Por que (ainda) não podemos falar de NBA em Seattle

É mais certo do que triplo-duplo do Westbrook (que deveria ser nosso): ao menor sinal de algum rumor da possibilidade de ter uma expansão, Seattle é uma cidade cogitada. E não sem motivo. A cidade foi sede dos Supersonics de 1967 até 2008, sendo campeã da NBA em 1979, além dos títulos da Conferência Oeste em 1978 e 1996. A cidade ainda lamenta a ida da franquia para Oklahoma e torce, a todo custo, para que a NBA retorne, mas as coisas não são tão simples assim.

Logos variados da franquia circulam na internet, mas volta ainda está distante | Foto: Reprodução/Internet

Para que a cidade volte a contar com uma franquia na liga, precisa ser ou por realocação de cidade ou via expansão. Realocação é o que aconteceu com a própria franquia dos Supersonics, quando uma equipe é movida de uma cidade a outra e já aconteceu algumas vezes na história da liga.

A possibilidade de realocação de alguma das atuais franquias é quase nula. O sistema de franquias da NBA está muito bem estabelecido e as equipes são estáveis, financeiramente falando. Não faria o menor sentido realocar alguma franquia para que Seattle possa voltar a ter um time.

Torcedores protestando contra a saída da franquia, em 2008. | Foto: Seattle Sports Net

A última possibilidade concreta que isso acontecesse foi quando os Kings discutiram a possibilidade de venda da franquia para Chris Hansen, Steve Ballmer (CEO da Microsoft, que depois viria a comprar os Clippers) e os irmãos Nordstrom (donos da Nordstrom, uma rede de lojas baseada em Seattle). O negócio chegou a ser tratado, mas o então prefeito da cidade californiana e ex-jogador da NBA, Kevin Johnson, interviu e conseguiu frear a possibilidade da saída dos Kings.

A maior especulação gira em torno da possibilidade de expansão. O processo de expansão é quando a liga decide criar mais times por qualquer que seja o motivo. Desde mercados atrativos para o consumo e a criação de uma cultura esportiva local, ou até mesmo para uma cidade voltar a ter uma franquia, o que é o caso da Emerald City.

Poderia ser nois, mas não colaboraram né Durant? | Foto: Reprodução/Internet

A chance de expansão, segundo artigo publicado por dois jornalistas, tem sido tratada de maneira séria. Após a negociação do novo contrato coletivo dos jogadores, assinada pela liga e pela associação de atletas recentemente, a expansão deve ser a próxima pauta de discussão para o comissário Adam Silver. E claro, quando o assunto é expansão, os holofotes se voltam para Seattle.

O maior ‘mecenas’ da cidade para que voltem o Supersonics é Chris Hansen. Ele é um homem de negócios na área de especulação financeira que cresceu em Seattle e, desde a saída do time, vem acenando com várias tentativas de trazer a NBA de volta à cidade.

O sonho do basquete de volta em Seattle passa por Chris Hansen | Foto: USA Today

A atual situação passa por duas opções: a renovação da KeyArena, local que foi sede das partidas de 1995 a 2008, mas precisa de uma reforma, ou a construção de uma nova arena.

Key Arena

Key Arena continua sendo usada para jogos da WNBA | Foto: Erika Schultz/Seattle Times

A cidade quer ceder a Key Arena e não ter custos para a renovação da arena, que seria palco dos jogos da NBA e de uma possível franquia de NHL. As empresas interessadas devem apresentar proposta até o dia 12 de abril deste ano. Duas empresas globais com sede em Los Angeles (Anschutz Entertainment Group e Oak View Group) já sinalizaram o interesse em renovar a arena. Será cobrada uma taxa mensal de aluguel do local, com a empresa responsável por cuidar da arena ficando com todo o lucro que o local render.

O que deixa os fãs de basquete com um pé atrás quanto a aquisição por parte dessas duas companhias é que elas já afirmaram, em caso de compra, a primeira prioridade seria renovar o local e não procurar NBA e NHL para que as reformas sejam feitas para agradar ambas as ligas, garantindo um possível lugar para futura franquia. Lembrando que a divisão entre as duas ligas em um só ginásio acontece com bastante regularidade, como é o caso de Staples Center (Los Angeles), United Center (Chicago), Madson Square Garden (Nova Iorque) e Barclays Center (Brooklyn), só para citar alguns.

Segundo a Corte da cidade de Seattle, a proposta apresentada tem que viabilizar todas as questões financeiras, logísticas, trabalhistas e afins para serem analisadas. “Estaremos focados em construir uma arena multicultural de nível mundial que possa servir bem a cidade”, afirmou a juíza Debora Juarez, a um jornal de Seattle.

Nova Arena

Projeto da nova arena (ao centro), que seria localizada próxima ao Century Link Field e ao Safeco Field | Foto: Reprodução/Sonics Rising

Hansen, desde a saída dos Sonics, vem acenando com várias tentativas de trazer a NBA de volta à cidade. Em maio do ano passado, a Corte de Seattle vetou, por 5 votos a 4, a venda de parte de uma avenida onde Hansen estaria disposto a construir uma nova casa para os Supersonics. A grande questão que pesou contra foi que, para construir a nova ‘casa’, teriam que demolir uma parte da estrutura de um dos portos da cidade e isso afetaria muitos trabalhadores. “Você pode construir um, dois, até cinco ginásios. Mas você não temos outro local disponível para construir um porto como este”, afirmou, em discurso, um dos votantes da Corte à época.

Torcedores presentes no dia do julgamento que negou a Chris Hansen o local da construção da Arena | Foto: Seattle Times

Hansen tem uma espécie de contrato com as autoridades locais que serve como incentivo: caso o empresário consiga levar uma franquia antes da renovação da KeyArena, a cidade ajudará com parte dos gastos na construção do novo ginásio. O problema é que esse contrato é válido até novembro deste ano.

É esperado que o Hansen também apresente uma proposta para utilização da KeyArena. Mas essa possibilidade seria apenas em último caso, já que Hansen acha que tem o que é necessário para conseguir honrar o acordo até o seu prazo expirar.

São vários os fatores que permeiam a volta ou não de Seattle ao mapa da NBA. Recentemente, Russell Wilson, quarterback dos Seahawks, se juntou a Hansen num grupo financeiro disposto a trazer de volta os Supersonics. As especulações sempre vão continuar.

Eventualmente, creio eu, acharão um espaço para que a cidade no Noroeste dos EUA seja de novo sede de uma franquia. A vontade da cidade e os esforços de grupos particulares, com apelo e muito dinheiro, devem ter seus esforços recompensados. Mas não em menos de dois ou três anos, para que toda a papelada seja acertada na cidade e a liga confirme os planos de expansão.

O que alguns jornalistas especializados em NBA falam é que assim que Seattle conseguir viabilizar a arena, será o primeiro lugar procurado para conversar sobre expansão. Aparentemente, os esforços estão todos lá para que isso aconteça.

A próxima rodada de especulação tem data marcada: dia 12 de abril. Até lá, se nenhuma novidade alarmante acontecer, tudo não passará de especulação.

Oi, NBA, será que vocês poderiam…. | Foto: SonicsRising
Show your support

Clapping shows how much you appreciated Parrela’s story.