[ tende piedade ]

São poucos passos para uma promessa.
São longos tempos para tanta fé.

Maria, nome de santa devotada, tinha tanto a conversar com o Senhor.
Todos os dias: sempre a mesma ladainha, sagrada.

É pouco tempo para tal certeza.
É pouco caminho para tanto pé.

O peso dos dias, a carregar: o peso da vida, não tão pura, cristalina.

“- Todo mundo erra, todo mundo peca. Até você Maria.”

Ninguém soube o que queria: era paz? Era cura ou redenção.
Só sabia de uma coisa: sempre a mesma ladainha.

Vozes miúdas repetidas a exaustão, prostrada aos pés da santa cruz.

Não havia dor, não havia tempestade.

Pequenos cânticos, um resquício de lamento frio, uma ressalva em contrição.

Maria, nome de santa devotada, disse tudo ao santo Deus.
Por todos os dias, sempre a mesma ladainha, amém.

SP. 22/7/2015.
©Jean Boëchat

*Foto por Gaía Passarelli.

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