Meu ThinkPad X200 é um guerreiro

Em julho de 2016 eu adquiri um ThinkPad X200 de segunda mão pelo MercadoLivre. A máquina chegou em estado cosmético muito bom, com bateria nova e aparentando funcionar perfeitamente. Imediatamente recebeu uma instalação do openSUSE Leap 42.1 e permanece sendo usado até hoje. A ideia era poder carregar uma máquina de custo baixo devido à idade, mas com performance equilibrada entre desempenho e boa autonomia de bateria. E o “bichinho” veio completo, com o notebook chegou também uma docking station.

O modelo da Asus era simplesmente imenso

Fiquei tão feliz com o “pequeno notável” da Lenovo, que me desfiz de um desajeitado Asus Vivobook comprado em 2014. Troquei um i5 por um Core 2 Extreme. A memória RAM disponível caiu pela metade, de 4 para 8 gigabytes e o espaço em disco agora era uma pequena fração do latifúndio de 1 terabyte que eu tinha, com 320 GB. Não era a máquina mais rápida do mundo, mas minhas costas estavam agradecidas pela leveza.

Gostei tanto do pequeno ThinkPad que vendi o notebook da Asus para o meu irmão e estava todo feliz e pimpão. Ousei: que tal comprar mais memória para o desktop, um leitor de cartões e um cooler decente, para poder editar vídeo digital?

Menos de seis meses depois, minha tentativa de trocar o cooler da máquina desktop, que então seguia sendo minha principal, um i7 930 montado em 2010 dentro de um gabinete da série da HAF da CoolerMaster, significou um prejuízo de milhares de reais: curto-circuito, algo havia dado errado, lá se foram placa-mãe e o processador. Uma placa-mãe Gigabyte e um processador AMD FX com desempenho sintético pouco melhor ao i7 930 foram adquiridos, mas poucos dias de funcionamento depois, outro curto-circuito colocava um duro ponto final à brincadeira e selava mais um prejuízo de mais de mil reais à minha conta bancária.

O que fazer? Nada. Meu desktop tinha 18 GB de RAM e acabara de receber uma “cirurgia” no sistema operacional, que contou com a compra de dois discos Seagate de 3 TB e a instalação do openSUSE Leap 42.1 para substituir o openSUSE 13.1. Era uma baita máquina, mas decidi que minha conta bancária não sangraria mais do que já havia sangrado… meu poder de compra hoje não é mais o mesmo e minha rotina impõe severas restrições quanto à possibilidade de usar um desktop durante horas. Fiz várias cotações mesmo assim, mas todas exigiam somas expressivas de dinheiro. Não havia nada a fazer.

Ou melhor, havia: fazer mais com menos, voltar aos “tempos de moleque”. Se eu comecei a usar Linux no mesmo 486 que conservo até hoje e a máquina não apenas me serviu como “templo de produtividade” para produção de trabalhos escolares, mas também me rendeu incontável horas de diversão com jogos para DOS, por qual motivo não conseguiria me virar com um Core 2 Extreme? Ponderei: são dois núcleos de 2.4 GHz.

Aproveitando a versatilidade da docking station, reorganizei a mesa de forma a poder aproveitar um dos dois monitores do defunto desktop, além de manter impressora, teclado e trackball sempre conectados. Mais: com uma DuoDock da Akasa e um ventilador USB, garanti acesso aos meus dados sem abrir mão da resiliência do RAID e sem permitir superaquecimento dos HDs, ainda que a solução da Akasa não seja perfeita, já que os discos ficam expostos e podem ser mais facilmente danificados ou roubados, mas ei: nenhum centavo a mais foi gasto! Mentira, o ventilador foi comprado depois e comprei também uma base para deixar o ThinkPad mais alto e melhor acomodado na mesa.

Inicialmente o XFCE era o meu ambiente de escolha na hora de utilizar o ThinkPad, afinal, causa menos estranheza quando algum colega da universidade chega perto do computador e ainda facilita o uso com vários monitores, além de ser inegavelmente mais fácil de configurar. Só que a memória não dava conta, mesmo abrindo mão de pesos pesados como o Google Chrome na maior parte do tempo, eu conseguia esgotar 4 GB num piscar de olhos. E agora, tem jeito? Tem sim, decidi polir a configuração do FVWM que eu utilizava no desktop para readaptá-la a uma vida menos estática. Até então eu só havia copiado os arquivos da minha configuração personalizada, mas sem qualquer ajuste (não que precisasse de muitos).

Um breve teste com o FVWM em 2016, poucos ajustes eram necessários

Com o FVWM passei a poder rodar o Chrome em algumas situações e também a poder usar o VirtualBox sem tantos problemas. Ainda consigo esgotar a memória, mas preciso exigir muito mais do computador. Usando um simples script para detecção dos monitores, me certifiquei de que poderia trabalhar de forma similar a um desktop também no FVWM. O script é simples, servindo para desligar a tela de 12" quando o monitor externo está conectado, garantindo que eu possa trabalhar e vadiar em resolução full HD.

#!/bin/bash
EXTERNAL_OUTPUT=”VGA1"
INTERNAL_OUTPUT=”LVDS1"
xrandr |grep $EXTERNAL_OUTPUT | grep “ connected “
if [ $? -eq 0 ]; then
xrandr — output $INTERNAL_OUTPUT — off — output $EXTERNAL_OUTPUT — auto
else
xrandr — output $INTERNAL_OUTPUT — auto — output $EXTERNAL_OUTPUT — off
fi

Recentemente passei dias debruçado em programas como QGIS e TeXstudio, produzindo um trabalho de conclusão de uma disciplina. De boa, o ThinkPad segurou a barra. Eram mais de 20 janelas, muitos PDFs no Atril, muitos diretórios no ROX-Filer, terminais por todos os lados, abas e mais abas se acumulando em múltiplas janelas do SeaMonkey, mensagens de correio eletrônico sendo lidas no Claws Mail, fotografias em alta resolução sendo visualizadas no Geeqie e editadas n’O GIMP, tudo, tudo fluindo. Aparentemente abrir mão do XFCE garantiu algumas centenas de megabytes extras de memória — não cheguei a tentar olhar os números para comparar melhor, lamento.

E foi assim que percebi que ainda consigo fazer mais com menos e que, como acredito desde que iniciei meu contato com sistemas baseados em Linux, o sistema do pinguim funciona muito bem em hardware supostamente obsoleto. Há limites, claro, mas vale lembrar que em breve meu ThinkPad fará nada menos do que 10 anos. É um guerreiro.

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