David Ayer e a galera de rolê ruim

Após a trágica perda do Superman ( Henry Cavill) o mundo não pode arriscar que o próximo meta-humano seja uma ameaça; o Suicide Squad é a equipe de degenerados perigosos arranjados por Amanda Waller (Viola Davis) a fim de de conter esses perigos — com o bônus de nunca se importar com eles. O que poderia dar errado? Certamente, tudo. Após as pesadas críticas que Batman VS. Superman (Zack Snyder) gerou a casa de produções Warner Bros. nitidamente desesperou-se e tratou de remodelar toda linguagem que abordaria para a introdução da DC no cinema. O corte final que temos acesso hoje — apesar de ser defendido por Ayer — perdeu toda carga emocional, realística e obscura que contia tal como a produção antecessora.

Entretanto, mesmo deixando todo o drama da pós-produção, o roteiro é um penhasco mortal. A narrativa (também assinada por David Ayer) tem um primeiro ato que mais lembra featurettes de apresentação dos personagens, todos estilizados e embalado com muita música pop. Há ainda, personagens deslocados, que não agem como suas características presumem e uma série de piadas forçadas que imploram para serem igualadas aos sucessos do outro estúdio (Marvel). Tudo isso piora uma história que já era fraca; o édipo de Waller é ao ponto da vergonha. Amanda cria o grupo por medo de uma profética ameaça, perde com facilidade o controle de suas ações causando sua ruína.

Desgraça essa que se inicia na apresentação da personagem June Moon (Cara Delevingne), que é possuída pela entidade Magia. Cara faz a integrante mais desencontrada e sem nexo do universo cinematográfico dos quadrinhos, tomando decisões duvidosas. Como quando a arqueóloga decide torcer um artefato — histórico, inestimável — ao ponto de quebrá-lo como uma criança que brinca com bonecos. Em soma esse é plot da produção: pessoas que fazem decisões ruins e estúpidas.

Mas caso queira voltar no problema inicial com a Warner, a premissa de The Dirty Dozen parece ter sido desmembrada e usada como bem entenderam, onde talvez não fizesse sentido. Essa “introdução” (que dura 1/3 do filme) carrega um ar não linear; provavelmente seriam flashbacks que surgiriam no decorrer da ação. Essa montagem confusa torna-se repetitiva colocando as personagens para narrar o que já estamos vendo em tela. Tal teoria pode ser provada quando destacamos o trabalho de Margor Robbie com Alerquina, suas memória bem colocadas criam dimensão e exibem o controle surpreendente da atriz; também com o drama de Diablo (Jay Hernandez) e sua epopeia.

Já ao resto do elenco basta-se dizer que Joel Kinnaman (Rick Flag), Jai Courtney (Capitão Boomerang), Adewale Akinnuoye-Agbaje (Killer Croc) e Karen Fukuhara (Katana) são apenas funcionais e lineares impedidos de maiores atos por conta de tudo que já foi apresentado. Will Smith faz o papel que sempre fez, mas ainda com muito primor. O conjunto Deadshot e Alerquina que salvam a experiência enquanto Cara Delevingne é um completo desastre, todo momento maçante do filme vem da falta de talento da modelo.

Cronologia dos logos, da esquerda para direita perdendo o clima soturno usado em Batman VS. Superman.

A produção artística é por vezes brega mas também entrega individualidade enquanto a estória tenta padroniza-los como equipe. Os figurinos e a caracterização são funcionais, com uma ou outra exceção que tende a sexualizar ou não atrapalhar o estrelismo de Smith — o ator foi incapaz de entender sua máscara ou a iconografia do olho mecânico que o pistoleiro tem. E os cenários evocam uma atmosfera de guerra bem convincente quando relevamos a magnitude da destruição para uma equipe do tipo.

É impossível não se questionar: Onde estão Batman e a Mulher Maravilha?

No desfecho, a ameaça poderia ser evitada desde o início, a “reviravolta emocional” de Rick Flag com os componentes é estranha, o twist é morno, e a soma de alguns detalhes incomodam, porem Suicide Squad apresenta personagens culturalmente interessantes. A nostalgia ataca e os gracejos aos fãs são engraçados, criando uma atmosfera divertida e empolgante embalada ao som de Kanye West , Bee Gees e Queen.

*O Coringa de Jared Leto está todo picotado. O que sobra do personagem em pequenas peças, são cenas gangster atrás do paradeiro da Arlequina. Mas assim como os outros, o pouco tempo em tela não instiga o telespectador a querer mais — é mais uma das inúmeras pontas soltas.

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