Na existência de uma década e meia — Por Zecalcifer

Nunca curti minhas leituras,
tampouco minha formação.
Posto que essa minha ambição
atormenta todas as minhas feituras…

Conquanto, toda essa estrutura
que o deus fez de botar-me,
fica nesta de procrastinar-me
Na indireção de uma procrastinação!…

E quanto mais vejo as consequências
mais odeio o Movimento
em que simbolizo, o do popularesco, o tempo!
Que tanto varia as referências.

O que ocorre é que, durante o meu crescimento
fui orientado sobre o que deveria fazer;
e, à chegada a hora do meu exercer
o movimento fez do sonho coisa do passado…


Por que não veio-me, no Acaso, a determinação?!
E por que diabo idealizo, tal, tamanha lavra em vão?!

Se assim é minha disposição,
e se não sei se, junto à minha existência cabe a inutilidade!

O vento nem ao menos reza um cantochão…
Se eu desejar fazê-lo, há de ser à minha própria mão…


Ao menos não estou perdido
pois nem tenho o que achar…
Neste mar completo hei de navegar
em busca, triste, de uma Razão.

Este meu apego demasiado… E esta minha ambientação
tornam esta minha subentendida intenção
necessitada de umas específicas presenças!

Conquanto…
Se a Morte, um dia, vier procurar papai;
Se a Morte procurar um meu irmão
Eu — com ainda menos chão — 
serei desmaterializado, na subitês!…
Enquanto a reza de um contraditório cantochão.