F͇̲̤̗̘̗̱̱̰͓̯͎̜͚͍̘ͣͪ͒͂ͪ͊̽ͯͬ͋ͬ͛̆ͧͬͫ̿͜I̶̱̪͔̦͇̝͈͈̮̣͋ͨ̄ͪ̌̾̾̓ͦ̋̉̒͂̚͠ͅN̴͚̲̱̲͖͎ͦ̊̌͐͆́̍ͥ̓ͬ͂̑͘͘͠A̶̡̺̜̜͓͖̪̦͖͙͈̠̞̞̭̘̣̟̟̋̔͊́̒ͥ͂ͪͧ̑̀̾̚͠Ḷ̨͖͚̭̗͆͌̆̀́̀̕͘͝I̳̤͔̲͎͓͖̰̤̗̜͙̖͖̗̭͈ͣ̆̐̽̆ͪͭ̈́͊ͪ̃ͫ̚̕͟͞D̴̡̮͉̩͖̦̜͔͎̤̣̳͇̦̺̠̃̓̐ͤ̌ͤ̓ͣͅÂ̖̩̥̯̳̭̜̼̺͛ͨ̉͆͂̾̄͊̋͘͝D̛̛͖͎͖̫͙̰̲̬̹̥ͬ̊ͪ̍̒͂͗ͯͬ̐͌͠ͅĔ̇̔̇̑͏̩̙̳̦̬̯̗͞S̵̹͙͖̪͎̃̈̒ͬ̃̕̕͟͝

Quais são seus fins?

N̲̙̪ͤ͐͒̌ͩͦḁ͈͙̃̋oͨ ̬͎̹̇ͭͪͫ̋͗̔hͥ̋͑̅̔̆͜á͚͙̜ͯ̌ͣ̓̆̉ ͉̺͖̜͉̱͚f̫͋̽̓͑̔̍̓ḭͯ̄͐m̘͒ͦ, ̑̎̉p̍ͣo̫̪̘͔̪͈ͬͨ͌ͯ͠ŗ̫͉̪ͨ͆̚q̟̦̤̦̦̠̻ͩu̶̺̙͇̲̲͔̍e̞̙̖͍͊ͦ͐̇̂ͯ ͓̖̩̜͊̐̔ͪ̾̍̑͢ț̙̫̳ͮ̓̆o̲̩̒ͤ͛́̀d̹̦͚̳̗̽̉͐͢o̲͎͉ͩͪ̅̂͜ͅ ̿ͪf̝̟̫̥̮̂ͯ͌ͩ͒̀͠i̟͖̬̺͔̓͂̚m̰̣ͣ͌̍̍͊͆̉͞ ̗͉̦̙̘͇̈́͑̈ͨͬ̔ͅs̲͇̏ͩͥ̇̒e̝̣̫͔̫͂̌ͬ́ ͇̺̭̼͕̺̽r͐͊͆͌ͧ̈́̐҉e̠̯̬̣̤͗͜p̵̪̯̖̺̙̃e̝̿̅ͬ̚t̹̦́̂͜e n̴͖̟͖̟͉͇͔̯̩͎̺̜̞̼̜ͩ̌ͫͪ̆̌̒ͫ̊ͧ̆͆ͯ͐̃̈̌̊̔̀͘͜ͅḙ̵̢̹͕͓͈̱̪̘͉͙͖ͣ̑ͨ̚͜͠͠ͅl͕͍͇̳̠̖̟̼̰̲͙͈̲͋͛ͬ̌́̕͜͜͠ȩ̑͗̓ͬ͜͢͏̷̞̬͉̝̦̠͇̘͇͎̦̮͕̮̥̺͙ ̵̡ͫ͌ͮ̐͑ͨ͊̇̑ͨͯ̉̿̀̚҉̘̼͉̦͚͎m̷̢̛̞̖͔̰̥͚̳͇͓̹̗̖̫̬̞͇̙̩̒ͩ̽̂ͥ͆ͧͧ̉͗͜ȩ̴̶̛͇̙̻͎̝͍̩͇͍̠̙̩̫͕̳̝̝͋̌ͤ͐̊̂ͮ̃ş͍̮͇̗̲͇̞͈̪̠̟̠̦̥̔̊̒͛ͩ̑ͫ̅͂ͩ̂ͭ͆ͮ́̄ͨ̍̚̕͢m̴̻͙̹͙̩̞̖̫̫̬̳͍̫͉̳̠̦̬̼̏̿̉͋ͤͫͧͨ̅̃ǫ̲̥̦̦͙͍̞̙̩̥͍͍̺͎̖̮ͧ̓̽ͪ̈ͪͤ̿ͭͫ͋̚͟
N̲̙̪ͤ͐͒̌ͩͦḁ͈͙̃̋oͨ ̬͎̹̇ͭͪͫ̋͗̔hͥ̋͑̅̔̆͜á͚͙̜ͯ̌ͣ̓̆̉ ͉̺͖̜͉̱͚f̫͋̽̓͑̔̍̓ḭͯ̄͐m̘͒ͦ, ̑̎̉p̍ͣo̫̪̘͔̪͈ͬͨ͌ͯ͠ŗ̫͉̪ͨ͆̚q̟̦̤̦̦̠̻ͩu̶̺̙͇̲̲͔̍e̞̙̖͍͊ͦ͐̇̂ͯ ͓̖̩̜͊̐̔ͪ̾̍̑͢ț̙̫̳ͮ̓̆o̲̩̒ͤ͛́̀d̹̦͚̳̗̽̉͐͢o̲͎͉ͩͪ̅̂͜ͅ ̿ͪf̝̟̫̥̮̂ͯ͌ͩ͒̀͠i̟͖̬̺͔̓͂̚m̰̣ͣ͌̍̍͊͆̉͞ ̗͉̦̙̘͇̈́͑̈ͨͬ̔ͅs̲͇̏ͩͥ̇̒e̝̣̫͔̫͂̌ͬ́ ͇̺̭̼͕̺̽r͐͊͆͌ͧ̈́̐҉e̠̯̬̣̤͗͜p̵̪̯̖̺̙̃e̝̿̅ͬ̚t̹̦́̂͜e n̴͖̟͖̟͉͇͔̯̩͎̺̜̞̼̜ͩ̌ͫͪ̆̌̒ͫ̊ͧ̆͆ͯ͐̃̈̌̊̔̀͘͜ͅḙ̵̢̹͕͓͈̱̪̘͉͙͖ͣ̑ͨ̚͜͠͠ͅl͕͍͇̳̠̖̟̼̰̲͙͈̲͋͛ͬ̌́̕͜͜͠ȩ̑͗̓ͬ͜͢͏̷̞̬͉̝̦̠͇̘͇͎̦̮͕̮̥̺͙ ̵̡ͫ͌ͮ̐͑ͨ͊̇̑ͨͯ̉̿̀̚҉̘̼͉̦͚͎m̷̢̛̞̖͔̰̥͚̳͇͓̹̗̖̫̬̞͇̙̩̒ͩ̽̂ͥ͆ͧͧ̉͗͜ȩ̴̶̛͇̙̻͎̝͍̩͇͍̠̙̩̫͕̳̝̝͋̌ͤ͐̊̂ͮ̃ş͍̮͇̗̲͇̞͈̪̠̟̠̦̥̔̊̒͛ͩ̑ͫ̅͂ͩ̂ͭ͆ͮ́̄ͨ̍̚̕͢m̴̻͙̹͙̩̞̖̫̫̬̳͍̫͉̳̠̦̬̼̏̿̉͋ͤͫͧͨ̅̃ǫ̲̥̦̦͙͍̞̙̩̥͍͍̺͎̖̮ͧ̓̽ͪ̈ͪͤ̿ͭͫ͋̚͟

