Sobre quase nada

Eu não queria que você tivesse desistido. Eu queria que você tivesse me colocado em tantos lugares e não no fim das suas conversas no WhatsApp. Eu queria ter ouvido da tua boca que você não me queria mais. Que sou desinteressante e louca. Que o seu coração gosta mais da atenção que ela te da. Que sou solta na vida, que você não conseguiria segurar a minha mão por tanto tempo.

O pouco tempo em que levantei os pés pra te beijar. O curto tempo em que confessei, daquela vez na volta pra casa, o quanto eu te queria logo. E rápido. E devagar. E rápido.

Você preferiu apertar o quase. Jogar pra escanteio. Desistiu do campeonato de me ganhar. O meu troféu é esse, é essa saudade que me assola todas as noites e faz um jogo de perde e ganha com as minhas (poucas) lembranças. Meu troféu é um quase escondido entre os dedos e vontade absurda de gritar que você me deve uma satisfação qualquer. Que eu mereço te ouvir reclamar e me rejeitar em voz alta, que esse silêncio solidifica e desfaz o afeto. Que essa distância suga minha criatividade diária e me deixa opaca. Eu mereço te ouvir me mandar embora dizendo que você nunca me quis mesmo e aquele seu rompante de ousadia ficou pra trás. Eu mereço.

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