Die, My Darling.

TEXTO ESCRITO HÁ 4 ANOS.

Ainda estou sofrendo as consequências daquela ultima vomitada de sentimentos que fiz. Felizmente são consequências boas, seja por dó, ou não. Prefiro acreditar que seja pela qualidade. Todos que leram me pediram para continuar a história e eu sempre respondia a mesma coisa, dizia que, escrevi aquilo, pois precisava colocar para fora, e inacreditavelmente, naquele dia, eu estava inspirado. Uma coisa que eu não sentia há pelo menos uns cinco meses, era inspiração. E também, porque, a história termina ali, não tem uma continuação, a não ser que vocês queiram saber como eu encachei a minha bunda durante dois meses no sofá, com o computador no colo e desperdiçando tempo. Mas acho que ninguém em sã consciência queira saber como foi isso. E se você está lendo isso e pensando: “Eu até queria saber como foi”, sugiro que procure um tratamento, ou uma decepção, para aprender com aulas presenciais. Nunca sonhei que iria dar uma de escritor, um dia, e aqui estou eu novamente. Creio que não nasci pra isso, sempre escrevi músicas, que é completamente diferente de escrever um texto, ainda por cima, legível. Por isso, aqui vai o meu aviso para você que leu o meu anterior e está lendo esta coisa, agora: “Esse texto não vai ficar e nem chegar perto do que o outro ficou”. E o filho da puta da história, dessa vez, não sou eu, pois foram vocês quem pediram para que eu escrevesse mais. Enfim, no meio de tantos pedidos para que eu continuasse a história, houve um pedido diferente, me pediram para que eu contasse a famosa história da minha maior decepção amorosa. Na hora eu recusei, mas depois andei pensando e vi que seria bom para mim, pois isso é outra coisa que eu necessito botar pra fora. Antes de começar, vou pegar o meu pacote de batata chips, para lambuzar o meu teclado de gordura.

São 03h32min da manhã, e eu estou no meu sofá e com a minha super confortável calça de pijama. Há uma hora, todos foram dormir. Um ótimo momento para começar, mas como um belo amante da preguiça que sou, tive que descansar um pouco antes. Mas agora é um ótimo momento para uma história ou uma citação. Acho que farei ambos.