Mais um texto, mais uma brisa (HEHE)

Se você não entender algo, apenas continue a nadar.

fi·na·li·da·de | substantivo feminino
1. Fim determinado | 2. Sistema filosófico que a tudo atribui um fim determinado.
Dá um play M̥̱̬̰̭͔̼͐̑̋̈ͤ̃̋̂̎̈́̀̌͟ͅa̬̜̗̳̝͇̭͙͍̘ͭ̓̉͊̂͌̀͡͠r̷̟̝̮̞̫̘̖̪͎͈͖̗̞̯ͭ̂͂͑͂̉ͭ͌ͪ̃́o͉͍͍̭̭̙͎͇̻̥ͧ̔̐͒̾̓ͬ̽̋ͣ̔ͣ͌̏̑̀̀ţ̸̸̥͈̦̝̦̱̰̘̬̘̙̜͍͕̙̗̗̿̓͒ͥͅǫ̵̞̳͙̹͍͎̮̭͔͖͈̭̤̙͌͒͑̎ͨ̒̆ͫ̾̽̏ͧ̒ͯͨ̈͠ͅ

Síntesis

Neste texto eu pretendo abordar melhor o conceito do eterno retorno e tentar explicar de maneira inteligível como a diferença e a repetição se mostram como agentes de um fluxo que perpetua univocidades e singularidades dentro de uma multiplicidade de devires e tempos comuns (plano de imanência ou aqui). Em seguida, pretendo abordar o conceito de Teleologia, a crise pela qual passou na idade moderna e tentar propor um Design sem propósito, aliado ao conceito de Fim da Arte, presente nos escritos de Danto e Hegel.

O que é um fim?

Para pressupor um fim, inevitavelmente precisamos crer num começo (o início do objeto da finalidade); logo, algo que começa e tem fim. Um processo, por si, implica em decorrência de tempo ou espaço; um fluxo, um ciclo que atinge sua plenitude e portanto se finda nele mesmo. Ou seja, ao pensar num fim, pressupomos muita coisa além dele. Contextualizamos o fim porque, para tê-lo, precisamos de um começo e um meio. Não nos ensinaram assim, sempre?

É difícil explicar sem dar exemplos práticos, então vamos abstrair muita coisa. Espero que acompanhe. O fim de algo é quando um ciclo, um processo, algo que ainda não está findado atinge sua conclusão, seu término. Que o que ainda não estava acabado, então acabe. Como no conceito de um todo a partir do nada, precisamos retroceder e recorrer a um processo: uma duração, para que consigamos pensar num fim, um encerramento. A partir do momento que ela se instaura, seja como for, pressupõe-se um começo — enquanto concepção, criação (ou aqui)— e uma plenitude, uma conclusão, desfecho — quando o ciclo ou processo cessa de existir enquanto processo para virar um fim, um objetivo, uma conclusão — é aí que conseguimos uma pista sobre o fim. Concebemos então esta finalidade enquanto duração, sempre olhando o estado das coisas quando se sujeita-as ao tempo, essa permanência do objeto de um presente a um passado. Essa transcendência de algo enquanto concebido_(passado), como processual_(presente) e enquanto finalidade_(futuro). O gerúndio sempre me facinou.

FIM — (latim finis, -is, limite, fronteira, termo, alvo) — substantivo masculino
1. Termo, cabo, remate, conclusão.|2. Extremidade.|3. Morte.|4. Resultado.| 5. Escopo, desígnio, alvo.|6. [Lógica] Causa.

Finalidade surge como algo que não existe enquanto fim, ou seja: algo que não se mostra em seu devir-fim se instaura, um objetivo, uma meta, um à partir disso deixar de existir como meio para ser fim. Isso quer dizer que o fim começa pela imposição de um tempo a decorrer. Novamente, o fim se evidencia pela duração, pois se dura, acaba. Se não dura; o é (pense no [in]finitivo dos verbos). O ser não pressupõe fins, ele apenas repete com a esperança algorítmica de que se levará a um fim. Finalidade, então, existe no presente, e sempre existirá no presente até sua conclusão, em eterno gerúndio até que o particípio chegue; o presente projetado e iminente. O fim é quando ele mesmo deixa de o ser para ser algo transcedental, incorporando um devir-gênese ao devir do fim. Wow, só um momento. *heavy sights*

A finalidade de uma faca é cortar carne. 1. Eu pego a faca; 2. Eu seguro a faca; 3. Eu corto a carne; 4. Eu lavo e guardo a faca. Retrocedendo um pouco: quando eu vi a faca eu sabia o que era uma faca. E conhecendo a faca, eu sei pra que ela serve. Então… eu repito tudo de novo. 1. Eu pego a faca; 2. Eu seguro a faca; 3. Eu corto a carne; 4. Eu acidentalmente me corto no processo; 5. Eu cuido do corte e continuo cortando a carne; 6. Eu lavo e guardo a faca. A finalidade é, senão, o pressuposto de uma repetição utilitária. O acontecimento neste caso é o corte — do dedo ou do alimento? Pois ambos são carnes — ou é a faca? O acontecimento é múltiplo — será ele o determinante causal da atualização — ou ele é singular?

