Clube dos que gostam de ler impresso (yes, we can!)

Nunca sofri o dilema de não saber qual faculdade seguir. Escolhi o jornalismo ainda criança. A opção tinha a ver com o fato de eu gostar de falar — e muito –, mas mais ainda pelo fato de gostar de ler e escrever. Colocar as palavras ali no papel, mesmo que ninguém fosse ver, sempre foi muito legal. E mais legal ainda sempre foi ler as palavras colocadas pelos outros no papel.

Bom, vamos falar de trabalho. Nos primórdios da ação integrada (completo 12 anos aqui) escrevíamos muito. Tínhamos revistas e informativos impressos em praticamente todos os nossos clientes. O tempo passa. O mundo evolui. E hoje sobraram poucas e boas publicações impressas por aqui. Tem a ver com sustentabilidade — pode pegar mal com os colaboradores o ‘desperdício’ com papel. Tem a ver com corte de custo — o ‘faz me rir’ investido no impresso foi alocado em outras frentes. E tem a ver com modernidade — precisamos ser tecnológicos e ponto.

Não é resistência, mas ainda acredito no impresso (calma, eu amo todas as plataformas digitais e morro se faltar internet). É possível sim fazer uma revista impressa que faça sentido, conecte e ajude no caminho de transformação das pessoas e dos seus comportamentos dentro das empresas (Fazer sentido, conectar e transformar está no jeito ação integrada de se fazer as coisas. Vem ver!).

E além de fazer o que a gente gosta, ainda fomos reconhecidos no Prêmio Aberje Nacional em 2016 — o principal da área de comunicação empresarial — com a Revista Essência do Grupo Boticário — maravilhosa, diga-se de passagem. Há espaço sim para o impresso. É fundamental evoluir, claro, e a própria Essência prova isso. A revista de hoje nada tem a ver com a revista de dois, cinco anos atrás.

E qual é a receita de sucesso pra conectar as pessoas à revista impressa? Alguns pontos importantes usados no planejamento da Essência e que podem ser aplicados em outros canais.

1. Revista factual — meramente uma cobertura dos eventos e iniciativas da empresa — com a velocidade das informações não faz mais sentido. Hoje a troca de dados é 133 vezes maior do que toda a troca realizada entre 1980 e 2010. Precisamos focar no que é importante, no que é relevante. Qual é a grande mensagem que a empresa quer passar?

2. Informação em excesso gera catatonia, torna o receptor indiferente ou paralisado. Devemos ajudar nessa curadoria de conteúdo e aqui reforço: menos é mais. Não precisa criar um canal para contemplar todas as áreas e atividades da empresa. Foque na mensagem mais importante que a organização quer passar.

3. O cérebro atua por processos bioquímicos. Por isso, cada “serumaninho” tem o seu próprio ritmo, mas é necessário fazer pausas para aumentar a produtividade. É importante desconectar, ter esse tempo de leitura. Com o impresso, o leitor vai consumindo do seu jeito.

4. 65% das pessoas se consideram aprendizes visuais. A gente leva a sério isso e sabe que a informação visual deve transmitir o necessário, e não ser usada à exaustão. Planejamento visual e de conteúdo caminham juntos.

5. E, por fim, recordamos com mais facilidade de algo associado a um contexto ou com importância emocional. Conduzi na última semana um focus group sobre a revista Essência com alguns colaboradores pra avaliar retenção e compreensão das mensagens. Os conteúdos mais lembrados eram os que traziam histórias de colegas ou clientes. A gente já falou aqui sobre texto afetuoso; as histórias que te emocionam, aquelas que você quer compartilhar com os familiares ou amigos que marcam. É preciso atrelar estratégia de negócio e mensagens corporativas às histórias das pessoas.

O impresso deve morrer de vez? Essa coisa obsoleta deve amargurar seus últimos dias? Não é bem por aí. O elemento físico tangibiliza o jeito de ser da empresa. É o vínculo, a conexão da empresa com o colaborador. Dá sim pra usar canais tradicionais de forma inovadora. Reinventar-se sempre está na moda.

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