Era Janeiro de 2011, as aulas tinham acabado de começar e eu havia me apaixonado. O nome dela era Jessica e era a garota mais bonita que eu já tinha visto, tanto que é o rosto que eu costumo comparar com o de todas as mulheres, até hoje. Mas vamos do começo. Eu estava sentado no pátio da escola, quando a vi passando pela primeira vez, e nesse dia eu comecei a acreditar em amor a primeira vista. Pela primeira vez eu não olhei para uma menina e pensei: “que gostosa”. Se você é menina, saiba que os homens nunca acham meninas bonitas ou lindas, é sempre gostosa. E naquele dia eu só consegui olhar para o seu rosto e pensar com uma cara de bobo: “que menina linda”. Isso nunca tinha acontecido comigo, eu parei tudo o que estava fazendo, na verdade, o mundo havia parado aquele momento. Acho que a caminhada dela, do pátio ao corredor onde ficavam as salas, durou para mim uma eternidade. Todos que estavam ao meu redor, perceberam que naquele momento eu estava com uma cara de louco e abobado. Foi até difícil retornar ao mundo real quando ela entrou na sala. Ela tinha cabelos longos e morenos, uma pele branca e macia, olhos pretos esverdeados e um cheiro doce que era todo dela. Se ela entrasse numa sala hoje, eu poderia fechar os olhos e saber que ela estava ali. Naquele momento, a única coisa que eu pensava, era que eu precisava, de alguma fora me aproximar daquela garota. Quando cheguei a minha casa, naquele dia, ela não saia da minha cabeça e eu não via a hora de acabar o dia para eu ir à escola novamente. Mas, de tarde, eu tive uma ideia. Entrei na internet e chamei a melhor amiga dela. Eu não a conhecia, só sabia quem ela era, da mesma forma que ela sabia quem eu era. Para não ter confusão, eu já fui direto ao papo, disse a ela que não conseguia tirar a amiga dela da cabeça. E então veio a pior notícia que já recebi, ela disse que a Jessica namorava. Nesse momento a minha vontade era de bater a minha cabeça na guia da calçada até eu começar a ver os carros voando. Mas eu estava perdidamente apaixonado, e de tanto insistir, ela acabou passando o contato da Jessica. Eu, com o contato dela, não sabia o que fazer. Só sabia tremer e imaginar coisas. Para eu mandar um “oi” foi uma eternidade, não sabia que uma palavra de duas letras, poderia ser escrita de tantas formas. Mas depois de uns míseros 30 minutos eu consegui mandar. Os 3 minutos que ela demorou a responder, durou sete meses para mim. Enfim ela me respondeu e eu já estava suando feito um suíno. Ela não era tão seca, como seria o esperado para uma menina comprometida. Mas não era tão simpática. Ou melhor, dizendo, não dava tanta liberdade para um menino desarrumado, cabeludo, magro que doía na alma e que havia acabado de conhecer. Puta que pariu, uma lágrima de lembranças acaba de escorrer dos meus olhos. Estou começando a achar que foi uma má ideia escrever sobre isso. Mas agora já comecei e como diz o ditado: “tá no inferno, abraça o capeta”. Eu amava conversar com ela, eu achava assuntos que até hoje não sei de onde tirava. Nunca fui bom nisso, até hoje, mas com ela eu conseguia mascarar isso e parecer que tinha alto confiança. Fiquei sabendo que o namoro dela estava em crise. Confesso que quando ela me disse isso, fiquei pulando no quarto feito uma gazela. Mas respondi formalmente fingindo me importar e dando conselhos. Poxa, o que você faria? Mas a melhor coisa que eu fiz, foi ter feito amizade com a amiga dela, pois ela gostou tanto de mim, e claro, vendo o meu desespero, virou minha cumplice. Tanto que uma semana depois ela já me chamava de melhor amigo. O nome dela era Jéssica também, mas para não confundir vocês, vou chama-la de Jenny. Ela, aparentemente não ia muito com a cara do namorado de Jessica, acho que foi esse um dos motivos de me ajudar tanto. Fiquei conversando com a Jessica durante mais ou menos um mês, até menos. Foi quando a Jenny me disse que a Jessica havia falado para ela que não parava de pensar em mim. Eu era uma bola de borracha de 25 centavos batendo entre minhas próprias paredes, de olhos vermelhos e rabo azul, em guerra com tudo à minha volta. Por alguma estranha razão, ela se apaixonou por mim também. O namoro dela estava em crise e ela se sentia culpada de pensar em mim quando estava com o seu namorado. Essa notícia aumentou 100% as minhas esperanças com ela. Eu, apressado como sou, me declarei para ela e ela se declarou igualitariamente. A partir dai, começamos a viver um tipo de relacionamento que não tem nome e eu não sei explicar até hoje, mas vou tentar. Era como se fosse um namoro, nós nos amávamos, mas não havia beijos, nem mão dadas, nem merda nenhuma do tipo. Passávamos o dia trocando mensagens melosas, passávamos todos os intervalos juntos. Lembro que antes de dormir ela sempre me mandava uma mensagem dizendo o tanto que me amava e que queria ficar comigo para sempre. Não teve um dia, até hoje em que me deito na cama e não me lembro dessas mensagens. Uma vez a prima dela pegou o seu celular e me mandou uma mensagem dizendo que nós éramos perfeitos juntos e que éramos feitos um para o outro. Os meninos da escola me odiavam, pois Jessica era uma das meninas mais bonitas daquela escola, se não a melhor. Tinha um desgraçado da sala dela, que tinha tanta inveja que enchia a cabeça dela de merda sobre mim. Quantas vezes não tive que explicar as coisas e desmentir para ela. Até hoje se eu encontrar esse cara na rua, eu juro que arrebento a cara dele de porrada.

