Alguns pontos sobre a chocante aposentadoria de Rosberg da F1

Campeão mundial de 2016 não defenderá seu título: o piloto alemão anunciou sua aposentadoria da F1 no dia em que recebeu o trófeu do mundial que sonhou desde criança

Completamente inesperado

Um choque em todo o mundo do automobilismo. Por essa, sem dúvida nenhuma, ninguém esperava. Antes dele, somente três pilotos encerraram suas carreiras na Fórmula 1 após conquistarem o título. Alan Prost, tetracampeão em 1993, Jack Stewart, tricampeão em 1973 e Mike Hawthorn, campeão em 1958. Jochen Rindt, o único campeão póstumo da categoria, obviamente não competiu em 1971, na temporada seguinte ao seu título.

Não é, nunca foi e nunca será fácil competir em alto nível na Fórmula 1

Nos faz perceber a tamanha pressão que ele esteve nos últimos três anos

Claro, isso não é “privilegio” dele, e sim de qualquer piloto que atinge o topo da F1, mas quando se coloca os fatores rivalidade com Hamilton, duas chances de título perdidas, 11 temporadas na conta, ser filho de campeão e dono do título de 2005 da GP2 na conta, entende-se que, realmente, o alemão está exaurido após tanto estresse.

Correndo juntos desde pequenos, o alemão e o inglês protagonizaram anos quentes na F1

Eleva a rivalidade com Hamilton a outro patamar

Três temporadas. Amigos de infância, que sempre correram juntos — e sempre com vantagem do inglês -, lado a lado na garagem da equipe soberana na categoria. Lewis, um dos maiores de todos os tempos, levou os dois primeiros sem sustos, mas Nico, competente, dedicado e científico, reconheceu suas limitações e se tornou mais forte do que nunca em 2016. Focou no seu sonho de menino e conseguiu. E não foi fácil.

Mesmo com a temporada perfeita tecnicamente e contando com falhas no equipamento do rival, tudo poderia ter ido por água abaixo na forte chuva de Interlagos ou nas “aterrorizantes”, segundo Rosberg, últimas voltas de Abu Dhabi. O título, merecido, veio, e isso bastou para vir o desejo de parar. Vencer era tudo o que importava. Isso conquistado, não sobrou mais nada na F1. Aguardo desde já o filme sobre a rivalidade.

Domínio das flechas de prata na categoria máxima do automobilismo rendeu boas histórias

2014–2016 foram históricos

Os três anos de domínio completo das flechas de prata podem ter sido chatos em alguns momentos. Afinal, das últimas 58 corridas, 50 acabaram em previsíveis triunfos da Mercedes. No entanto, esse capítulo da F1 se torna ainda mais fascinante com este anúncio, devido a rivalidade explicada no tópico acima.

Com o sonho realizado, por que não trocar a alta velocidade pelo tempo com a família?

É uma lição

Dizemos que somos movidos pelos sonhos, mas muitos colocam essas metas de lado por vários fatores. Rosberg poderia continuar a correr, mas já atingiu o que queria. O alemão não deixou que dinheiro, orgulho, ambição ou “ter de cuidar da reputação” o deixassem seguir em frente apenas por seguir em frente. Aproveite, agora, a vida com a família, campeão mundial.

Abrir mão da chance de continuar vencendo é extremamente difícil e merece aplausos

Foi necessário muita coragem

Ainda na linha do tópico anterior, abrir mão de muita grana e da chance de vencer mais corridas e lutar pelo bicampeonato exige força de espírito e caráter. Rosberg não está sendo covarde e fugindo, e sim sendo corajoso para seguir o que deseja sem se importar com o resto.

Quem assume o cockpit deixado pelo campeão do mundo Nico Rosberg na Mercedes?

Abre-se uma vaga na equipe tricampeã do mundo

Quando a troca de cockpits parecia finalizada, sobrando apenas vagas na Manor e na Sauber, simplesmente fica vago um lugar na Mercedes. E se Esteban Ocon, protegido pela montadora, ainda não tivesse sido anunciado pela Force India? A vaga nas flechas de prata seria dele? O emprego agora fica com o preterido Wehrlein? Ou muda tudo e Ocon segue para a Mercedes e Wehrlein herda o carro indiano? A Mercedes se lança no mercado em busca de um piloto experiente? Teria Alonso, afundado numa McLaren não competitiva, chances? Se ele for o companheiro de Hamilton novamente, o aposentado Button volta para ocupar a vaga deixada pelo espanhol na equipe inglesa?

Teremos a Mercedes “roubando” pilotos da Red Bull e da Ferrari? Se Verstappen substituir Rosberg, por exemplo, Carlos Sainz sobe da Toro Rosso para a equipe principal da marca? Pode sobrar finalmente para Pierre Gasly, campeão da GP2, um assento na equipe satélite da marca dos energéticos? E a ida de Hulkenberg para a Renault? Será que se tivesse ficado na Force India, ele agora seria um forte postulante à vaga deixada pelo seu xará Rosberg? Enfim, muitas questões que animam a pré temporada de 2017 da Fórmula 1.