Não tenho tantas respostas assim, mas veja bem: a repetição se dá pela diferença, e a diferença se repete no modelo utilitário bem como o sensível — pelo utilitário ser derivado do sensível. Neste caso, a repetição é por hábito, ela se repete por objetivos — e não pelo prazer sensível, ou pelo indeterminado — e nestas operações utilitárias, surge o Design enquanto articulação utilitária dos símbolos (friso para a denotação teleológica do Design). ____///___._/

easter egg #7̸͗̃͂ͦ̋́ͤ̓̃͊͋͊̏̋̎͌ͦ̋҉̶̙̩̩̩̲̮̩̫͢

Acontecimentos

Vamos falar de acontecimentos, de acordo com Deleuze?

“Então não se perguntará qual o sentido de um acontecimento: o acontecimento é o próprio sentido. O acontecimento pertence essencialmente à linguagem, mantém uma relação essencial com a linguagem; mas a linguagem é o que se diz das coisas.” (LS pg 34)
“Ora, a distinção por meio da qual Deleuze pretende remediar essa dupla desnaturação passa ao mesmo tempo pela linguagem e pelo mundo: o paradoxo do acontecimento é tal que, puramente “exprimível”, nem por isso deixa de ser “atributo” do mundo e de seus estados de coisas, de modo que o dualismo da proposição e do estado de coisas correspondente não se acha no plano do acontecimento, que só subsiste na linguagem ao pertencer ao mundo. O acontecimento está portanto dos dois lados ao mesmo tempo, como aquilo que, na linguagem, distingue-se da proposição, e aquilo que, no mundo, distingue-se dos estados de coisas. Melhor: de um lado, ele é o duplo diferenciante das significações; de outro, das coisas. Daí a aplicação do par virtual-atual (e, em menor medida, do par problema-solução) ao conceito de acontecimento. […] Em suma, o acontecimento é inseparavelmente o sentido das frases e o devir do mundo; é o que, do mundo, deixa-se envolver na linguagem e permite que funcione. Assim, o conceito de acontecimento é exposto numa Lógica do sentido /(resumido aqui)” (ZOURABICHVILI F. pg 7)
A̵̧̦͓̲̞̮͍̭͖̗͎͉̳̩̳ͬ̀̅ͯͩ̆ͯͪ̕͢͞B̷̪̘͚̖̽̒̓ͤͬͥ̎͂ͨ̓̓͒̚R̸̡̢̧̗͍͙͉̪̗͓͚̲̫̬͕̭̱͖̫̯̝͐̀̊̏̿͒̿̆̇ͯ͗ͣ͆̄͠A̧̗̦̬̹͇͔͉̜̝̫̳̲͍͔͊ͬ̆̈́ͯ̋ͦ͛͘͢͢ͅ ̴̛̥͍͎̠̤̬͍̲̟̲ͯ̒̈͐ͥͩͯͧ͐ͪ͑̿ͬ̿ͬ̀̄̐́̚M̷̧̝̳͚͇͎̙͈̥̙͈͍͇͚̥̅̊̈́̑ͣ̂̋̚̚͘ͅ ̴̷̜̫̳̳̪̑ͦ͊̋̋̾͂̆̌̒̓͋͛̄ͯ̑̂̽̽͘͢͢ ̓̉͋̈͛ͥ͋̒̇ͭͮ̒̃͛҉̵̳̯̻̯̮̱̟̖̬̩̀͢O̴̡̡͔͔̖͈͕̖̩̠̼̟̻͚͉͇͕ͩ̓ͭ͒͐̿̇ͧ́̎̾ͫ͐̍̊̓̽ͥ̚ ̡̛͈͖̩̫̩̣̹͓̩͓̞͔͈̖̥̑ͩ̌ͯ̅̋͒̃͝ ̸̵̡̫̳̣̫̙͉̹̲̉̑ͩ̉ͫͦͥͫ́̿͑ͫ̏ͩͧͧ̕ͅ ̧̛͎͉̠̰̭̰̖̾̿͑ͨ͛̍̔͆ͭͩͅV̨̙̘͕̫͖̰̞̘͕̤̥̗̳ͯ́̀͛̿͑ͩ̂͌̿ͯ̂͐ͩ͐͘͝ ̛̟̯̝̣̾͊͒̈͆ͮ̓͛͆ͧ̄ͦ̀ ̡̡̬̥̦̝̘̳̰̯̬̹̺͙͚͎͎̖̣͎̼͊̄̏̉̑̾̈́̅̀̐ͯͪ̔̌͝͡ ̡̡̞̫̙̙̪͓͚̳̰̹̇̊̃̔͂ͬ̒ͣ̽ͫͬ̈͐ͦ̽͗ͬͫ͡͡ ̵̠̪͇͕͎̺̞͙̯̬̼̳̠ͮ͗̾̂̉̍̏̑̏ͬ̾̂̃̒ͪ̀̍͜ͅI̴̢̟̫͉̪͖̪͖̣̳͙͍̹̓͑̐ͩ́ͅͅ ̨̛͖͕̯̯̙̞̝͎̫̫̳͓͙̮͇ͧ̂̾ͮ́̈́̈ͧ̔͂̅ͪ̌̈́͒͋̕͘͡ ̶̴̨̢̮̖̦͙̭̎̎̏ͩ̽̅̒̆ ̵͈̙̖͔̙͔̦͒ͮͤͧ͑̑͗͌͂̎͞ ̡̐̾͋͒ͨ̄ͩ͏̷̳͚͙͈͇̯͕͓͖͕͉̮̻̟̙̀ ̸̡̧̛̹̫͕̩͚̣͇̻̻̹̤̗͈̝͔̆ͥͫͬ̔͐̀̚C̑̇͌̅͏̵̲̠̞̞͝ ̡͐͛̃ͮ͏̬̩̝͟͝ͅ ̧͛̃͛̈͂̄̊ͩͬ͊̀͝҉̹̲͉̘͔ ̸̘̱͔̲͍̝̭͇̼̯ͨ̔͐̒́̇͝ ̸̛̳̺͉̤̹̳̻̬̖̬̞̣̪̤̾ͤ́̋̽̽ͣ̄̚͟͟͞ͅ ̴̨ͪ̄̈̽̂̐͘͡͏̹̦͎̮̬̰ ̸̸̨̤̳͈͓̰̤͈͖͇̬̩̹͈̋̅ͬ͋̿ͤ̈́͂̐͆̿̓̑͗̓̔ͥ̈͡H̢̖̳̹̲̮͎͓̹̣̍ͦͩ̽̓͟

