Desculpe, mas preciso falar dos momentos

Me lembro como se fosse ontem, as luzes da cidade da grande São Paulo passando por mim em alta velocidade, o relógio no alto do prédio que sempre marcava a hora e a temperatura. O trajeto de quase uma hora e meia de todos os sábados que duravam apenas alguns minutos para mim e sabe por que passava tão rápido!? Por que eram bons momentos. Foram tantas as vezes, que eu decorei como atravessar a cidade. E como era bom aquilo. Eu me sentia importante, a princesa que precisava ser buscada pelo príncipe.

Estou escrevendo esse texto ao som de “Mumford & Sons — Believe”, por que eu preciso acreditar que essas memórias um dia existiram. Por que ouvíamos sempre essa banda dentro do carro, cantávamos juntos…. Fucking Pear Jam, Donavon Frankenreiter, Gavin DeGraw, as bandas que eu apresentava para quem eu amava e vice-versa.

Não sei se é uma amargura muito forte que dói, ou se são lembranças que acalentam o meu coração. Talvez a dor seja a da perda, a dor do saber que esse tempo não vai voltar.

Me lembro das manhãs ensolaradas que o sol cobria nossos pés entrelaçados na cama, me lembro das vezes que madrugávamos para jogar baseball em todos os lugares da cidade e interior, para treinar para os campeonatos, andar de Long Board no parque Villa Lobos, ir a praia, todas as manhãs que acordamos no domingo para fazer o curso, ou quando só acordávamos para decidir o que iriamos fazer, para ficar juntos, fazendo nada. Tomando sorvete Ben & Jerry’s, jogando Call Of Duty, brincando com as cachorras…. Me lembro do açai perto do banco do Bradesco, que tinha uma feira do lado. Era muito legal parar o carro antes de ir para casa e comer açaí sentada na calçada…

Me lembro do jeito que ele era incrível, focado, centrado, sério, divertido, bonito, magnético, forte, importante.

Ele era importante, até demais… Se tornou tudo aquilo que eu sentia que precisava para viver, se tornou o meu ar.

Mas eu não estou aqui para falar dele, estou aqui para falar dos momentos bons, por que falar dele dói lá no fundo. Por que hoje ele colocou outra em meu lugar. E isso para mim é como falir, eu fali no amor. Meu barco naufragou e eu estou viva sangrando (ainda).

Foram dois anos de burguer’s maravilhosos que comemos, fizemos o desafio de experimentar todos os burguer’s dos melhores restaurantes, deve ser por isso que hoje em dia sou saudável. Nós comíamos bem e sou grata por ele sempre pagar a conta, as vezes eu insistia muito e ele deixava eu “rachar”..

Me lembro do bouquet de flores que recebi quando fizemos 1 ano, eram as cores e combinações mais lindas que já vi na minha vida, chorei 1 litro de lágrimas e recebi uma carta que jurava amor eterno. Eu acreditei.

Eu sinto tanta falta desses bons momentos.

Eu precisava falar dessas memórias.
Por que a maioria está sumindo, mas vez ou outra, repentinamente, me vejo nelas, muito feliz, no passado que não tem volta.

Não, não sei dizer se superei, pois vejo o rosto dele em todos os caras que são parecidos, procuro o beijo dele em outros beijos, mas nada se compara. Ele era o amor da minha vida…

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