Deixá-lo ir não me é opção, mas não quero oferecer-te esse meu eu disperso, fragmentado, decadente. Não quero oferecer meus monstros, mas não encontro nada além desse terror gélido aqui dentro.
Dói pensar-te distante, sorrindo em abraços que não me incluem, imagens que minha insegurança projeta e pioram meu estado caótico; mas não quero prendê-lo em meus braços, outrora fortes, mas que atualmente mal conseguem me segurar.
Não quero dizer adeus, mas não consigo deixar de pensar que não quero mais existir, embora isso inclua você e todas as coisas boas que tentam em vão se sobrepor ao mar de apatia onde me encontro afogado, um mar — não o português — salgado com as lágrimas que derramo das formas destrutivas que me envergonham e te preocupam.
Não quero mandar-te embora, mas por que esperar que fique e decepcione-se com o desfecho quase certo da minha história? Como calar a voz que brada para que eu me livre de tudo e todos que me prendem à minha existência desnecessária?
Não quero que se vá, meu bem, mas eu preciso ir. Preciso chegar ao lugar vazio destinado aos que como eu, precisam livrar o mundo — e a si mesmos — do sofrimento inevitável.
Não te esqueças da música que apresentei:Guarde as tardes de sol. Talvez isso chegue ao meu inferno de Dante, ou talvez eu me torne apenas carbonos num negrume sem sol (sem você).