Assim, acontecimento é complexo no sentido de ser limitado na mediatização da linguagem, ao mesmo tempo que não é um momento, o como as coisas estão naquele tempo; envolve uma rede de causalidades inexprimíveis que conjugam esta atualização e perpetuam devires. Ou seja, essa abstração vai muito além das palavras, remetendo ao estado de devir-nele-mesmo; o acontecimento é então não o processo que elaboramos como começo ou fim e definimos por palavras, mas como Zourabichvili diz, este paradoxo é o que sustenta a definição: não é a nomeação do processo, muito menos o estado físico do acontecimento, mas o acontecimento em si só se resume como conceito. O acontecimento é o que não está presente tanto no cortar a carne quanto na efetivação do ato.

Indo além: se você resolver especificar, territorializar(pg 22) o conceito do acontecimento, você não mais se refere ao conceito puro enquanto devir-nele-mesmo, mas a UM acontecimento, situado no imaginário, como devir atualizado e já territorializado. Determinar o acontecimento é transforma-lo em proposição (que exprime sentido). Mais uma tentativa: o acontecimento tem tudo a ver com o acaso se pensarmos da seguinte ótica: quando digo acaso me refiro ao que não posso prever mas vai acontecer; e que no momento em que acontece, deixa de ser acaso para ser acontecimento. Então, podemos dizer que o acontecimento é esta transposição de potência a casu à atualização indeterminada, com um devir a ser preenchido e determinado. O acontecimento é aquilo que é, e que se sujeita ao acaso para produzir diferenças, manifestando, assim, devires.

Solutio

Agora, vou me fazer uso de uma Hermenêutica (teoria da interpretação) para discorrer sobre algumas definições deste conceito chave.

so·lu·ção. – (latim solutio -onis) – substantivo feminino

1. Ato ou efeito de solver. | 2. [Física, Química] Operação pela qual um sólido ou um fluido se dissolve num líquido. | 3. [Física, Química] Líquido que contém um corpo em dissolução. | 4. Resolução de uma dificuldade, de um problema, etc. (ex.: encontraram uma solução de compromisso para satisfazer as duas partes). | 5. Resposta certa para uma questão ou um problema (ex.: no fim do livro estão as soluções dos problemas). | 6. Aquilo que termina ou encerra um assunto ou uma situação. = CONCLUSÃO, DESFECHO, DESENLACE, TERMO | 7. Pagamento definitivo.
Ȧ͌̂ͬͦ͡͏̭͎̝̲͕̼͞C͎͓̜̹̤̠̭̼̲̻̰̥̟̤͖̀̓͊̈́̃ͫ͗̌͊̆͑̄̂̑̉̈́̔̀́̚̚͜͜Ȏ̸̧̜̳̪͚̯̺̪̘̭̝͇͉̩͍̪̮̯̪̌̾̿̀̒̔ͨ͟ͅŅ̵̤͖͕̠͕͛̈̆̉̍̏̓̾ͯ͠͞T͛̇̏̒ͪ̾̀͏̡̭̠̱̣̙̙̩͡͝E̴ͯ͑͒̔͗͒ͮ̃̄͜͏̬̱̺͔͙̹Ċ̸̯̞͇̼̜͚͔͉̜͚̱̭͓ͣ̿ͧ͂ͨ̿͞͝Ĭ̶͈͉̝̜͎̤̜̳́ͩ̑̉̿ͩͪ͂̈́͑̈̓̈͑̚͘͘M̦͇̦̜̊̇̍ͭ̏͆͒͐̓ͬͧͥͧͮͭ̏̀͆̌͢E̶̡ͦͤ͊ͨͭ̏̒͡͏̖̮̗̼͔̣͕̞͓͜N̛̈́͊̔͊͋̉̋͘҉̫͙̠̪͘͡T̢ͯ̊̐͆̓̏̆̀ͪͫ͗̚҉̼͍̬̟͎͕͉͉̥̩̤O̷̷͕͙̱̻̬͍̙̻̥̩̳̙̲͋ͫ͋ͪͥ̌͂̈̍͒ͨͣ̽ͨ̔̅ͅͅ

Meu foco é nas definições de número 4, 5 e 6: todas elas são o que se costuma usar por solução de algo no fim proposto. A finalidade, enquanto tal, reside num fim atribuído, fim determinado; como no começo do texto, “sistema que atribui a tudo um fim determinado”. Mas eu questiono sobre como se instaura esse fim, ao qual sempre visamos, e que mais tarde eu vou retomar como a crise da teleologia.

