Movimentei-me junto a contração do tempo

Meus olhos insanos, fervendo dias e horas

A fio. Contorno parábolas em zigue-zague,

Perco-me na escuridão das curvas etéreas.


A cruzada da vida me pega num instante

Nesse piscar percorro vinte, trinta, oitenta anos

Suporto o peso da nebulosa cardíaca em meu peito

Sufoco-me no buraco negro efêmero,

Em meu próprio mundo.


Dúvidas, aflição, correntes de anseio

Presas a mim, cerrando meu freio. Dúvidas

Corrimões, coleiras, cólera dos dias

Cólera amarga.

Cético me faço inteiro, cego por sublimação

Não nego. Não aceito esse tempo,

Líquido, instável, confusão dúbia em meu afago.


Nem mesmo meu mal, que por supremo reverencia toda a ética

Todo o drama que me faço, esvaia-se pelo vento

Pelos tragos de fumaça que me enchem o peito.


Por mil e uma horas repenso sobre tudo de dentro

Quatrocentos cães em minha garganta. Matilha faz a minha voz

Ladra dos dias, pousando no exílio de minha alma

Temporais calmos, quase certos que de tudo

Em vão, virá a nada.