A armadilha em se deixar enquadrar - versão maternidade
Eu demorei algum tempo para entender que está tudo bem se você não se encaixa na vida que esperam que você viva; aquele roteiro brasileiro classe média pré estabelecido de ser o melhor aluno/profissional, ter um emprego regular, viajar para a Disney aos 15 anos, ou fazer festa de debutante, ou qualquer outro evento que se enquadra na na fase da vida em que você está passando e que esperam de você.
Apesar de saber que está tudo bem, que o mundo é grande e que as regras daqui podem e devem ser relativizadas, me vi dentro da armadilha novamente, agora que estou gestante. Comecei a entrar em uma de “tenho que fazer isso, tenho que fazer aquilo” e, o mais grave e comum “tenho que comprar aquilo”. No mundo da mãe gestante é uma cilada muito atraente; é fácil ser conquistada pelas graciosidades do mundo dos bebês e se afastar da praticidade e real necessidade dos filhotes. É claro que não quero que meu filho seja um bebê que só tenha o básico e essencial; acho que supérfluos também têm sua função, mesmo que decorativa, mas exageros devem ser evitados com um mínimo de reflexão e bom senso. Exemplos:
1- Enfeite de porta de maternidade. Realmente não me importo em ter uma porta “em branco” durante o período em que estaremos na maternidade (2 dias, no máximo?). Não é um tipo de mimo que me fará falta.
2- Saída de maternidade. Eu entendo que a roupinha que o bebê usará para sair ao mundo pela primeira vez deva ser especial, mas percebo que a roupa “saída de maternidade” virou praticamente um traje de festa, relacionado à etiqueta social. E, sendo assim, são roupas caras e quentes, normalmente.
3- Kit berço. São aqueles protetores e rolinhos, normalmente temáticos, que ficam no berço. São bonitinhos, sim, mas podemos viver lindamente bem com um lençol infantil, macio e cheiroso.
4- Kit higiene. Nada mais são que: garrafa térmica e dois potes para algodão e cotonete. Simples, certo? Não, porque eles são ultra valorizados e passam a custar, facilmente, mais de R$150,00.
E por aí vai. Sei que muito ainda me aguarda e, se o Pedro, por acaso não se enquadrar em qualquer atitude/comportamento esperado para tal idade, gênero, posição social, etc, etc, o mundo das pessoas que vivem em quadradinhos vai cair sobre mim. Ok, que venham as críticas. E não, ele não terá uma festa de 1 aninho com um portal de balões.
