[ o mais longo dos dias ]


O fim. Mais um fim.

Era uma vez: uma história. Como tantas outras que acabam; histórias acabam.

Nascem, amanhecem, correm o tempo e, no final, se postam. Como qualquer outra história.

Como qualquer outra história, talvez tenha sido mais longa do que deveria.

Um solstício de um verão. Um dia que foi além do dia. Um dia daqueles.

Onde as brigas passam de dissonantes para constantes.
De esporádicas para comuns.
Um dia daqueles.

Onde os beijos congelam. O arrepio cessa. A paciência acaba.
No entardecer.

Todo Sol desce. Todo Sol vai embora.

Deixando a lembrança para o sonho. A tristeza para o abraço daqueles raios familiares que acolhem e confortam.

Porque o dia seguinte vem na delicada certeza das perspectivas.

E a menina põe-se: sorrir de novo, ainda que venha a noite.
Carregada de estrelas e satélites comunicativos.

SP 14.07.2015
©Jean Boëchat

*Sobre foto de Patricia Marques