Jenny ficou doente e não foi para escola por uma semana, passei todos os intervalos nessa semana, com a Jessica. Até que um desses dias, ela me levou na sala e quando fui entrar, ela me deu um selinho. Aquilo foi o suficiente para eu passar o resto do mês com uma felicidade que não cabia em mim. Como ela ainda estava namorando, preferiu não falar sobre o assunto, e eu respeitei isso. Mas já estávamos começando a andar de mãos dadas. Aposto que nenhuns de vocês já viram um namoro sem beijos. Podem me agradecer. Tenho certeza de que não vou terminar esse texto sem antes me afogar em lágrimas. Estou com uma angustia enorme escrevendo isso. Enfim, em um fim de semana, fomos ao cinema. Andávamos no shopping de mãos dadas e eu via a cara das pessoas pensando: “o que esse menino tem pra namorar essa menina tão bonita?” Assistimos a um filme que até hoje não tive coragem de ver novamente, pois é a minha maior fonte de lembrança que tenho dela. Há um ano, eu estava andando na rua, e quando passei em frente a um bar, estava passando esse filme na TV. Eu vim chorando daquele bar até a minha casa. Confesso que tentei beijá-la naquele cinema, mas ela disse que não iria fazer isso enquanto estivesse namorando. Eu admirava demais isso, ela estava apaixonada por mim, mas mesmo assim não via motivos para trair o filho da puta. Quero dizer, o namorado.

Preciso quebrar um pouco essa dor que estou sentindo e contar um momento engraçado. Eu estava na sala de aula trocando mensagens com a Jessica. Ela me manda uma mensagem dizendo que está com frio, e eu, com a minha super experiência amorosa e romântica, respondo “Aqui não está”. Não demorou um minuto para que a Jenny me mandasse uma mensagem: “Ô seu idiota, oferece a sua blusa para ela”. A minha sorte foi que ela ainda não havia respondido, então mandei outra mensagem oferecendo a minha blusa. Ela ficou encantada com a minha iniciativa. Obrigado Jenny, pode contar para o que precisar. Passei um frio desgraçado aquele dia, só de camiseta, mas de ver a Jessica com a minha blusa me causava um sentimento inexplicável que de alguma forma, me impedia de sentir frio.

No fim de semana seguinte, Jessica viajou para a casa do seu namorado, que morava no interior. E finalmente, voltou com a notícia de que havia terminado. Finalmente poderíamos começar a namorar de verdade. Ela estava um pouco abalada, então respeitei esse momento e não fiquei em cima feito um cão faminto. Mas não demorou muito para que meu sonho se tornasse realidade, eu finalmente era namorado da Jessica, não havia nada que me deixasse triste naquele tempo, eu acordava e ia dormir feliz por saber disso, demorou muito para cair à ficha. Até demais. Éramos o casal da vez, o assunto da escola, meus amigos dizem até hoje que eu andava com um sorriso no rosto que não se desmanchava nunca e até hoje nunca me viram com um sorriso igual. Ela era uma paixão para a vida inteira, “quase foi”.

Estava chegando perto de seu aniversário e eu havia comprado uma blusa para ela, eu era um falido, a blusa era simples, mas era bem bonita. Sempre fui bom em presentes. Ela não chegou a ver a blusa e muito menos usar, por isso a minha maior fonte de lembranças dela é o filme. Até por que, já faz um tempo em que me desfiz dessa blusa. Era uma blusa com cheiro de loja, não havia nada da Jessica ali, não tinha porque eu continuar com ela. Três dias depois de eu comprar a blusa, fui a um show com um amigo meu. Meu celular estava vibrando, não queria ver o que era, pois o show estava maravilhoso, e eu devia ter ouvido meus pensamentos. Resolvi ver o que era, e era uma mensagem dela, quando abri, vi que a mensagem era gigante e algo me disse ali que eu não devia ler. Eu guardei o celular de volta no bolso, mas não durei muito, eu tive que sair do show para ver o que era. E a primeira frase da mensagem era assim: “Pedro, voltei com o meu namorado”. Meu mundo desabou quando li aquilo, o resto da mensagem era pedido de desculpas. Ela foi bem sensata e madura por me avisar tudo e se desculpar. Mas eu não conseguia aceitar aquilo. Eu tive que assistir ao resto do show com uma mistura de tristeza, raiva e decepção dentro de mim. Meu amigo percebeu minha transformação.

