Seja paciente

Valéria Barros
Apr 12, 2016 · 2 min read

Paciência é um mantra que tento me recordar diariamente.

Uma das partes mais difíceis no tratamento da depressão, até agora, é andar para trás. A ansiedade faz com que desejemos que os resultados sejam imediatos — mas eles não são.

Se lembrar que é comum continuar tendo ataques de pânico ou crises de tristeza é um aprendizado diário, e por vezes dolorido.

A impressão que dá é que não importa quanto tempo passe, ou por quanto tempo você fique bem, ou por quanto tempo você resista às mudanças, a nuvem sempre irá voltar. E ela vai mesmo.

É que dói. A sensação de fracasso é excruciante quando você consegue claramente perceber os avanços, ao mesmo tempo em que caminha para trás em tantos pontos.

Além de fracassante, é incrível. Essa alteração química cerebral nos mostra que parece que somos fracos demais para enfrentar nosso próprio corpo.

Se torna mais pesado juntar forças para continuar lutando.

Parece que é muito mais difícil celebrar os avanços enquanto sua alma se corrói.

A gente tenta. Cria metas, se empolga, se permite desafiar, aprender sobre si e sobre quem é você no mundo. Fica tudo bem por um tempo. Mas ai vem a rotina, e mostra que a queda é maior quando a subida é relevante.

Ter esse tipo de consciência ainda é difícil para mim. É bem mais fácil deixar os objetivos de lado e se entregar.

E quando esse desejo vem… É preciso mais três de mim para dizer que não. Que é mais fácil não arredar o pé e continuar tentando. Tentando. E falhando.

Porque uma hora ou outra, eu acho que ficamos mais resilientes.


Depois que comecei a terapia, decidi que ia tentar. E estamos tentando. No método mais simples de tentativa e erro. Dizendo mais sim’s que não’s. Se esforçando mais, sonhando mais, comemorando mais.

Alguns dias são mais fáceis, outros são escuros. E ainda bem, nem tão escuros como já foram um dia.

Mas é desgastante se perceber outra vez com os mesmos sintomas. Entrando novamente na mesma maré sanguinárea e pensando que talvez ficassemos melhor só deixando a maré carregar.


Nesses momentos é quando mais preciso exercitar a calma. Mesmo sem olhar no espelho, murmurar que vai ficar tudo bem.

Que tudo bem ter mais uma crise. Que tudo bem ter mais um ataque. Que tudo bem não se sentir inteira por uns momentos.

E que depois, vai passar. Você chegou até aqui!

O corpo pede um pouco mais de calma. A alma pede que não se desespere.

E que, na pior das hipóteses, sexta-feira tem terapia.

A Jornada

de dentro para fora.

Valéria Barros

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Developer, activist, dreamer & fighter.

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