Através da ficção estudantes analisam lei da terceirização
Filme de cine debate retrata as condições de trabalho da classe trabalhadora e a luta por direitos,gerando o debate sobre projeto de lei que tramita no Senado e limita os direitos trabalhistas.
Por Yuri Simeon
O projeto Cine História promovido pelo curso de História da Uniso desenvolve a reflexão de aspectos da sociedade com a exibição de filmes seguidos de rodas de debate sobre a relação entre as temáticas apresentadas e determinados contextos existentes no mundo.
Para o Cine História do mês de abril foi escolhido o filme italiano A CLASSE OPERÁRIA VAI AO PARAÍSO de Elio Petri. Segundo o professor de história Rogério de Carvalho, 44, o filme faz pensar a partir da perspectiva da luta de classes sobre os reflexos do neoliberalismo na atualidade, levando em consideração as condições de trabalho da população e a participação dos sindicatos e dos estudantes nesse contexto. “A gente pode fazer várias conexões com a atualidade porque particularmente hoje no Brasil, e com o neoliberalismo, estamos passando por um processo de precarização das condições de trabalho, a Câmara dos Deputados acabou de aprovar a Lei da Terceirização”, diz.
Na trama produzida em 1971 o personagem principal Lulu Massa (Gian Maria Volonté) é um operário que se dedica com exaustão à atender as expectativas do patrão. Tornando-se assim o funcionário modelo da fábrica. Em determinado momento os dirigentes da empresa indicam que o sistema de remuneração seja revisto e propõem que os funcionários recebam por peça produzida e não mais por horas de trabalho. A maior produção, a de Lulu, é utilizada como parâmetro para os demais operários. Assim ele começa a ser hostilizado pelos colegas de trabalho.
Porém Lulu sofre um acidente e perde um dedo. Sem qualquer amparo da empresa ele assume uma posição crítica ao modelo de exploração que vê na fábrica e confronta seus superiores. Lulu é demitido após uma greve em que os funcionários se mostram insatisfeitos com o novo método de remuneração.
Passado um breve período de negociações ele consegue retornar a fábrica, porém assume uma função abaixo da qual já exercia. O filme leva à reflexão sobre a precarização da exploração da mão de obra no capitalismo globalizado, além de apresentar a situação precária em que se encontra a classe trabalhadora ainda hoje.
O estudante do 1º semestre de história, Gabriel de Almeida, 18, conta que foi ao Cine História para entender melhor a atualidade. “Vim assistir ao filme porque o professor descreveu a relação que o tema tem com o que acontece neste momento no Brasil e também por gostar do cinema italiano”, explica.
O Cine História acontece no último sábado de cada mês no Salão Vermelho do Campus Trujillo habitualmente às 15h. Para entrar no campus é necessário a apresentação de carteira de estudante da instituição.