Fases

Yuri Pimentel Nunes Pinto, nascido numa segunda-feira, em um hospital qualquer, na cidade alcunhada de Coração da Amazônia, Belém-PA. Filho caçula de uma mãe solteira, que faria de tudo pela felicidade de sua prole, e com um irmão mais velho meio controverso.

Vindo de uma família de classe média baixa, que morava num bairro periférico da capital, fui fortemente influenciado pela cultura pop em geral, MTV, desenhos animados e os comerciais legais dos bebês J&J, e claro, sem deixar de mencionar, das famosas brincadeiras de rua de criança, pira -pega, esconder e etc. Resumindo, eu era uma criança normal, mas quando eu tinha 10 anos, em uma tarde, a congregação da igreja do bairro decidiu que deveria queimar em uma espécie de fogueira santa qualquer coisa que eles considerassem diabólico ou profano. E foi naquele amontoado de coisas a serem incineradas que eu encontrei o livro que mudou minha vida. Que para alguns, poderia ter sido um livro religioso ou algum livro de auto ajuda, mas para mim, foi o livro de monstros do Dungeons & Dragons.

Dungeons & Dragons é um jogo storyteller, onde um narrador cria desafios e aventuras para outras pessoas, onde tudo que se precisa é só de papel, livros do jogo, dados e muita imaginação. Foi um jogo que mudou minha vida, pois me ajudou a desenvolver certas habilidades, sociais, logica matemática, criatividade, trabalho de equipe, locução, resolução rápida de problemas e técnicas de desenho, pode-se dizer que esse foi meu primeiro grande interesse.

Meu desenho de D&D

Passado algum tempo, já com 15 anos, através de amigos, eu descobri as artes marciais, e foi também o primeiro esporte que eu descobri que tinha aptidão, sentindo-me o próprio Bruce Lee ou Rocky Balboa. E de uma forma natural, as artes marciais, junto com D&D, se tornaram um dos meus Hobbies, fazendo até eu entrar na competição nacional de boxe. E nesse dia da competição, para surpresa de todos que estavam me assistindo, eu consegui perder…. Mas eu não só perdi, eu levei a maior surra da minha vida, e não é exagero em dizer que se existisse um prêmio de surra mais bem recebida, certamente, naquele dia eu levaria o prêmio. E pode parecer estranho para você, meu caro leitor, mas foi voltando para casa, colocando band-aid nos ferimentos, estando cansado, suado, sangrando e fedendo, que eu tive uma epifania que certamente foi um dos meus maiores aprendizados, onde, mesmo que eu me esforce e tente ao máximo para consegui algo, as vezes eu vou perder, e que eu posso tirar um bom proveito disso, aprendendo, e naquele dia, eu aprendi uma das coisas mais importantes para mim, eu aprendi a perder.

Já com a derrota superada, estava no último ano do ensino médio, me preparando para o vestibular. Foi nessa época que eu comecei mais uma das minhas paixões, as ciências humanas. Eu adorava literatura, filosofia e história, que rapidamente já foram fazendo parte das minhas diversões. Mas, nessa mesma época, eu conheci mais um dos meus algozes, o famigerado, “amor não correspondido”, e meu leitor amigo, essa é uma dor, que fez eu ter saudade da surra que levei aos 15. Nós aproximamos justamente por causa das ciências humanas, eu me arrumava todo dia, me encharcava de perfume e usava quase um litro de listerine, só para encontrar com ela. E quando eu descobri que ela tinha namorado, fez com que eu fosse chorando para casa, e me afastar de tudo que lembrava ela, inclusive das ciências humanas. E nesse ato de desilusão e tristeza, que eu encontrei o meu verdadeiro amor, a engenharia.

Caro correspondente, não é exagero em dizer que eu me encontrei na vida, pela engenharia. Ela reunia tudo o que eu mais gostava: criatividade, trabalho em equipe e inovação e sensibilidade. No ano seguinte, escolhi engenharia elétrica como meu futuro, e passei no vestibular no mesmo ano, indo morar em uma republica em outra cidade, na melhor faculdade do norte do Brasil, a UFPA, e cursando o conteúdo que eu gostava. E pela primeira vez eu não estava mais reagindo as imposições da vida, eu estava tomando a iniciativa e indo em busca de objetivos, metas e conhecimento. Os anos da faculdade foram os melhores anos da minha vida, aprendi a fazer comidas exóticas como o estrogonofe de pipoca ou o macarrão com leite condensado, aprendi a me virar em morar sozinho, e tudo que eu tinha, cabia em uma mochila, me sentia a pessoa mais livre do mundo.

Meus livros amados

E com a ajuda da UFPA, eu conheci mais sobre tecnologia, programação. Ganhando no primeiro ano de faculdade uma bolsa de iniciação cientifica do laboratório de automação. Aprendi também, sobre empreendedorismo, onde na faculdade criei três pequenas empresas. Empresas de investimento pessoal, uma impressora 3D que construímos para vender suas fabricações e por fim, uma empresa de data mining comportamental das pessoas da cidade, e até hoje, essas pequenas empresas foram o meu maior orgulho. Mas a minha maior conquista, foi ter conseguido um estágio para Europa, trabalhando em uma fábrica metalúrgica, com estágio em manutenção. Essa certamente foi a maior experiencia da minha vida, conheci novas línguas e tive contato com varias culturas, chegando até a participar de um projeto da união europeia, chamado “z-factor”, onde consiste em ajudar empresas emergentes a darem o salto para a indústria 4.0.

Meu projeto do Z-factor

E com tudo isso, ainda ser reconhecido por amigos, colegas e familiares, dentro ou fora do país, uma pessoa criativa, inovadora, inteligente, caridosa e que está sempre cheia de ideias malucas. Sem ter a pretensão ou vaidade de um dia ser lembrado eternamente por tudo que fiz, mas quero viver fazendo o que eu gosto, o que me do prazer, (além daquele de esfregar cotonete na orelha). Quero trabalhar em uma empresa que se preocupa com o bem-estar das pessoas e com os pequenos detalhes da vida. Não só por ser a maior do mercado, mas por fazer parte da minha vida.