Fechada

A mulher dos meus textos não é alta,
 não anda balançando nem arranca suspiros por onde passa. 
 A mulher dos meus textos tem fracas fontes e medos fortes
 não derrete na dança e não ri à toa, quando não existe graça. 
 A mulher dos meus textos não é durona, 
 não é photoshopada e nunca fala do que guarda.

Mas ela desliza graciosa na minha fala 
 Chorando ao som das minhas engrenagens enferrujadas
 Dói-se toda quando toca numa farpa
 E se ressente toda de ficar na minha alma.
 Me olha sempre com uma ternura genuína
 Enfarpada também nas suas engrenagens
 As quais nunca consegui limar
 Por ter sempre que adivinhá-las.


Escrito 30/12/15

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