[ todo mundo sabe ]

A gente pode sentir o tempo.
Ele corre por nós. Entre conversas intermináveis.
Conversas que ficam sempre pro dia seguinte.

Não há como não saber. Não há como controlar.
Simplesmente veio, fica, abala, cega.

Podemos sentir a história.
Construída como avalanche.
Entre o acordar de um dia e o “– hora de dormir, né?”

Não há como negar. Não há como parar.
Vem, arrebata, embola, tira pra dançar.

Tudo isso pode acontecer.
Tudo isso pode comover.
Mas não há nada como o primeiro beijo.
Ela sabe. Ele sabe. Eu sei, nós sabemos.

Aquele segundo que antecede.
Aquele segundo que acontece.
Único, fino, maior mágica do planeta.
Maravilha da Natureza.

Em cada primeiro beijo:
nasce uma estrela;
brota uma flor;
sobrevive um panda;
canta um passarinho livre.

Em cada primeiro beijo, vive a eternidade.
Daquele momento. Por apenas um dia.
A gente pode sentir o tempo.
Correr por nós, devagarinho.
Ela sabe, ele sabe. Nós sabemos.


SP 26/07/2015
©JeanBoëchat

*foto de Tatiana Vasconcellos