Sobre brilho nos olhos e nostalgia

Hoje assisti o filme que conta a história de Ben Carson, um neurocirurgião negro que fez a primeira separação de siameses ligados pelo cérebro nos EUA dos anos 80.

Dentre várias cenas que me fizeram chorar, uma em especial despertou algo lindo em mim - uma mistura de nostalgia com frustração e gratidão.
O filme mostra a imagem de Ben, ainda criança, percorrendo uma biblioteca, e escolhendo um livro que sua mãe o obrigara a ler (dois por semana, com resumos).

Ao ver os olhos do pequeno ator vivenciando aquele momento, lembrei de quantas vezes havia percorrido caminhos parecidos na busca por um livro que me fizesse sorrir ou chorar - ou mais explicitamente, sentir.

Fiquei grata por ter aproveitado minha infância e adolescência mergulhada em livros, chegando à mais de 200 por ano. Nostálgica por notar que esse tempo já se foi e que nunca mais senti aquele prazer com nada mais. E frustrada tanto por ter perdido os ares adolescentes da descoberta e sede de conhecimento, quanto por não me lembrar da última vez que passei em uma biblioteca.

O textão é um lamento do quanto perdemos quando esquecemos o livro. Uma lembrança de tentar resgatar a alegria e o brilho nos olhos causados por eles.
E uma esperança de reacender a chama dessa paixão tão antiga.