Do tempo

Eu faço samba, amor e prosa até mais tarde. Eu faço planos, planos e mais planos. Desenho, resenho, escrevo, rabisco. Desisto. Penso nos seus olhos e na minha saudade dos seus joelhos. Lembro da minha infância. Do cheiro de alfazema barata. Do calor que fazia no quarto. Escrevi sobre nós esses dias. Enumerei os erros. Refiz as contas dos meses e passei a régua. Comi pão. Bebi leite e saudade. Mais saudade. É. Você incomoda e se entranha na minha rotina. Desenrola o teclado do meu computador. Derrama o que sobra de vontade. Desfaz os nós. Os nossos nós. De tempos em tempos eu revejo tudo, repagino e refaço o que sobrou. Recolho os cacos. Talvez seguir em frente seja o final feliz, segundo o clichê. Eu procuro acreditar.

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