Sobre solidão e outras drogas

A porta aberta e o silêncio invadem o domingo chuvoso e frio, desses típicos de inverno. Aqui dentro sobram incertezas, imperfeições e uma sensação quase infantil de que o mundo é grande demais. E eu pequena. São somas de grandes desejos atreladas a pouco tempo. Tempo esse que voa e eu já vou fazer 25. Talvez tenha sido ontem que eu me sentia tão só e deliberadamente preterida pelo amorzinho adolescente. Vai passar, eles diziam. Você é jovem. Tem muita vida pela frente. E eu acreditei. Nesses dez anos que ganhei, cicatrizes nasceram. Pessoas nasceram. Amores foram embora. A sensação eterna de despedida, de estar sempre indo embora, de ser passagem, só essa permanece. Sobre permanências e dedicações, eu digo aqui que foram bem poucas. Pouco durou o encanto, logo veio qualquer desapontamento. Não teve mensagem de madrugada nem eu te amo baixinho. Teve briga, nunca reconciliação. Nunca abriram concessões para os meus defeitos. Enfiavam minhas qualidades numa caixa, guardada embaixo da cama. Enfeito o futuro e regurgito qualquer sentimento pra poder deitar a cabeça no travesseiro e sonhar. Até que sonhos não sejam mais necessários. Mas eu já nem acredito nisso mais.

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