Eu cansei. E imagino que você também.

Eu cansei. Cansei de pessoas que falam do que não sabem, de pessoas carentes que se julgam esclarecidas e buscam por atenção. De pessoas que acham que ver televisão basta. Ou que qualquer pesquisa rápida na internet pode suprir anos de estudo.

Na verdade, eu cansei de pessoas que acham que sua opinião é importante pra tudo. É como se não pudessem viver, caso não falassem. Elas não conseguem se conter, não conseguem fazer cessar esse monólogo interno. As opinões continuam ecoando em suas cabeças. Deve ser um inferno ser uma pessoa assim. A qualquer tentativa que façam de ficar sozinhas, são tomadas por todas essas opinões e recuam.

Por isso, elas acham que não devem ficar sozinhas: sabem que não suportariam a si mesmas. A dor de quem não se sente à vontade consigo mesmo deve ser algo terrível. É a vontade de ser e a negação da vontade de se permitir ser, as duas ocupando o mesmo espaço: é um suicídio psíquico.

Assim, precisam persuadir outras pessoas de suas próprias opiniões e crenças, precisam convencer outras pessoas, para que só então possam acreditar no que elas mesmo dizem. É a única maneira que encontram para que seu sofrimento seja aliviado e possam levar suas vidas com mais leveza. Porque claro, o que é pesado, não vale a pena carregar. Vale a pena o que é rápido, instantâneo, fácil.

Por não ficarem sozinhas, supõem que não há contentamento em apenas “ser”. Não conhecem a dádiva da solidão. Suas opiniões parciais, fracas e inseguras, não podem fortalecer seu coração o suficiente para enfrentarem a si mesmas e seguirem em frente. São um bolo de confusão e distúrbio ambulantes.

Você irá reconhecê-las durante sua vida: as mais passivas, arrastam-se furtivamente, sempre buscando um apoio para o que querem acreditar, não sabem andar com as próprias pernas. As mais agressivas, não conseguem suportar uma ofensa sem revidar, não sabem ouvir de boca fechada. Mas não se engane, agressivas ou não, todas elas vivem interna e constantemente em uma guerra autodeclarada e autoimposta: um inferno personalizado. Qualquer mão que se estende em ajuda, pode ser tomada por um dedo em riste.


Desconfie dessas pessoas, de todas elas, sem exceção. Não as escute. Não deixe que elas influenciem você. Caso elas se mostrem colaborativas, não é necessário ser rude, o tempo se encarregará do resultado, apenas tenha compaixão e empatia.

Se elas forem difíceis, sorria quieto e calmamente, esperando que a torrente de pensamentos que jorra dessa pessoa se acabe.

Quando ela tiver se esgotado, já tendo elucidado seus motivos, razões e opiniões, provavelmente a pergunta final será essa:

“Mas… Sobre a opinião… Em nosso mundo atual, globalizado e interconectado, você não acha que é importante expor sua opinião? Você não acha que ela favorece a diversidade da cultura na medida que evita preconceitos, e, indiretamente, fortalece a democracia? Não seria praticamente uma afronta aos direitos constitucionais de livre-expressão? Então você é a favor da censura e da volta da ditadura?”

Responda-a:

“Opinões não são importantes. O que é importante é a sua voz. E a sua voz, meu amigo, você não vai encontrar em redes sociais, em livros, nem naquilo que você ouviu por alto.

Voz você cultiva, alimenta, deixa de lado por um tempo, retorna a ela outro tempo depois. Você trabalha com ela, caminha lado a lado de mãos dadas e cresce junto.

Você tem alguma coisa a dizer, e todos nós, como humanidade, precisamos, desesperadamente, que você diga. Mas enquanto for confusão e merda, poupe-nos. Se não for suficiente, cale a boca.”

Eu disse que eu tinha cansado.

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