O que ninguém te conta sobre estar em um relacionamento com alguém neuro atípico.


A romantização da depressão e ansiedade já é pauta virada. A necessidade de se levar a sério tais doenças é cada vez mais difundidas.

A cada pesquisa feita, assusta mais a quantidade de jovens diagnosticados com depressão, ansiedade, bipolaridade e tantas outras deficiências que destroem boa parte do acreditamos ser.


Estar em um relacionamento com outro ser humano não pode ser fácil,e não é a toa que nunca é. Relacionamentos afetivos — monogâmicos, poli amoristas, abertos, héteros, bis ou qualquer outro tipo, nunca — nunca mesmo — são fáceis e nem dão pra levar na barriga.

A gente fala sobre responsabilidade afetiva de uma forma tão vaga que nem nós mesmos percebemos quando não estamos sendo. Falamos tanto em relacionamentos saudáveis, que a gente nem consegue enxergar as raízes podres que nos cerceiam.

Pessoas quebradas não precisam viver relacionamentos quebrados. Nem eu nem você. Font: unsplash.

À primeira vista, se relacionar com alguém com depressão / ansiedade pode parecer bonito. Pode fazer se sentir como um porto seguro. E a gente sabe, é bom se sentir útil e firme.

O que ninguém te conta é que tem muita parte feia nos relacionamentos assim. A depressão não é algo que vai sumir assim que você começar a se relacionar com alguém que você ama. Pelo contrário, ela pode até piorar. Idem pra ansiedade.

A face feia da depressão é muitas vezes traumática. Não há beleza nas noites insones. Não há beleza nas crises nervosas, nas crises de raiva, nos momentos de gatilho. Nunca é bonito.

Por muitas vezes você vai estar em uma situação que não foi culpa sua. As vezes você vai ouvir coisas duras e pesadas — principalmente se você se mostrou aberto a conhecer até o lado mais sombrio de alguém.


Não dá pra esperar que seja fácil estar com alguém que por vezes perde o controle. Que vai falar da morte com mais desejo do que deveria. Que vai tentar fazer mal a si próprio na sua frente.

Não dá pra prever. Algum dia, mesmo no relacionamento mais feliz, vai haver uma crise desesperadora. Vai haver um momento em que você vai se arrepender ou no mínimo ponderar sua própria decisão.

Responsabilidade afetiva não é sobre cuidar, não trair e estar sempre lá. É também e principalmente sobre assumir pra si quando não dá mais. É pesar os prós e contras dentro de toda sua relação para entender dentro de você se vale a pena. E tudo bem se não valer.

A síndrome do super-herói

É normalizado demais esperar que o companheiro seja seu super herói. E cá entre nós, heróis são ultrapassados. Por vezes, queremos alguém como a gente. Que não vai se espantar na primeira vez que você quiser mergulhar fundo na sua introspecção.

A gente só espera pessoas reais. Honestas. Que saibam e assumam pra si que não precisa dar certo. Que talvez não dê mesmo.

O que ninguém precisa é de alguém ao seu lado dando sempre muito mais de si e ficando esgotado porque acredita que essa é sua função. Não é.

Relacionamentos são sobre as pessoas envolvidas. A depressão pode, mais do que a gente gostaria, ocupar mais espaço que o desejado. E é chato. É mais alguém pra dar atenção. É frustrante.

Ser responsável é entender a dor do outro. É não cruzar aquela linha imaginária que você sabe onde termina, e que pode destruir não apenas o coração, mas a saúde mental de alguém.

Estar em um relacionamento com alguém mentalmente instável é precisar ser triplamente responsável. Se você conquistou confiança o suficiente pra saber dos gatilhos, para estar lá quando eles são ativados e desmoronam os indivíduos, não os desmorone.


Seria ótimo se o único problema fosse magoar alguém. Mas aqui, falamos de algo que pode matar alguém.

Ninguém pede que você fique. Mas se ficar, se cuida e boa sorte. A jornada é tão árdua quanto uma recuperação. E só amor não é suficiente.

É empatia, resiliência, responsabilidade e uma grande dose de honestidade. Mais do que heroísmo.


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