O Vão da Arte

Ações e contradições enquadradas no retângulo de concreto… Muito se acontece embaixo do complexo. 
 Suspenso, mostra o que há embaixo do tapete. No enquadramento de uma Segunda-feira qualquer, lá se pode contemplar o observatório da cidade, o observador e o observado. 
 
 O jornalista resenha com os olhos; A criança dança a música que sai do violão de uma das tantas rodas de amigos que passam à tarde por ali e o ambulante passa por cada uma delas 
 para oferecer o seu produto de hoje.
 
 Por baixo da exposição se vê os que lutam por voz, presentes de corpo e alma, “rabisco” na parede e grito em manifesto. 
 
 Embaixo do complexo, despreocupados os amantes se beijam; Exausto o homem de terno foge da rotina, olhando-a de baixo para cima. O cão fareja por todos os lados; O fotógrafo segue a sessão de clicks. À paisana, oficiais rondam; O pombo cisca o que lhe aparece pela frente, enquanto, de canto, o morador dali mesmo dorme em sua cama de papelão. 
 
 Dentro do retângulo se ouve mais de um idioma e se misturam as realidades, mas de lá parece que só se olha para fora ou para dentro de si mesmo. O refugio do caos pessoal é cheio do social, talvez as respostas estejam localizado bem ali, embaixo da caixa de vidro e concreto. 
 
 Quantas obras incompreendidas estão expostas no vão da Arte?

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