Balsas podem sair do papel e virar realidade

Quem já enfrentou uma fila na ponte, certamente pensou na possibilidade da implantação de um sistema de transporte marítimo público em Florianópolis. Desde 2010, essa ideia vem sendo pensada a partir do I Seminário sobre Transporte Marítimo, realizado em parceria com a Prefeitura, o Banco do Brasil e cooperativas de barqueiros de Florianópolis. Travessias experimentais foram feitas por autoridades da Prefeitura, Câmara de Vereadores e Assembléia Legislativa de Santa Catarina com o intuito de estudar a viabilidade desse meio de transporte na Ilha. Como resultado, um projeto concluído em maio do ano passado está guardado nas salas do Departamento de Transportes e Terminais do Estado, o Deter, pronto para ser posto em prática.

Ainda em fase de estudos de demanda, o sistema consiste inicialmente em dois terminais anexados a trapiches de 75 metros de extensão. Um situado no Centro, próximo à passarela Nego Querido, e o outro na Beiramar de São José, situada no bairro Campinas. Estruturadas com hall de acesso ao píer, bilheterias, salas de espera, afirma que o projeto ainda está para escritórios, área técnica, lojas, banheiros e lanchonetes. O projeto apresenta também acessibilidade completa para portadores de necessidades especiais e um sistema de climatização. O horário de funcionamento inicial seria das 6h às 23h, sujeito a mudanças. Caso os resultados sejam positivos, o trabalho ainda possui outros dois possíveis pontos de implantação, um no centro de Biguaçú e mais um no bairro Barreiros.

Tomando café sentado na portaria de um prédio público, um segurança contemplava sereno a multidão que passava pela rua. Quando ouviu falar sobre o tema transporte marítimo nas baías da capital, seu olhar mudou com convicção. “Isso aí já é assunto antigo na cidade. Todo mundo aqui sempre quis essa opção de transporte, mas a gente sabe que tem muitos interesses por trás e no fim nunca acontece nada”, diz o porteiro, que não precisava de muitas perguntas para expressar sua indignação. Explicava que o trânsito na cidade está caótico e precisa de soluções alternativas. Ainda que bem posicionado, não quis se identificar.

Gerente de Transportes Hidroviários do Deter, Nildo Nazareno Teixeira afirma que o projeto ainda está parado porque as documentações enviadas para a Fundação do Meio Ambiente (Fatma) e para a Superintendência do Patrimônio da União (SPU) ainda estão incompletas, mas que no mês de outubro haverá uma adequação. Davi Vieira da Rosa Fernandes, servidor da Fatma, confirma que recebeu duas vezes as documentações do projeto, porém estavam irregulares. Garantiu que feitas as correções necessárias, em um mês as licenças seriam concedidas. Uma vez tendo as licenças, a empresa imbitubense BB Barcos terá autorização para começar as construções, providenciar as embarcações e determinar os preços.

Em meio a frequentes telefone mas e atendimentos presenciais, outra pessoa interessada no transporte marítimo em Florianópolis conversou com o Zero. Esta servidora do SPU/SC, que não quis se identificar, mora há poucos anos na cidade e nunca entendeu por que não existe esse tipo de serviço nas baías que cercam a Ilha.

Novo transporte promete redução dos gastos na infraestrutura de Florianópolis

Esperançosa, torce para que o projeto atual não fique engavetado e explicou um dos principais entraves. “Projetos de iniciativa privada acabam enfrentando mais burocracia, o que infelizmente pode atrasar a rapidez da sua realização”. Analisando os quatro processos do projeto em questão, a funcionária lembrou do transporte hidroviário do Rio de Janeiro, realizado pela empresa CCR Barcas na baía de Guanabara. Segundo o site da empresa, sua frota composta por 15 catamarãs e nove barcas tradicionais transporta 29 milhões de pessoas por ano com tarifas de R$ 5 a R$ 14. A US200, embarcação mais moderna entre elas, apresenta sistema de climatização, bicicletários, e tem capacidade para dois mil passageiros. Algumas das vantagens apontadas pelo projeto engavetado no Deter são o baixo custo de operação por passageiro, a alta previsibilidade do tempo de viagem e a segurança. Além de reduzir o índice de poluição por passageiro e investimentos na infraestrutura da cidade.

As duas empresas vencedoras das licitações que elaboraram o projeto são catarinenses. As partes terrestre e aquática foram feitas pela Iguatemi Consultoria e Serviços de Engenharia, de Florianópolis, e a de dragagem foi produzida pela empresa Patrimônio Arquitetura e Urbanismo, de Laguna. Todos os custos de implantação e operação estão a cargo da iniciativa privada com fiscalização do governo por meio do DETER. Dado o primeiro passo para que comecem as construções, serão necessárias licenças da Fatma e da SPU. Além disso, as embarcações devem passar por vistorias da Marinha do Brasil. Antes mesmo de o projeto receber estas liberações, a empresa BB Barcos ganhou a concessão para realizar as obras e depois operar o transporte durante cinco anos, período em que será feito um estudo de viabilidade econômica.

Floribike não atrai financiadores e é adiado

Trânsito caótico preocupa a população, que pede melhorias e mais opções de locomoção

A exemplo de cidades como Rio de Janeiro, oprojeto, formada por uma comissão, se reuniu novamente na Secretaria de Mobilidade Porto Alegre, Salvador, Brasília e São Paulo, acapital catarinense aguarda mais um projeto que promete amenizar problemas de mobilidade urbana. A implementação do serviço de bicicletas compartilhadas, o Floribike, que se arrasta por mais de cinco anos entre propostas e editais, na última semana sofreu modificações para acelerar as construções.

Originado a partir do Projeto Velocidade, cujo o objetivo era ampliar e melhorar a circulação de ciclistas na cidade de Florianópolis com criação de rotas e a conscientização dos motoristas, o Floribike consiste na construção de ciclovias e de pontos de aluguel de bicicletas em locais estratégicos da cidade, especialmente na área universitária. Além de melhorias no tráfego nas principais avenidas e na segurança dos ciclistas, o projeto visa promover um transporte limpo, menos poluente.

No dia 01 de outubro, a coordenação do Pública, na sede da Prefeitura, para discutir a elaboração de um novo edital, uma vez que o último redigido em abril não atraiu propostas de empresários para financiar o projeto. Segundo o presidente da comissão e Coordenador da Central de Inteligência de Transito Geovanni Reis, a modificação da Lei complementar no 078/2001, que não permite publicidade em bicicletas, poderá ajudar a dar andamento ao projeto. “Na atual situação de crise, nenhuma empresa vai querer arcar com com um projeto desses sem um retorno”, diz o coordenador.

No ultimo edital emitido em abril, outra modificação já havia sido feita. As ciclovias que antes seriam financiadas por empresários, agora passam a ser responsabilidade da própria Prefeitura. Com as novas modificações, o prazo de novembro, garantido pelo Secretário Municipal de Mobilidade Urbana Vinícius Cofferri, também será alterado, assim como o número de estações de aluguel.

Texto e Imagens: Daniella Coriolano, Laura Prada e Roberto Granzotto

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