Josias Sobrinho passeia entre sambas e choros autorais e alheios em RicoChoro ComVida

Compositor é o convidado da quarta edição de RicoChoro ComVida. Foto: Fafá Lago

O compositor Josias Sobrinho é o convidado da quarta edição de RicoChoro ComVida, que acontece neste sábado (31), no Barulhinho Bom (Rua da Palma, 217, Praia Grande), às 18h. O artista será acompanhado do Regional Tira-Teima, em noite que terá ainda o DJ Marco Antonio Brito (Vinil Social Club) e a artista-mirim Maria Vitória.

Integrante da primeira trupe do Laboratório de Expressões Artísticas do Maranhão, o Laborarte, fundado em 1972, Josias se tornou nacionalmente conhecido quando Papete incluiu em Bandeira de Aço (Discos Marcus Pereira, 1978), quatro composições suas: De Cajari pra capital, Engenho de flores (logo regravada por Diana Pequeno), Catirina e Dente de ouro, que dá nome ao disco mais recente do compositor, lançado em 2005.

Josias Sobrinho concedeu breve entrevista, em que comentou a emoção do convite, a importância do projeto para a cena musical de São Luís e sua relação com os músicos do Tira-Teima, atualmente formado por Henrique (percussão), Luiz Jr. (violão sete cordas), Paulo Trabulsi (cavaquinho solo), Serra de Almeida (flauta), Zé Carlos (percussão e voz) e Zeca do Cavaco (cavaquinho centro e voz).

Produção de RicoMar Produções Artísticas, RicoChoro ComVida tem patrocínio da Fundação Municipal de Cultura (Func), Gabinete do Deputado Bira do Pindaré, TVN e Galeteria Ilha Super, e apoio do Restaurante Barulhinho Bom, Calado e Corrêa Advogados Associados, Sonora Studio, Clube do Choro do Maranhão, Gráfica Dunas, Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt e Musika S.A. Produções Artísticas.

O compositor à época do Rabo de Vaca. Acervo pessoal

CINCO PERGUNTAS: JOSIAS SOBRINHO

Pra você qual é o significado e sentimento em participar do projeto RicoChoro ComVida?
Pra mim é muito gratificante participar desse grande momento cultural. Ter minha música inserida no contexto do choro é elogioso e distinto. Sou muito grato pelo convite, porque, afinal de contas, esta é uma iniciativa que retoma histórias tantas, representadas nas figuras destacadas de Ricarte, Tira-Teima, Luiz Jr., o Clube do Choro, Chico Canhoto, Célia Maria, Léo Capiba, João Neto [seu sobrinho] e tantos outros.

Qual a sua relação com os músicos do Tira-Teima?
Antes de qualquer outra referência sou fã do grupo há bastante tempo, desde quando era apenas “assistência”. Hoje, poder desfrutar do auxílio luxuoso desses músicos maravilhosos e suas máquinas de tocar a alma é uma grande conquista. Paulo, Serra, Zé Carlos, Luiz, Zeca e Henrique são mestres absolutos na arte de tocar e cultuar esse gênero ímpar da música popular.

O que achou da escolha do grupo para recebê-lo?
Ah, concordei de cara, porque estamos falando de um grupo com uma vitoriosa trajetória de resistência, somada à minha satisfação de reencontrar no palco músicos com os quais sempre tive prazer de dialogar musicalmente.

Qual a base do repertório que você apresentará?
Vou tocar um choro que fiz na época do Rabo de Vaca [grupo da década de 1970, formado por Josias ao lado de nomes como Jeca, Mauro Travincas, Manoel Pacífico, Erivaldo Gomes e Beto Pereira, entre outros]. Nosso grupo começou tocando chorinho, mas faço também um choro cantado, além de sambas meus e de outros compositores.

Como você avalia a realização de um projeto como o RicoChoro ComVida para a cena musical da cidade?
Com muito “bons olhos e ouvidos”. Somente uma música com tão ricas tradições pode proporcionar a gerações continuadas possibilidades desta envergadura. Parabéns a todos que têm algo a ver com a realização do projeto. É a história se impondo à incongruência dos fatos. Afinal, o Choro tem vida!