Em 1ª Trienal do país estudantes exploram cidade e se conhecem
Alunos de arquitetura e urbanismo da Uniso vão a 1ª Trienal de Artes do Brasil
para debater sobre os espaços da cidade e aumentar os laços entre as turmas do curso.
Por Yuri Simeon
Um grupo de estudantes de arquitetura e urbanismo da Universidade de Sorocaba conheceu a Trienal de Artes Frestas que acontece no Sesc Sorocaba. A Trienal é a 1ª do país. A intenção da atividade foi promover um debate sobre a utilização dos espaços da cidade, a partir de exemplos práticos, e unir os estudantes de diferentes turmas que não conseguem utilizar a universidade como espaço de interação muitas vezes.
Sandriele Corrêa, 25, é aluna do 9º semestre de Arquitetura e Urbanismo e compõe o CAAUUS (Centro Acadêmico de Arquitetura e Urbanismo da Uniso). Para ela o passeio é importante porque os estudantes estão sendo preparados para intervir na cidade. Mas nem sempre são propostas atividades para tirar os universitários da sala de aula, que é um espaço para abrir os olhos para a cidade.
“A atividade de hoje é uma tentativa de propor uma coisa extra-sala de aula, uma atividade complementar totalmente ligada à cidade e a arte. Sabemos que a cidade de Sorocaba não tem tantas exposições frequentemente, não temos tantos espaços e o Sesc está sendo um espaço importante nesse papel. A gente organizou uma visita monitorada para olhar para essa exposição, para olhar para o Sesc e para olhar para a cidade”, diz.
Segundo ela nem sempre são possíveis essas ações externas em razão das rotinas e do perfil dos estudantes da Uniso (muitos já estão no mercado de trabalho), e as possibilidades de interação dentro da universidade também são limitadas. “A gente enfatiza bastante a questão dos encontros promovidos pela FeNEA (Federeação de Estudantes de Arquitetura e urbanismo), que são os encontros de estudantes de arquitetura e urbanismo, eles acontecem anualmente, vários, pelo Brasil. E a gente tenta sempre falar para os alunos saírem dessa bolha, ver coisas novas”, explica.
Cristian de Andrade, 19, está no 2º semestre. Ele foi um dos organizadores do passeio e considera o espaço muito relevante pela proximidade entre arquitetura e arte.
“A arquitetura está ligada muito à arte,
então o passeio foi para um conhecimento
de quem é o artista por trás da obra.
Isso contribui muito para nossa criação”
Juliana Leite, 21, é do 7º semestre e também participou da construção do passeio. Para ela o objetivo é unir “O CAAUUS e os alunos, para um conhecer o outro. Os arquitetos devem querer construir uma cidade melhor, o curso deveria aproximar as pessoas e não dividi-las. A Uniso [Campus Cidade Universitária] é distante da cidade, fica difícil da gente vir conhecer a cidade”, afirma.
Ela diz que essa interação entre as turmas deve quebrar barreiras estimuladas em virtude do mercado de trabalho como a competição. “[A visão] Que a pessoa sentada ao meu lado é meu concorrente na busca de clientes”, ressalva.
Igor Machado, 23, do 7º semestre também explorou a Trienal, para ele a análise, o debate e o conhecimento teórico proporcionam espaços que transformam a sociedade tendo ela como objetivo principal. “Espaços criados para a própria sociedade não são espaços vazios. É uma coisa que consegue trazer mais resultados que o esperado, que nossa base acadêmica tem que se relembrar e não se voltar para uma coisa tão comercial”, diz.
A TRIENAL DE ARTES
A TRIENAL DE ARTES FRESTAS é a primeira trienal do país. Ela acontece no Sesc Sorocaba e teve início em 23 de outubro com uma primeira fase até 8 de fevereiro. Nessa primeira etapa participaram mais de 80 artistas de diversas nacionalidades.
Atualmente está sendo apresentada a exposição Poipoidrome, a última da TRIENAL. O nome dessa etapa é uma referência à obra homônima, iniciada em 1963, do artista francês Robert Filliou com a colaboração do arquiteto Joachim Pfeufer e que propunha a reflexão sobre o que é arte e quem são os artistas.
Fernanda Geraldino, 23, é desleitora (monitora de exposição) e descreve sua função na Trienal. “Aqui a gente utiliza um termo diferente que é a desleitura, porque a proposta aqui não é falar tudo sobre a obra, mas dialogar com o público”, explica. Ela resume
“Tudo surge do diálogo”.
A exposição é aberta ao público e para fazer visitas em grupo basta agendar pelo site, onde também existem informações sobre o local e horário de funcionamento. A Trienal de Artes Frestas se encerra dia 3 de maio.