Falamos de acontecimento e disse que ele é, por si, ele mesmo. Falamos do fim e da finalidade. Ora, como se dão tais finalidades? Se o mesmo se repete produzindo diferenças, tanto interiores quanto exteriores, tanto em signos quanto em devires, como pode o fim se dar, se tudo se repete? E repetimos por hábito; s͍̦̖͙̼̪͇̐̐͆͆ͨ̄ͬ͑ͦͮ̒̾̓̎̓̋̎ͬͯẽ̜̩͙̻͉͍͚̠͙͍̬̬̼̝͎ͭͯ̋͒ͧ͊̿̓ͤ́ͫ̊̔̒ͫ̏̅r̞̼͕͈̫͍̞̉̈́ͧ̃̒ͦ́̃̌̆̽̽ͮ̉̽̄̎ͬ̉á̞͓͕̥͙̥̫̮̟̺ͣ́̓ͧ͆͗ͭ͌̀ͨ̏͛͋ͧ̀̀̐̆̚ ͖̯̼̻̙̰̞̞̯̣̺͕͙̦͖̦̂ͨͧ͛̋ͪ̾̋̈̑ͭ͒̋e̹̦͎͍̰͔̜̱̱̹̖̋ͪͤ̎ͤͤ̈̈́̒̊s̲̘̞͉͚̩̬̽́̾̃͐̔̌̌̓̅̌ṫ̜̟͖̬̰̞̼͍̝͖̗̻̹̝͈͇͖̪͋̑ͬͨ̾͗̋͗͛̓ͨͫ̽̚é͍̼̯̬̪̰̱ͭ̓̚ ͙̪͇͉͓͚̇̓͗̃̆͒ͦ͛͌̑ͬ̋͗̂̃͛̅̅h͙̙̳̖̲̫̣̮͇͇͇̯̗̲̪̑͐ͤ̏̐ͩ̀̈́̒̒͌̀ͩͦ̾̃̀á͉̱̠͓̙͍̮̺͔̮͇̫͈́ͪ́͋̽̈̑̓ͤͭb̤̪̤͉̺͙̬̣͔͇̄͆͛̉ͭ͂̒ͭ̌́͋̅̐͗i̞̬̪̥͈̳͕̞͊̈͐͑ͨ͌ͭ̈͆́͂ͨͣͪ͂͐̈ͫ͗t̹̫̬̝̖͇̲̳̟͓̻̻̳̠̣͔̙̂͛ͧͤͦ̓̾ͥ̏ͣͯ̽̚ͅo͙̼̣̯̠̭̺͈͐̄̓́̅̂ͥ̂̄ͬ̃ͥͯ̀̉̎͑̌̐ͅ,̻̻̝̙̪̥͇͔ͦ̿ͯ͒̅ͭ̈ͣͦ̓̂̐̂̊͗ ͔̰̘̩̮͇̱̹͎̦̗̟̫͍̰͓̪̌̎̀͌̍͐ͤ̉̽͐ͅe͈̘͈̮̺̫̹̟̮̪͓̞̊́̊̂͋͂ͥ̇̾͛̋̚n͕̟̤͈̭̞̖̯͔̗͔ͫ͆ͥ̽̑̒ͮ͐ͬ̏̔ͣ͋̈̉͊͌ͩ̎ͅt̯̻̰̳̠̟̯̼͇͌̐ͭͤ̂̃ͮͪ͒̆ã͙̜̬͔͚̳͈̳͆̅̾̈ͫ͑̅̽ͣ̐̐ͮͭ͗̇o̜̱̪̰̱̟̠̎̍͒̋ͬͨ̿̊̾̄ͤ͂̑ͩͩ,͓̩̼̮͈͍͉̘̈͒̑͐͋̏̓̊ͥ͒͒ ̝̣͙̹̜̱̞̱̱̜͖̱ͭ́͊ͨu̥̲̹̟̓́́̉̀̈̐̈́ͮ̇̀͑ͤ͑ͫ̍̏ͦṃ͓̣̺̥̗̬̺̩͕̝͕̒̓̂ͫ̂͗̆̄̚ͅ ̤͕̜̠̲̪̦͕̖͎͂ͩ̍̈ͧͪ̄͛̇̽ͭf͎̪̯̱̺͍̤̠̮̝̱͆̿̍̈̒͊̊͌̉͋͗͐i̺̼̹̟̱̹̬̻̞̞͓̱̙͔̟̱̼̓̂͛̃̒̐ͭ͊̅ͫ̐͂͒ͬ̾͊͒̂̚m͉̖̺̪̰̼̝͔̹̜̺̊ͣ́̔̔̐̓̾̃ͭͥ̓̓͒͆ ̭̻̰͉͓̼ͥ̂ͣ̃͌̽̄̑́̊ͬ̈́ͥͅn͍̺͓̦͍̽͆̆̈ͤͥ̃̓͛͒̀̚ȇ̯͙̗̝̻̓̉ͤͫ̎l͈̼̠͙͓̤̗͚̐̅̌͊̅̽̆̉̀̄̎̿ͫ͂̆̄̚è͔͍̱̣̖̻̿́̐ ͎̲̠̭͔͉͈̲̰̣̳̬͂ͣ͆̆̇̈́́́̋ͅͅp̦̗̹͙̭̳̗̰̺͚̖̹̑͋̑ͥ̒̈ͯ̆̐̾͒̆͒̓r͉͎̼̗̱̗̩̫̻͎̤̍ͣ̏̄͛͐̊ͨ̈́ͩͫͬ̾̌ͩó̯̮͎̗̬͍̥͈̗̯̤͎̙̘͕̭̞̩̅̊̍͛ͨͥp̞̼̹̝͖̜̺̱̭̰͉̏ͧ͐͋͊ͪ͆͛̔͐ͤr̲͓̱̘͍ͦ̏ͦ̊̀̂ͧͥ̍͑͑i͎̠̲̥͍͇̱̺͍̭͓̰͒ͦ͊̈͛͐̇ͨ̽o͖̝̟͉̻͚̙͚̦͓̪̺̺̗̎͐̾͐͒ͧ͋̀͗ͮ̿̒?̣̪̥̱̲̤͔̻̙̜̰̠̻̯̈́̽̏̎͐ͩ͑͊̽

Resolução, resposta, situação, todos eles terminam e definem. Onde estão meus sapatos? Ora, estão alí. Problema resolvido. Até que o problema volte a se dar, e a se repetir; e nunca estará no mesmo lugar, ou no mesmo tempo. Será então a solução o fim? Qual é a duração do fim, quando propõe uma finalidade? Ou antes, como se dá a proposição desta finalidade? Um acontecimento dura e se estende pelo espaço, nunca territorializado. Nietzsche cunhou o eterno retorno, como já mencionei. Nem ele sabia definir muito bem, mas era um conceito assombroso, de acordo com ele. Este retorno é a repetição, eterno é a duração sem fim perante o todo. Então…