Eu não conseguia acreditar, estávamos juntos, adolescentes perdidos no momento e nos olhos um do outro. Eu queria passar cada segundo com ela, sério. Por algum motivo, quando estava com ela eu não era o garoto que não tinha dinheiro para nada, que não podia leva-la a lugar nenhum ou que não podia lhe dar nada. Ela trouxe paz e vida para meu mundo por um breve instante, e depois levou-as embora. Ela era jovem; e eu também, porra. Foi isso. Na época, eu não me importava. Para mim, o tempo parou quando ela me deixou.

Jenny tentou por muito tempo me consolar, mas não tinha quem me fizesse se sentir melhor. Jenny queria continuar a nossa amizade, que por sinal era muito forte, mas não tinha como porque Jenny me lembrava ela em tudo. Eu estava completamente pirado. Então sabe o que eu fiz? Fiz o que qualquer rapaz desrespeitoso faria numa situação parecida. Comecei a fazer posts no Facebook xingando ela e o namorado dela, eu citava nomes, fiz muitos posts, todos desesperados dizendo para eu parar que eu ia me ferrar com isso. E realmente eu fui o maior babaca fodido do maldito planeta. Levei aquela pobre menina ao inferno. Fui um merda tão grande que o pai dela, com toda razão, ameaçou me matar. Fiz isso porque era um garoto estúpido que não sabia nada melhor. Fiz isso porque queria que alguém se ferisse como eu estava ferido, e se eu não podia ferir Jessica, iria ferir a família dela. Por quê?

Não vejo Jessica há quatro anos. Há uma possibilidade muito boa de ela nem sequer se lembrar do meu traseiro irlandês, e tudo bem. Só posso desejar que a passagem do tempo tenha aliviado a dor que causei a ela. Mas ainda posso ver seu rosto petrificado no dia em que ela deu as costas para mim. Ela era apenas uma menina em crise e queria algo para se apoiar, eu acabei sendo esse apoio, porém isso também acabou sendo tudo para mim. Ela, um dia acordou e se deu conta de que foi um erro o que ela fez, mas isso não aconteceu comigo. Só consigo imaginar como podem os momentos significar tão pouco para alguns e tão imensos para outros. Hoje ela está namorando com ele ainda e eu tenho consciência de que eles sim foram feitos um para o outro e não havia maneira de impedir isso. A minha dor é saber que fui apenas um apoio para ela. Eu queria ter tido consciência disso antes de me perder nos meus sentimentos.

Não a esqueci totalmente, apenas aprendi a conviver com a dor. Nunca mais consegui gostar de uma garota. Acabei magoando garotas que gostavam de mim por esse sentimento maldito que ainda prevalece. Um dia eu estava salvando algumas de suas fotos no meu computador e ela me perguntou por que eu estava fazendo aquilo, respondi que se um dia ela me deixasse, eu poderia tê-la pelo menos por fotos e então ela disse que nunca iria me deixar. Aqui estou eu olhando as fotos e escrevendo esse texto. Só espero que um dia esse sentimento possa se desfazer. Olha só, minhas lágrimas estão caindo e limpando a gordura que deixei no teclado por conta das batatas Chips. Acho que não tenho mais nada a dizer, aqui está o texto prometido que acabou me fazendo reviver tudo isso que citei.

Agora vou tentar dormir com a imagem do seu rosto em minha mente.

Câmbio desliga…

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