A simplicidade na arte de um podador

Texto e fotos: Pedro Stropassolas e Vitor Shimomura

D e costume, Adauto José Pereira, 43 anos, utiliza da aura criativa para moldar peças de madeira e cuidar dos bichos espalhados pelo quintal de sua casa, situada às margens da principal avenida de Ponta das Canas, no Norte da Ilha. Munido da serra elétrica e dos equipamentos de rapel, o catarinense, cria de São Domingos, oeste de Santa Catarina, foi garçom e limpador de terrenos. Agora circula por diversos nichos de Florianópolis para podar e derrubar árvores de descarte, certificadas e autorizadas pela Polícia Ambiental.

A poda é a primeira parte do seu trabalho: Adauto também é artesão. Transforma madeira em esculturas, casas de passarinho, brinquedos e em tudo que a criatividade permitir. Seu filho mais velho, Pedro, ajuda no ofício. O caçula Adauan brinca entre os corredores de obras e animais — oito cachorros, o gavião, a gralha azul, o papagaio, duas pombas, e cerca de trinta galinhas.

Amantes da arte de vários lugares do mundo visitam e deixam recados em um caderno. Adauto recepciona com simplicidade, e não se envergonha das mãos rugosas e das roupas encardidas. Simplicidade é a palavra que mais repete. Sentado em um banquinho artesanal, conta do dia em que foi a uma loja no Centro comprar duas bicicletas. Os vendedores o ignoraram. Sujo e maltrapilho por conta do ofício, ele foi ao caixa para mostrar o montante de cédulas de dinheiro trazidos no bolso, como forma de protesto.

“Se tá sujo é porque trabalha. Quem trabalha tem dinheiro”, desabafa.
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