desdizendo desde cedo eis que cedo
(ou “desdicionário desdesenhado”)

des-pir seria a antítese do pir? (oi?)
o “pir” seria então sinônimo de vestir.
quem se veste pira.
na pira queima.
e se a loucura tem roupa a sanidade é nua.

e o des-cre-ver? aquele que não crê nem vê?
ou só crê se vê. cresce com o que vê?

e o des-manchar?
deixa branco limpo sem sujeira?
e quando desmancha prazeres, é o prazer sem marca sem cheiro sem nada? que chatice a desmanchura.

e a des-pedida?
a ausência de permissão?
des-peço-me de ti e nunca mais nos veremos pedindo licença.

o des-perdício é o reencontro.
daquilo que foi perdido e agora desfoi.
mas se era desperdício, precisava voltar?

des-afiar é perder a lâmina?
trocar o corte pelo afago.
um carinho é um desafio?
desafio sem arma, só alma. será que dói igual?

e o des-maiar?
se maio é o mês das mães, desmaiar é desmãear?
o verbo órfão, desamparado, desmamado.

desistir está claro. é deixar de existir.

nunca des-exista.

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