As Sufragistas

A minha família é composta em sua grande maioria por mulheres. Irmãs, primas e tias, que em algum momento de suas vidas sofreram uma virada radical que as fez mudar (para melhor). Uma prima que conquistou o diploma, uma tia que conseguiu estabilidade financeira ou uma irmã que se recuperou de uma doença grave. As histórias são inúmeras, e elas apenas entram para engrandecer uma luta que começou desde a Revolução Industrial na antiga Londres, como retratado em As Sufragistas.

Suffragette (Universal Movies)

No início do século XX, após décadas de manifestações pacíficas, as mulheres ainda não possuem o direito de voto no Reino Unido. Cansadas, as mulheres partem para a desobediência civil, sendo brutalmente reprimidas pela polícia. Maud Watts (Carey Mulligan), sem formação política, descobre o movimento e passa a cooperar com as novas feministas.

O longa possui uma atmosfera vintage, capaz de fazer você sentir o clima sombrio vivido pelas mulheres numa época em que somente os homens governavam. Ele trás o drama de Maud como forma de retratar a invisibilidade que a mulher tinha e o quanto a sua figura era insignificante.

Suffragette (Universal Movies)

Do inicio ao meio do filme o espirito sufragista de Maud é colocado em teste conforme as situações em que ela vai vivendo. Desde humilhações e assédios sexuais em seu ambiente de trabalho (uma lavanderia) até o abandono por parte de seu marido, a sra. Watts começa a se sentir cada vez mais atraída pela causa sufragista e percebe que não terá seus direitos respeitados enquanto não lutar por mudanças.

O roteiro e a ótima direção de Sarah Gavron faz de uma ótima forma o despertar e ao mesmo tempo a revolta na protagonista e no espectador diante da injustiça e da violência contra a mulher, tanto física quanto moral. Conforme Maud vai descobrindo o preço de ser uma rebelde, que é ser assediada, espancada, encarcerada e, ainda por cima, ser vista como uma pária na família, por deixar de exercer o esperado papel de “boa mãe e boa esposa”, os espectadores começam a perceber que até hoje todos estes atos e exigências ainda ocorrem com as mulheres no mundo.

Particularmente fiquei muito desapontado por Carey Mulligan não ter sido indicada ao Oscar pela sua brilhante performance na pele de Maud Watts. Nem mesmo Helena Bonham Carter, que também fez um excelente trabalho, conseguiu chamar a atenção da academia. Por outro lado, Meryl Streep trás com sua participação especial a poderosa lembrança do prêmio, fazendo com que não nos esqueçamos com que nível de produção estamos lidando.

Suffragette (Universal Movies)
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