Cinco e meia da manhã, estação Brás do metropolitano, segundo vagão para quem segue rumo Barra Funda; é aqui que se define a batida do ponto: atraso regulamentar significa pontualidade, mais de três minutos na estação significa atraso. Isto para quem não saiu com uma margem confortável – confortável para a margem, não para quem renuncia à meia hora de sono. É dia de mais de três minutos na estação. Uma voz enfadonha e enfadada, gravação ou gravada, grave, solene, despessoalizada, soa nos alto-falantes do trem, após a terceira tentativa de fechamento das portas, Atenção aos seus objetos para que não obstruam as portas, sua desatenção causa atraso a todas essas pessoas que têm compromissos e horários a cumprir. Inicia-se uma tensão entre um que entra e outro que lá já estava e, aos sons de Não tá ouvindo o aviso e Tô tão afim de trabalhar quanto você, alguns muxoxam, outros tomam partido na discussão, outros, ainda, despertam do cochilo roubado às horas de não ser ou interrompem a leitura, impossibilitada pelo barulhar. Um segurança acode uma senhora cuja bolsa ficou para fora da porta quase fechada, enquanto ela, a senhora, entulhada entre a multidão e o frio metal do carro, puxava ferozmente sua bolsa que estava presa entre o trem e a plataforma, onde não devem estar pessoas, para cá da linha amarela. Em meio ao caos, lá fora deve estar uns dezesseis graus, aqui dentro uns quase vinte e cinco. Alguém passa mal no corredor e abre-se um clarão, alguém diz que Se ela vomitar em mim, vai apanhar acordada ou desmaiada, mas aparentemente não houve necessidade de. Um rapaz empaletozado diz que O povo é muito mal-educado.

Em Berlim, Joe Kaeser, CEO da Siemens, veste um sorriso nos lábios enquanto olha o retrato do funcionário do mês, G. Alckmin.

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