A marca no tempo e no espaço

O que é mais importante e urgente?

De 2015 pra cá ouço muitas pessoas falando de uma nova era. Um novo tempo que, dizem, chega pra ficar e melhorar a vida no planeta em vários aspectos. Movimentos como a colaboração, o compartilhamento, o consumo consciente, a hiperconexão digital, o upcycling, a pós demografia — entre outros— nos indicam que acontece uma mudança profunda na consciência humana.

Entre 2003 e 2011 tive a permissão de participar de um trabalho voluntário, colaborativo, onde estudei profundamente as religiões, filosofias e tradições ancestrais — sempre aliadas e comparadas à ciência. Neste tempo, já era comunicada—e sentida—essa nova era. Mesmo assim, não se ouvia falar tanto sobre nova era fora daquele círculo. Segundo a Teosofia, essa nova era chegou com o final da 2ª Guerra Mundial, quando velhas formas de pensamento foram completamente destruídas do planeta. Desde então, dizem, o mundo se encontra em transição, onde alguns resquícios da velha forma de pensar ainda se fazem presente.

Enquanto muitos opinam sobre a nova era, algo que está relacionada ao tempo, é preciso falar também da nova dimensão que trata do espaço. A nova era e a nova dimensão são conceitos que se complementam, assim como o tempo e espaço — onde tudo existe e se manifesta — inclusive nossa existência e a maioria das experiências que temos.

A lei cósmica da polaridade.

Nada existe sem ter um oposto, um complemento, uma ambiguidade. O tempo e o espaço são exemplo disso. Não pode existir tempo sem espaço e vice e versa. A interdependência, que também permeia tudo que existe, é tão aplicável à essa dupla quanto é à cada célula do nosso corpo. Aliás, se não fosse tempo e espaço, não haveriam células para formar o nosso corpo.

Por conta da nossa noção de realidade relativa, e porque envelhecemos, o tempo é um elemento que parece estar se esgotando. Em paralelo, o espaço parece estar se expandindo cada vez mais, com novas descobertas sobre os limites do universo que surgem com frequência. Mas, tanto a percepção de tempo que se esgota quanto a percepção de espaço que se expande pode ser percebida ao contrário também. O tempo da vida individual na terra só aumenta e, com avanços na medicina, a tendência é que cada vez mais a vida seja estendida por aqui. Já existem previsões que pessoas que nasceram na década de 1990 poderão viver até os 150 anos de idade. Porém, com o crescente aumento da população, o espaço na terra está acabando, assim como os recursos da natureza, que consumimos cada vez mais rápido e que, por falta de espaço, não conseguimos renovar em tempo suficiente.

A dualidade (ou ambiguidade) não é uma característica específica dessa nova era, mas as pessoas estão se tornando mais conscientes dela agora e, aos poucos, também terão mais consciência da nova dimensão. Sobre a participação ou presença humana nessa nova realidade, também existem duas condições, ou opostos, complementares e igualmente ambíguos na raça humana: a consciência e a inconsciência. Por isso, alguns vão entender o que está acontecendo, outros não. Tudo em seu tempo — e espaço.

O tempo não para.

Contínuo, o tempo é algo que, até agora, nenhum ser humano consegue controlar com totalidade. É algo intangível mas que pode ser mensurado (desde o segundo até os anos). Ele é organizado e como segue uma ordem numeral, e em ciclos, é algo ordenado também. Na nova era, é bem possível que tenhamos avanços significativos em relação ao tempo, como por exemplo, viajar nele.

Para marcas, o tempo é de mudanças. É preciso quebrar paradigmas internos o mais rápido possível para se adequar à nova forma de tempo que estamos vivendo. A velocidade das informações aumenta a cada dia e isso faz com que as pessoas sejam estimuladas com mais coisas em cada vez menos tempo. A hiperconexão cria esse senso de velocidade, ilusório. Milhares de marcas fazem contato conosco por dia, nos dando a difícil tarefa de decodificar e interpretar um campo enorme de signos e símbolos. O mais importante a ser entendido sobre o tempo é que ele é flexível — e por isso, o espaço também é. Ou seja, a nossa percepção do tempo está diretamente ligada ao número de informações que recebemos. Você também tem a sensação de que o tempo passa mais devagar no campo?

A marca da nova era deve entender que o tempo é um valor importante para quem for usá-la. Sabe aquela informação (imagem, frase ou palavra) que te faz parar de rolar o feed? Então, essa é a energia que a marca deve buscar. O tempo é artigo de luxo, e a atenção também. Pra conquistar a atenção é preciso transmitir atenção também, já que algumas leis universais estarão sendo cada vez mais aplicadas em nossas vidas. O ser humano vai se relacionar com a marca que corresponde à sua verdade.

Redimensionar para transformar.

Nosso corpo físico possui dimensões (e sub dimensões). A natureza, também. Nosso planeta e as organizações que aqui temos, também. E assim acontece com nosso sistema solar, a galáxia onde ele está, o sistema dessa galáxia e assim sucessivamente. Normalmente — ou idealmente — é comum que cada esfera "superior" esteja em um nível de evolução mais avançado que a anterior. Em nossa atmosfera, o ar vai ficando mais rarefeito, menos denso. Sendo assim, vamos do mais denso ao mais sútil — e imperceptível, ou intangível.

Todas essas coisas ocupam espaço, físicos ou não físicos. O símbolo de uma marca impresso em um espaço (bidimensional) de uma embalagem, por exemplo, está ocupando um espaço físico nela—sua área. Pela visão ocular, um sentido físico que depende de luz, este símbolo chega à mente da pessoa. Lá ele é registrado e pode ser lembrado novamente, de acordo com o impacto que a aplicação na embalagem teve, através de ativações neuronais (físicas) que por sua vez são mais sutis que o desenho impresso no espaço. Assim funciona o caminho da marca, do mais denso ao mais sútil, com um exemplo bem simples, só pra mostrar como ela habita o espaço também em evolução—do denso ao sutil. Em algum momento, ela deixou de ser um desenho e se tornou uma energia. É claro que a visão é apenas uma via e existem outras ações, ou meios, importantes como a experiência de abrir tal embalagem onde a marca é impressa.

O importante é saber, e entender, que marcas preenchem o espaço. Elas atuam e existem na nova era, sim. O espaço pode ser amplo ou restrito, mas nunca vai deixar de ser um espaço. O espaço mental é o mais sútil para marcas. Já o espaço na gôndola, mais denso. É importante frisar que, na nova era, o sútil e o denso não significam necessariamente melhor ou pior. Isso está mais para uma classificação que não nos serve mais, similar a uma hierarquia vertical, por exemplo. Com a evolução de uma nova consciência, a hierarquia horizontal aparecerá mais. Ela fará mais sentido até na importância dessa presença de marca em espaços sutis ou densos. Os dois dependerem um do outro é mais próximo da realidade do que qualquer outra coisa.

A posição é sempre no espaço.

Marcas que querem se manter relevantes precisam se posicionar cada vez melhor no espaço. Para continuar a existir no tempo, é preciso evoluir no espaço.

Apesar de mais complexa, volátil e misteriosa, a nova dimensão é o lugar onde estarão marcas líderes de um novo mundo que está em construção. Não existem restrições para quem quer entrar nesta dimensão. Não se conhecem os limites físicos dela (e muito menos se eles existem). Mas certamente existem oportunidades incríveis para quem quer explorar e experimentar nele.