Ď̡̬̤̥͎͖̯̗̙̥̥̘̫̰̬̑̽ͨ͛͛ͭ̿͘͘͡Ẹ̵̼̺̦͕̤̟͖̬̓̉̈́ͨ̃̅ͪ̔̈̀͆ͪ̈̊̀́L̨̛͍̖̟̻̖̱̓̈͒ͪͩ̎̅͗̾̾̃̾̃͢Ě̴̵̥̪̲͎̿ͮ̆ͩ̎͑ͥ́ͣ̄̿̉Ų̶͙̗̫̮͇̩͇̫̒ͯ̄ͦ͐ͥ̚͡Z̡̖̖̘̠̫̳̱̹̣͋ͧ̇ͧ̓ͮͩ̀̒͋͑̎ͦ̇ͦ̔̄͟E̴̬̩̻̮̝̠͔͓͖͙͍̫͓͓̲͈̅̏ͧ̎ͮ̈ͬ̓̀́́͢ͅ ̹̠̞͎̩̘̞͎͉̹̹̹̜̾̋̓̏͗ͦ̂̄͌̓̌ͯ͑ͪ̈ͪ̃͟͟ͅB͍̦̝̯̼͇̯̻̝̗̥̱͉̳̫̘̝̜̄̃̐ͥ̑ͪ̽͗ͨ̏̽̓̈́̐̉́͟ͅI̴͙͈̼͚̟̙͕ͩ̓ͯ͐̐̑̚̚̕͡T̻͙̥̳̦̥̻̻̭̦̪̫̻̘̟͇̟͕̐̐́ͭ́ͧ̾͐ͭͬͫ́ͅC̶̨̞̤͔͇͕̤̒̾̂̿͆ͨ͊̕H̷̶̢̢̹̻̪̠̗͈̗͈̺ͣ̇̋ͦ̂͑͒̾̓̋ͨ̎

Eu sei, bem complicado, como eu disse, exige uma grande abstração. Eu não falo de um ou de outro, eu falo dele. Ele é devir-nele-mesmo. O que eu digo com isso? Ele é o que é. Se é grande ou pequeno você se afasta da diferença própria, e define pela semelhança. Eu não defino, eu circulo e evidencio o conceito e digo sobre, camada por camada, e não o como. Um acontecimento é e sempre será, mesmo quando fim ele ainda é acontecimento, sendo inerente a ele o ciclo — O acontecimento criação, acontecimento processo, acontecimento fim; acontecimento gênese. O que é, também inerente, é sua repetição. O fim de um acontecimento não é o fim dos acontecimentos. O fim é o retorno e portanto a repetição. É o devir fim se atualizando no devir gênese.

Vamos voltar à definição 2? Retomando: "Operação pela qual um sólido ou um fluido se dissolve num líquido". SIM! DISSOLVER! Era isso que eu queria dizer, obrigado exatas. O fim não acaba ou aniquila, ele dissolve. Olha só, agora fica mais fácil de entender. O fim se dissolve no líquido, ao qual chamamos de plano de imanência, para se reestruturar em começo, como nesse vídeo:

Dá um play M̥̱̬̰̭͔̼͐̑̋̈ͤ̃̋̂̎̈́̀̌͟ͅa̬̜̗̳̝͇̭͙͍̘ͭ̓̉͊̂͌̀͡͠r̷̟̝̮̞̫̘̖̪͎͈͖̗̞̯ͭ̂͂͑͂̉ͭ͌ͪ̃́o͉͍͍̭̭̙͎͇̻̥ͧ̔̐͒̾̓ͬ̽̋ͣ̔ͣ͌̏̑̀̀ţ̸̸̥͈̦̝̦̱̰̘̬̘̙̜͍͕̙̗̗̿̓͒ͥͅǫ̵̞̳͙̹͍͎̮̭͔͖͈̭̤̙͌͒͑̎ͨ̒̆ͫ̾̽̏ͧ̒ͯͨ̈͠ͅ

O líquido já atingira seu devir-fim no líquido (sempre tendo em mente que a ótica empregada para tal afirmação é antropo-lógica, ou seja, só faz sentido pra nós). Aí vem a seringa e dissolve um fluido neste líquido, que agora assume devir gênese-criadora, desterritorializando o outro fluído para que ambos atinjam um fim conjuntos, devir-impressão-3D. Sendo assim, o fim não se resume ao encerramento do acontecimento, mas nesta retomada pela diferença de um acontecimento na repetição (do eterno retorno), que enquanto fim nada finda; apenas retoma algo novo no mesmo.


Dá um play M̥̱̬̰̭͔̼͐̑̋̈ͤ̃̋̂̎̈́̀̌͟ͅa̬̜̗̳̝͇̭͙͍̘ͭ̓̉͊̂͌̀͡͠r̷̟̝̮̞̫̘̖̪͎͈͖̗̞̯ͭ̂͂͑͂̉ͭ͌ͪ̃́o͉͍͍̭̭̙͎͇̻̥ͧ̔̐͒̾̓ͬ̽̋ͣ̔ͣ͌̏̑̀̀ţ̸̸̥͈̦̝̦̱̰̘̬̘̙̜͍͕̙̗̗̿̓͒ͥͅǫ̵̞̳͙̹͍͎̮̭͔͖͈̭̤̙͌͒͑̎ͨ̒̆ͫ̾̽̏ͧ̒ͯͨ̈͠ͅ

Design sem propósito e a crise da Teleologia

te·le·o·lo·gi·a — substantivo feminino

1. [Filosofia] Ciência das causas finais. | 2. Teoria que explica os seres, pelo fim a que aparentemente são destinados.

