,00 (sim, tem câmeras que custam isso, mas com bem mais recursos que uma 6D). Em contrapartida, se fossem as mesmas condições aqui no Brasil, o preço “justo” pela mesma 6D seria de R$ 706,00, o que hoje só compra uma câmera que tenha saído de linha há pelo menos 10 anos.

Investir em fotografia, tanto para quem vende o serviço de fotografar, quanto para quem compra, é algo caro. Acredito que pelo menos 50% do orçamento mensal de um fotógrafo é para bancar depreciação, manutenção e investimento em equipamentos, e apenas uns 15% é para pro-labore (o que o fotógrafo usa para pagar as contas de casa).

Like what you read? Give Yul Barbosa a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.