Animação de SC ganha destaque no Brasil

Filmes como “O Minhoca” e “Boris e Rufus” ganham espaço devido a incentivos e melhora na tecnologia

Por Anna Paula Silva

Nos últimos anos, o mercado de animação vem crescendo no país e se tornando destaque internacional. Um exemplo desse sucesso é o filme “O Menino e o Mundo”, indicado ao Oscar 2016 na categoria de melhor filme de animação. A obra, dirigida por Alê Abreu e produzida pela companhia Filme de Papel, conta a história de um menino que, sofrendo com a falta do pai, deixa a aldeia onde vive e descobre um mundo fantástico dominado por máquinas-bichos e seres estranhos. Tudo isso retratando as questões do mundo moderno através do olhar de uma criança. O filme foi vendido para mais de 80 países e levou mais de 100 mil espectadores aos cinemas franceses.

De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), grande parte do aumento se deve à facilidade de acesso a equipamentos e tecnologia, o que diminui os custos de produção. Outro fator que auxilia a expressividade do setor são os programas de incentivos promovidos pelo governo federal. Com os estímulos gerados pela publicidade, o número de obras — que, nas décadas de 1960 e 1970, somavam cerca de 60 — passaram para centenas de filmes, curtas, longas e publicitários na década de 1990.

Em Santa Catarina não é diferente. Entre tantas outras produções, destaca-se o filme “Minhocas”, de Paolo Conti e Arthur Medeiros, produzido pelo estúdio Animaking, de Florianópolis. O longa é o primeiro brasileiro em stop motion ‒ uma técnica que utiliza a disposição sequencial de fotografias diferentes de um mesmo objeto inanimado para simular o seu movimento. O filme estreou em 2013, em cem salas de cinema, e atraiu mais de 150 mil espectadores. A obra conta a história da minhoca Júnior, um garoto de 11 anos que é acidentalmente levado para fora da terra, tendo que se adaptar a um novo mundo completamente desconhecido.

Outro exemplo é a série “Boris e Rufus”, que será a primeira de animação catarinense. A produção de Filipe Cargnin e Elisa Baasch fala sobre os desafios da amizade entre um cachorro e um furão diante dos dilemas da atualidade, como a influência da internet e das novas tecnologias. Boris é um cachorro que preza, acima de qualquer coisa, pelo seu sossego. Orgulhoso, ele afasta os outros, tentando fazer tudo sozinho e à sua maneira. Rufus é um furão que pensa ser um cachorro. Ele é bobalhão e desatento, o que acaba por colocar todo mundo em enrascadas. Leopoldo é um gato famoso, cheio de fãs e nada modesto.

Cargnin conta que a série surgiu a partir da observação do modo como cachorros e gatos são retratados na internet. “A ideia inicial contava as aventuras de Boris, um cachorro ranzinza, que competia com Leopoldo, seu vizinho gato, criando vídeos para a internet. Mas, hoje, a história é muito mais do que isso. E isso se deve principalmente pela chegada de Rufus, o fiel companheiro de Boris”. A série está sendo produzida pelo Belli Studio que já produziu “Meu Amigãozão” e “Carrapatos e Catapultas” e será exibida pelo canal Disney XD no Brasil e nos demais países da América Latina.

Mas as novidades não são apenas do mercado. Neste ano, a UFSC inaugurou o primeiro curso universitário de animação do país. O segmento que antes fazia parte do Curso de Design passou a ter estrutura própria. O objetivo é preparar profissionais mais qualificados para esse mercado que ganha força no país, por meio do Grupo Educação e Entretenimento (G2E). A equipe, coordenada pela Professora Mônica Stein, tem como objetivo pesquisar dentro da economia criativa, o universo do entretenimento. O grupo projeta jogos, animações e histórias em quadrinhos com foco educativo ou comercial. Ele é o mais atuante em animação 2D dentro da UFSC e surgiu em 2011. Hoje, conta com 54 integrantes entre graduandos e egressos de diversos cursos.

Entre os trabalhos produzidos pela equipe, ressalta-se o The Rotfather, um projeto transmídia que, com base na mesma história, desenvolve diversos produtos, como jogos digitais, jogos de cartas, histórias em quadrinhos, webséries e até um jogo de realidade virtual. O trabalho é focado na qualidade estética, replicando as características dos grandes estúdios de animação. The Rotfather conta a história de Al-Kane, um rato traficante de açúcar que vive nos esgotos de Nova York, na década de 40. O trabalho é todo feito em conjunto, desde a criação da história, do roteiro e dos personagens até a divulgação e comercialização. O projeto tem como objetivo provar que a indústria do entretenimento deve ser pensada além de “indústria de joguinhos”, tornando-se a primeira criação na universidade a ser comercializada. Com esse exemplo de pioneirismo, a professora Stein aposta no potencial de concorrência da animação do país diante da indústria cultural estrangeira. “Há pessoas talentosíssimas no Brasil, que criam produtos capazes de competir com as grandes empresas internacionais atuantes no mercado”.

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