Crise na T̹̭̪̞̱̈͆ė̯̳̼̟̘͔-̗̮̟̖̺̼̅͒̓ͮ͑͐l͇͈̦͙͆e̬̲ͨͯ-͖̭̣̯̪̗͌͗o̼͑̑́̄ͥ̄̅-̮̝̝̥͍̂̌̆ͪ͒̈́l̖̭̘̟̖̏͋͌͒ͣo̘͍̘ͥ̃̍̽ͫ-̙͙͙̗͓ͅg͖̃̈̇i̫͊-̳͇̯́ͣ͒̿̈a̮͕̟͍̟̟ͤͨ̈́

Bom, já falei sobre fim, sobre finalidade e sobre acontecimentos. Agora é o meu momento de brisar e tentar chegar em algum lugar. A teleologia é a crença em explicar as coisas pelos seus fins. Para percebermos o quão antigo isso é, Merritt Hadden Moore, em 1936, já discutia, de maneira bem interessante, a proposição sobre aplicar fins sobre os meios e como isso é estranho. Vou resumir brevemente o artigo dele entitulado A metaphysics of Design without purpose”, que inclusive me incentivou a pensar em um Design sem propósito, que venho defender mais tarde aqui.

Assumir a existência de um extranatural para explicar causas finais — no caso Deus para os deístas — propõe mais questionamentos do que respostas. Se você levar a diante perguntas como “Qual o sentido da vida”, ou “Qual a finalidade última da existência?”, claramente não se encontrarão respostas — pois, como diz Moore, o conceito de causalidade é antropomórfico, ou seja, criação humana e não natural. Atribuir à verdade transcedental tais perguntas só pressupõe uma realidade e uma infinidade de causas com as quais nunca entraremos em contato — pois, se entramos em contato com a realidade através do sentidos, como presumir que existe algo além disto?

Moore, tentando propor um sentido para tudo isto, atribui, então, o conceito de um Design sem propósito — entendendo design como sinônimo de ordem, padrão — ,que corresponde a admissão da causalidade, ou seja, admitir que não existiu um great designer (tradução para Criador) mas sim um compasso de causalidades que, dentro de um sistema complexo, sob o conceito de emergência, fez chegarmos aonde chegamos pela formação de padrões complexos a partir de uma multiplicidade de interações simples— e não por vontade última, finalidade de um criador. Ao contrário de uma causa suficiente (inevitavelmente, se A, então B), a partir de então começou-se a trabalhar com o conceito de causa eficiente (A é causa de B quando A é requisito necessário) para explicações científicas:

Em termos diretos, A é causa de B quando A é requisito necessário, mas não necessariamente um requisito suficiente, para ocorrência de B. A expressão popular “Se A então B” implica suficiência, o que faz a mesma não abarcar todos os casos de causalidade, e ajusta-se também às situações ocasionais onde, mesmo que o escrutínio revele que a ocorrência de B seja per facto independente de A, A tenha precedido a ocorrência de B em todos os casos não controlados.
Causa eficiente: atrela-se fator primário que dispara ou acarreta a mudança, ou seja, atrela-se ao gatilho ou ao processo que leva à existência da consequência. Uma causa eficiente de X pode estar presente sem que X seja de fato produzido, e por isso, a ideia de causa eficiente não deve ser confundida com a de causa suficiente. Como exemplos citam-se: um incêndio pode ter como causa eficiente um raio; Aristóteles diz que, para uma mesa, a causa eficiente é o trabalho manual do carpinteiro.

A Fim da arte

Este estado, salientado pelo filósofo americano Arthur Danto, é teorizado como: quando o objeto sensível adentra seu conceito como objeto de sua própria teoria, num momento pós-histórico (não se vive mais o passado) e plural. O fim da Arte presume que ela extravasou seus limites para o cotidiano, perdendo este espaço simbólico categorizado enquanto arte. A arte deixa de ser sensível para que o sensível vire arte. Se configura no momento em que a arte deixa de ter um espectro de continuidade no desenvolvimento histórico da arte para se libertar de tais premissas e entrar no momento chamado de pós-histórico; ou seja, a arte vive o agora e abandona o passado. Ignora tradições para representar um estado efêmero e conceitual: o texto sensível em detrimento do sensível percebido. Este fim se dá, pois, quando neste limiar da arte enquanto conceito, ela deixa de ser arte para se tornar dialética: consciente de sua própria história, incorporada ela, a arte se liberta para o presente, em que se torna reflexiva, e não mais contemplativa. A partir deste momento, a arte se torna, ao mínimo, filosofia.

Um ponto a se levantar sobre a teoria de Arthur Danto, de fato, é a crítica feita por sua grande afirmação de que a arte perdeu seu referencial por ter se tornado múltipla. Porém, é uma visão limitada quando se considera que uma falta de propósito também é um propósito de guerra (como as máquinas de guerra de Deleuze se acoplando ao corpo sem órgãos da arte), tornando toda arte negativa e crítica. Danto talvez tenha pecado ao julgar esta falta de progresso como negativa, pois tão somente é um progresso, mas em outros moldes. O fato dela ter se tornado reflexiva e ao mesmo tempo inflexiva (quantas obras não falam sobre o próprio conceito de arte?) apenas garante uma nova guinada para a arte enquanto múltipla e singular ao mesmo tempo. Um despropósito como propósito maior.

Bom, vamos retroceder levemente para o que Hegel costumava dizer quando cunhou este conceito de fim da arte. E para dizer isso, ele atrela o fim da arte ao conceito de espírito objetivo de uma sociedade — similar ao conceito de zeigheist, “é o sistema de significados e práticas que constituem a forma de vida de uma determinada sociedade” (DANTO, 1999). Mas Hegel não está limitando a arte a este conceito, mas afirmando uma vocação maior para a arte, no sentido de que “A necessidade universal da arte é a vontade racional do homem de levantar o o mundo interno e externo de sua consciência espiritual num objeto em que novamente ele reconhece ele mesmo.”(Ibid). Nesse sentido, o fim da arte em Hegel se traduz pela pergunta: terá a arte ainda o mesmo propósito (nas palavras de Heidegger)?

Em suma, este conceito de fim da arte não fala sobre o futuro da arte ou sequer sobre a arte em si, mas sobre nossa relação com ela, de forma que nós nunca mais nos relacionaremos com ela como fizeram nossos antecessores.

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E o Design?

