Como o filme ‘Ex Machina’ me assombrou ao mostrar a realidade futurística da tecnologia.

Em um futuro assustadoramente próximo.


A temporada de premiações cinematográficas chegou, e com ela grandes filmes que não estavam recebendo a merecida atenção da massa passam a ter, devido as suas indicações. É o caso de “Ex Machina”, filme carregado de paralelos e metáforas sobre os perigos do avanço tecnológico atual e que o explora, de forma suficientemente medonha para fazer-lhe pensar sobre um futuro que talvez esteja armado para se virar contra nós, homo sapiens, e quais os caminhos ardilosos que a humanidade está trilhando.

No filme, uma poderosa robô com Inteligência Artificial avançada chamada Ava é criada por Nathan Bateman, presidente de uma empresa de programação de computadores, cujo um dos empregados, Caleb, ganha um concurso para passar uma semana na casa do empresário. Chegando lá, Nathan revela a Caleb que sua tarefa é mediar o Teste de Turing, que consiste em, simplesmente, conversar com a máquina até chegar num estágio em que não se percebe que se está conversando com um computador.

Os diálogos do filme são intensos e o ritmo muito bem estruturado. No geral, é um ótimo filme. Mas o ponto mais forte da obra não está nesses itens, nem em seus aspectos técnicos quase irretocáveis ou suas atuações e direção, e sim na mensagem magistralmente lançada para atingir e impactar o público. E atinge. Atinge de forma estridente e barulhenta, capaz de fazer alguns (como eu) perderem o sono pensando nas seguintes questões:

O que estamos fazendo? 
O que estamos criando? 
O que está sendo feito dentro de empresas e escritórios tecnológicos? 
Até que ponto a tecnologia deixará de ser um pró?
Até que ponto passa a ser uma arma apontada diretamente para nós? 
Até que ponto seremos, ainda, feitos de carne e osso e não de metais e fios?

Estamos muito perto de criarmos um monstro chamado Inteligência Artificial. Parece lenda, mas até pisar na lua também era utopia. Hoje temos robôs criados na Terra enterrados nos arenosos e vermelhos solos de Marte.

Há seis anos atrás, eu consideraria esse filme uma obra grandissimamente utópica. Há 20 anos, meus pais não conseguiam imaginar mensagens de textos sendo enviadas de um dispositivo para outro. Hoje, talvez achemos que Inteligência Artificial é lenda. Que “Ex Machina” é só mais um dos muitos filmes com grande carga imaginativa e criativa que lançam de ano em ano. Ou, daqui dois anos, podemos estar lidando com Inteligências Artificiais andando na mesma calçada que nós. Na nossa frente na fila do banco, mudando-se para a casa ao lado da nossa, tornando-se nossos amigos. E “Ex Machina” não me chocará em nada.

A importante e irrefutável interrogação é: realmente queremos pagar para ver o que nosso cérebro humano, que nem atingiu cem porcento da sua capacidade de funcionamento é capaz de fazer?
Esse cérebro que não consegue pensar na solução para a fome? 
Esse cérebro que não consegue assimilar a união de dois indivíduos de mesmo sexo?
Esse mesmo cérebro que não consegue solucionar o problema da desigualdade? 
Que não consegue descobrir curas para doenças fatais? 
Que não consegue resolver os problemas hídricos?
Nós queremos mesmo ver o que uma inteligência artificial criada por uma inteligência parcial é capaz de fazer?

Estamos fazendo com que a tecnologia melhore nossa vida ou estamos, silenciosa e inconscientemente, como energia passando por cabos de aço, criando uma arma para nos suicidar?
Nós temos tanto o que avançar e o que buscamos é criar um ser superior a nós mesmos, sendo que no nosso imaginativo, ainda não temos ideia nem do que somos, nem do que é um ser superior a nós.

Estamos passando com o carro na frente dos bois. 
Com o pensamento na frente da resolução. 
Com a emoção na frente da razão.
Com o artificial na frente do real.