- Eu preciso mentir para alguém.
- Como assim?
- Eu preciso! Me ensina?
- Mas depende. Pra quem? Pra quem você quer mentir?
- Não sei. Sei lá. Pode ser… pra você?
- Ué… acho que sim, acho que pode. Mas…
- Como eu faço? Como eu começo?
- Ãh… fala algo que não seja verdade.
- Que não seja verdade?
- É. Algo não real. Pensa algo sobre mim e diz o contrário, por exemplo.
- Mas eu não penso nada sobre você.
- Puxa! Sério? Então inventa.
- Mas inventar é o mesmo que mentir?
- Dá pra considerar… mas acho que tecnicamente não é.
- Se eu inventar algo sobre você e falar o contrário disso, estaria dizendo uma mentira? É isso?
- Desde que você acredite no que pensou, e me diga o contrário, você estaria mentindo. Eu acho.
- Mas eu não penso nada sobre você!
- É sério? É sério isso, mesmo? Mas como é que você…? Ah, esquece! Inventa! Inventa qualquer coisa!
- Me ajuda, então!
- Diz que me ama!
- O quê?
- Diz que me ama.
- Mas isso já seria uma mentira?
- Não sei… Seria?
- É no que estou pedindo que me ajude.
- Então diz. Vai!
- Mas não era pra inventar?
- Consegue inventar?
- Me ensina.
- Diz que me ama.
- De novo?
- Estou te ajudando a inventar.
- Mas isso é mentira?
- Não, é só uma invenção.
- Eu não consigo dizer isso.
- Por quê?
- Eu…
- É porque você me ama?
- É que… eu não penso nada sobre você.
- Mentira!
- Obrigado.
