Desvão
Já morro de amor e saudades. Morro qualquer dia desses, dias desses que você me larga, só. Dias que você me renega conversa, me disfarça o riso e me franze a testa de preocupação e dor. Dia desses você me pegou pelo punho, me abraçou a cintura e me beijou o pescoço. Num frio qualquer dessa cidade cinza, a gente queria cama e cobertor. Seu cheiro, sua roupa, sou voz. Tá tudo aqui. Bem aqui dentro. Sofro numa ausência sentida. Uma ausência qualquer antecipada. Você nem foi. É só amanhã. Mas o coração aperta e conta qualquer hora pra aquele encontro. Vou remoer e beber saudades. A semana inteira.