CÃO

Lubrificação

Sou a glande exposta vibrando sobre a tua mão

E os lábios cerrados que olham em sua direção

Sou a punheta batida, escondida

sobre o carpete desse porão


Sinfonia

Gemidos belos

Toques valentes

Movimentos bruscos

Arranhados em poesia


Soro de cafeína

Em suas veias me careço de sexo

Autoflagelo

Entre as folhas de seus rabiscos

Predomina carvão

vibração


Você me engole sem projeção

Em cada viga de osso e tendão

o prazer me morde feito cão

me dobro em seis, deslizo

me vejo sem freio

mais uma vez


No escuro da neblina sou víbora

Quando travo teu nervo

escuto ruído de prazer

Mordaça na língua, grita

submissão

Quando a rosa murcha

o sabor que escorre é branco

carnal


A dança das línguas que se entrelaçam – loucas

sentindo o suor da boca

E os dentes que se encontram

no choque de movimentação

Podendo ser fria ou quente dependendo da ocasião

E pura ou puta dependendo da fuga de visão

Gritando em sussurros pedindo por um beijo

um pouco mais faminto de paixão.