Ser mulher

Valéria Barros
Mar 8, 2016 · 2 min read

Minha pele, onde habito, é um lembrete diário de que sou exposta.

Meu corpo, mais que meu próprio templo, é um ato político.

Meu gênero é uma estimativa de que a cada 4 minutos que não sofro violência doméstica, uma mulher sofreu.

Ser mulher é um lembrete diário de que a cada minuto que passa, sou uma sobrevivente de abuso sexual.

Minha existência é pautada pela sorte de não ser mais um número na lista de alguém.

A cada dia que chego em segurança em casa, é um soluço resgatado pela moça que foi abusada ao sair do colégio, ao sair da balada, ao nascer.

Cada taxi que pego e chego viva, é um motivo a comemorar.

Cada metrô, cada rua, cada esquina, é um lembrete de que nesse exato mometo, uma mulher está sendo tocada sem permissão. Só por ser mulher.

Meu fôlego, meu calor, minha vida, é um lembrete que vai ser sempre assim. Que serei julgada no trabalho, que medirão o tamanho do meu short quando me estuprarem. Que perguntaram se estava sozinha quando for encontrada morta.

Amar ser mulher, amar seu próprio corpo é dizer que NÃO. E que talvez o carinha da balada não vai entender, e se o seu amigo não estiver por perto, ele vai te beijar a força.

Viver nesse corpo é saber que se amar é dizer NÃO a quem diz que não posso ser bonita.

Ser mulher é lutar diariamente pelo direito de existir. De ir e vir. De ser.

Mas eu amo ser mulher. Eu amo ser eu.

E por amor, a gente luta.


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Valéria Barros

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