Alexandra Nicolas homenageia Carmen Miranda no RicoChoro ComVida

Terceira edição do projeto acontece neste sábado (3 de outubro), no Barulhinho Bom, com produção de Ricarte Almeida Santos

Foto: divulgação

A cantora Alexandra Nicolas é a convidada da terceira edição de RicoChoro ComVida. O sarau mensal acontece neste sábado (3 de outubro), às 18h, no Restaurante Barulhinho Bom (Rua da Palma, 217, Praia Grande), tendo ainda como atrações o DJ Joaquim Zion e o grupo Urubu Malandro, que acompanhará a artista.

Na ocasião, Alexandra prestará um tributo a Carmen Miranda, passeando pelo que de mais próximo ao choro há no repertório eternizado pela pequena notável.

RicoChoro ComVida é uma produção de RicoMar Produções Artísticas, com patrocínio da Fundação Municipal de Cultura (Func), Gabinete do Deputado Bira do Pindaré, TVN e Galeteria Ilha Super, e apoio do Restaurante Barulhinho Bom, Calado e Corrêa Advogados Associados, Sonora Studio, Clube do Choro do Maranhão, Gráfica Dunas, Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt e Musika S.A. Produções Artísticas.

Alexandra Nicolas comentou as emoções, expectativas e os preparativos para o espetáculo.

ENTREVISTA: ALEXANDRA NICOLAS

Qual o sentimento ao receber o convite para a próxima edição de RicoChoro ComVida?
O primeiro sentimento que me vem à cabeça é o sentimento do passado. Ricarte está na minha carreira como alguém que deu um grande pontapé na minha projeção. Quando eu conheci a Luciana Rabello [cavaquinista, diretora musical de Festejos (2013), disco de estreia de Alexandra], ela me pediu um vídeo, eu cantando. Eu estava caminhando na praia, um pouco desacreditada de tudo o que estava rolando por aqui em relação à música, e o encontrei na praia, correndo. Ele me parou e perguntou se eu teria condições de fazer a próxima edição do Clube do Choro [Recebe, projeto produzido por Ricarte entre 2007 e 2010]. Eu não acreditei na proposta, parecia que tinham colocado Ricarte em meu caminho. E falei: “claro!”. Aproveitei a oportunidade de filmar o show, pra cima, ao vivo, gostoso, com o [Instrumental] Pixinguinha. A gente fez isso em 2009 e foi uma delícia, foi maravilhoso, estávamos numa sintonia muito boa, eu e o Pixinguinha, ensaiamos em minha casa, abriu um horizonte muito bacana para mim. Quando você fala em sentimento, eu lembro de vida, e acho que é por isso que este projeto tem este nome: Ricarte, pra mim, é vida! Ele me deu esperança de novo em tudo o que eu estava fazendo.

De quem partiu a ideia de apresentar o repertório de Carmen Miranda?
Claro que foi minha! [risos]. Isso partiu de mim, realmente, pelo simples fato de Carmen ser minha maior inspiração como cantora. Eu escuto Carmen Miranda desde menina, mamãe era muito apaixonada por Carmen Miranda. Mamãe sempre me dizia que ela era alegria pura, que cantava com os olhos, além das mãos, além da voz. Quando eu pensei nessa alegria de retomar um trabalho com Ricarte, uma pessoa que mexe muito na música, para mim, eu pensei nela, em associá-la a essa vida, desse RicoChoro ComVida. Eu sempre falava para Luciana Rabello que eu queria fazer um show com os choros que a Carmen Miranda gravou. A gente conversou muito sobre isso uma época, isso ficou guardado na manga, e para mim vai ser uma alegria muito grande, deixar tudo isso junto e misturado nessa edição.