Daí, volto eu a falar, puxando mais a sardinha para o Design, me pergunto se o propósito do objeto é inerente a ele ou se ele é atribuído por um espírito objetivo, portanto, sujeito às condições de vida de uma sociedade, situada no tempo. Antes mesmo de dizer se o Design pode existir sem propósito, digo que o propósito existe e é temporal, no sentido de que um objeto desenhado no contemporâneo não vai ser interpretado plenamente por uma consciência moderna e vice-versa. Dessa forma, me pergunto sobre a finalidade.

Se o propósito é vinculado ao tempo, a finalidade é o fim dos tempos que renasce numa repetição pela diferença, ou seja, a finalidade é a realização temporal atribuída por uma sociedade, pelo conjunto de normas de funcionamento daquela em específico e que, dito nas palavras de Danto também, revela a impermanência do propósito da arte, portanto, seu significado. E será isto aplicável, também, ao Design?

Se o fim da arte se dá, dentro da filosofia de Hegel, pela superação do espírito objetivo na arte, filosofia e religião, transcendendo assim para o espírito absoluto (o reconhecimento do divino na atividade humana); a este temos o exemplo dos indios Maori — a arte neste sentido seria introduzida como imanente ao cotidiano, inerente à atividade humana. Isto me faz pensar até que ponto, então, este propósito transcedental da arte em atingir a inflexão do homem pelo objeto cai perante à ascensão do Design como incorporação estética no objetário de uma sociedade — seja função prática ou função simbólica.

Claro que não tomamos tudo ao pé da letra, pinçamos aqui apenas o necessário — espírito objetivo, fim da arte e arte como temporal, assim como o propósito. Neste sentido, posso tirar breves conclusões — ou teses:

  1. O propósito de algo é relativo ao tempo em que se atribui e ao tempo em que se usufrui — sendo a finalidade subordinada a quem a atribui, dotando-a de sentido, e a quem apreende este sentido. Ele é impermanente, portanto, sujeito aos fluxos humanos simbólicos de diferença e repetição;
  2. O Design surge num momento da história em que se discute o fim da arte — sendo ele a incorporação desta dimensão e expressão “divina” no cotidiano, como no caso dos índios Maori. Meu ponto é que pode existir uma aproximação do Design e da arte neste extremo — que é o fim da arte — evidenciando a transposição de um no outro por fluxos que se construíram ao longo da história e que culminaram no presente momento;
  3. Sempre que pensamos em propósito ou finalidade, inevitavelmente nos lançamos numa dimensão humana da realidade simbólica — atribuição de problemas e proposições ao objetivo e natural.

Neste sentido, temos bases suficientes para discutir um Design como sem propósito: um Design não humano. Contudo, trazemos a definição de Beccari do Design como Articulação simbólica: “[…] um constante processo de mediação e recriação de narrativas que se abrem a novas interpretações”, que nos traz de volta para uma realidade em que o Design necessariamente é criação humana, por pertencer ao plano simbólico e imaginário, exclusivo ao pensamento humano. Pensar, portanto, num Design sem propósito é problemático pois foge de nossa dimensão de proposições filosóficas e nos adentra em um campo natural no qual a racionalidade e qualquer dimensão simbólica deixa de fazer sentido. Um Design sem propósito, trabalha, então, sem significados e sem signos. Ele é sensível e portanto inumano.

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Moore, em seu artigo, deixa claro a definição da qual ele faz uso, relacionando Design a padrão ou ordem. Obviamente que aqui eu adentro na intersecção de duas línguas, para trazer um pouco de uma noutra: no português Beccari propõe como articulação simbólica, e Moore, no inglês, como padrão e ordem. Se fizermos uma equivalência entre elas, já percebemos claramente esta multiplicidade atribuída ao Design. De um lado, temos a dimensão teleológica do Design, resumida no português, e de outro, a dimensão natural do design, sem propósito, resumida no inglês.

Interessante é pensar que estas duas definições conseguem se unir muito bem: e quando cruzamos as diferenças de um e do outro? Quando eu projeto uma casa de passarinhos, o que acontece? Eu atribuo uma função, devir-casa à madeira e a destino ao uso de passarinhos. Contudo, passarinhos não são humanos. Qual a diferença neste design produzido? Ele não é simbólico — pelo menos a seu público alvo — e portanto, faz sentido apenas a nós, contempladores. Ao passarinho nada muda pois é uma casa do mesmo jeito. Contudo, não posso fazer qualquer tipo de casa de passarinho — senão nenhum irá utilizá-la — eu preciso seguir regras, naturais, para que este Design funcione, o que quer dizer que abandonamos nossa dimensão de projeto humano, implicando que não existe finalidade nenhuma em nós, mas nos pássaros. Por regressão, enxergamos a finalidade pássaro ainda como finalidade antropológica, pois é conceituada e dissecada.

Nos voltemos para a multiplicidade da casinha — que é uma para nós e outra para os pássaros — qual é o limiar para que ela deixe de ser atividade ecológica de alvenaria e adentre o campo do Design? Creio que meramente precisa se adequar a uma finalidade humana — seja estética, uma casa transparente para ver os pássaros dentro, na interação com o ser humano — ou seja, que esta casinha tenha uma utilidade para nós também. Assim sendo, minha empreitada por um Design sem propósito, ao meu ver, me mostrou que ele só existe como negação do Design — trazendo a luz, então, um Design somente proposital (distinguindo o erro dentro do processo pois isto somente valida a proposição sensível que o Design evoca, classificando-a como certa ou errada).

Refs:

BECCARI, M. Articulações simbólicas : uma nova filosofia do design. Teresópolis, RJ : 2AB, 2016.

DANTO, A.C. Hegel’s end of art thesis, 1999. (Disponível em: https://goo.gl/Ybj506, acesso em 10/05/2017)

(LS) DELEUZE G. Logique du sens, Paris, Minuit, 1969. [Ed. bras.: Lógica do sentido, São Paulo, Perspectiva, 2000.]

MOORE, M. H. A metaphysics of a Design without purpose, Philosophy of Science, 1936

ZOURABICHVILI F. O vocabulário de Deleuze, Rio de Janeiro, 2004 (Disponível em: https://goo.gl/YFwPEM: acesso em 02 de Maio de 2017.

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