Um montão de coisas
Eu tinha um monte de coisas pra te contar. Tenho. Mas não posso contar. Porque eu prometi a mim mesma que eu nunca mais ia abrir a sua janela nem pra contar da morte de alguém. Faz duas semanas hoje, mas o aperto no peito todas as vezes que qualquer rede maldita notifica a tua existência não depende da minha boa vontade em te ignorar. Faz duas semanas que eu faço um esforço gigante pra não ir até você, mesmo que seja por uma janela. Desde aquela quinta que você me disse aquele muito obrigado vago. Aquele obrigado qualquer. Uma gratidão que você teria por qualquer pessoa a sua volta. Porque você é sempre grato, né. Eu senti raiva, depois eu senti amor. E senti raiva de novo. Porque eu odeio tua indiferença e teu descarte. Eu odeio teus likes cheios de despretensão num dia que você acordou disposto a fazer com que eu me sinta uma pontinha especial. Só que isso melhora meu dia. E depois me entristece, porque você não abriu minha janela pra falar do gol de ontem. Eu odeio tua inércia escolhida e choro na minha cama quando lembro o quanto eu gosto de você e não posso fazer nada com isso. O quanto eu me sinto só num sábado à tarde, enquanto você faz qualquer plano que nunca vai me incluir. Eu tenho uma porção de coisas pra te contar. Eu continuo tendo.