Ainda falando sobre o repertório o que você certamente não deixará de fora?
O que certamente eu não deixaria de fora, lógico, Urubu malandro [Pixinguinha, João de Barro e Louro]. Ah, tem tanta coisa. Tem uma música chamada Diz que tem [Vicente Paiva e Aníbal Cruz], que é fantástica! É isso aí, a mulher brasileira, quando ela se propõe, ela tem tudo isso, “tem cheiro de mato, tem gosto de coco, tem samba nas veias, e ela tem balangandãs” [recitando trecho da letra], pelo menos eu. Me identifico muito com tudo o que ela faz. Tem Camisa listada [Assis Valente], Disseram que eu voltei americanizada [Vicente Paiva e Luiz Peixoto] não pode faltar. Na verdade eu estou montando uma história, uma história sobre as épocas de Carmen como cantora, na década de 1940, quando ela cantou então a revolta, quando ela voltou dos Estados Unidos, [quando disseram] que ela voltou cheia de dedos, enfim, isso ela expressava muito bem. Carmen não é uma cantora só que canta, ela conta uma história muito boa. E por isso me identifico tanto com ela. Ela conta tanto que ela modificou a maneira de cantar. Quando você olha para os olhos dela, ela está te contando alguma coisa e você tem que prestar atenção.

Apesar de uma trajetória já de mais de duas décadas na música, você só estreou em disco há dois anos. Hoje é uma artista nacionalmente consagrada. Como você avalia a importância de um projeto como o RicoChoro ComVida?
A importância do RicoChoro ComVida é continuar a fazer música de qualidade. Ricarte é muito seletivo e eu gosto disso, apesar de gostar de tudo, de tudo que o povo gosta. Eu não me recuso de jeito nenhum a ouvir tudo o que o povo está ouvindo, até gosto. Mas gosto também do seletivo, gosto de você levar para o palco obras primas, de você levar para o palco a virtuosidade dos músicos, de levar para o palco essa harmonia, essa sintonia entre os instrumentos, você permitir que os instrumentos conversem entre si numa roda de choro, você permitir que exista esse diálogo musical em São Luís. Eu acho que esse projeto permite o diálogo entre os instrumentos dos músicos mais virtuoses que a gente tem em São Luís.

Qual a sua relação com os músicos integrantes do Urubu Malandro, que irão te acompanhar durante a apresentação?
A minha relação com os integrantes do Urubu Malandro, ela vem através de Arlindo Carvalho, que é um percussionista que eu costumo dizer que é meu mestre, é alguém que escuta as batidas de meu coração desde a escolha de meu repertório, até a hora em que eu canto a última frase em um show meu. É o músico que mais me acompanhou em shows até hoje. Não tem nenhum momento de minha carreira desde 2008 para cá que Arlindo não esteja presente, inclusive no meu disco, e vai estar presente também no próximo. É uma espécie de mestre, pra mim. A gente acabou de falar há pouco ao telefone, e ele dizia assim: “por que eu não toco um instrumento harmônico?”, e eu falei: “verdade, por que aí você dirigia” [risos]. E é verdade, minha relação com Arlindo é muito forte, muito sagrada realmente. Ela parte através dos tambores, que eu considero sagrados, todos os tambores que são tocados em meu show, eu não abro mão deles, e Arlindo faz parte disso, dessa emoção quando tudo isso acontece, e o Urubu Malandro vem, realmente, através de Arlindo Carvalho. Os demais integrantes são uma maravilha, o pessoal da velha guarda, que eles não escutem o que estou dizendo [risos], mas a gente pode falar da velha guarda do choro da cidade. É peculiar você conseguir agradar no seu repertório, fazê-los ficar inteiro, o repertório é muito exigente. Eu consigo tirar do fundo do baú o que eles mais gostam, graças a Deus! De fato é uma alegria, e eu sinto que é recíproca, quando estamos juntos. Eu tive a oportunidade de cantar apenas uma vez com eles, mas com Arlindo Carvalho, que é o chefe do Urubu Malandro [risos], ele faz parte da minha vida.